Finanças

Fintechs impulsionam nova era do sistema financeiro com integração do PIX e serviços embutidos

Robson Gimenes analisa a ascensão do modelo Bank as a Service (BaaS) e do PIX como pilares de uma transformação silenciosa no sistema financeiro brasileiro.

Fintechs impulsionam nova era do sistema financeiro com integração do PIX e serviços embutidos

Nos últimos anos, o setor financeiro brasileiro passou por mudanças profundas impulsionadas pela digitalização, regulação e avanços tecnológicos. A chegada do PIX, o fortalecimento do open finance e a popularização do modelo Bank as a Service (BaaS) inauguraram uma nova era de descentralização e inovação, colocando fintechs e empresas não financeiras no centro da transformação bancária.

Portanto, para o especialista em inovação financeira Robson Gimenes, estamos diante de uma virada estrutural no sistema bancário. “Hoje, os bancos não são mais os únicos provedores de serviços financeiros. Empresas de varejo, tecnologia, transporte, entre outras, estão assumindo o papel de oferecer soluções como contas digitais, crédito e pagamentos diretos aos seus clientes”, afirma.

O avanço do Bank as a Service

Esse movimento é viabilizado pelo avanço do BaaS — um modelo no qual empresas terceirizam a infraestrutura bancária das fintechs ou instituição regulada para lançar seus próprios produtos financeiros. Com isso, nasce uma nova categoria de players, que mesmo sem serem bancos, passam a oferecer serviços bancários personalizados.

A criação do PIX, em 2020, pelo Banco Central, acelerou ainda mais esse processo. Com transações instantâneas, gratuitas e disponíveis 24 horas por dia, o sistema se tornou base para a modernização dos meios de pagamento no Brasil.

“O PIX mudou a forma como nos relacionamos com o dinheiro. Para empresas, ele não representa apenas um meio de pagamento, mas uma ferramenta estratégica de geração de valor. É possível oferecer descontos por pagamentos via PIX, automatizar conciliações e até antecipar receitas de forma integrada”, explica Gimenes.

Finanças embarcadas

Além disso, outro conceito cada vez mais presente no vocabulário das empresas é o de embedded finance — ou finanças embarcadas. A ideia é simples: integrar serviços financeiros diretamente nas plataformas e aplicativos que o consumidor já utiliza. Desse modo, tornando o processo de pagamento ou crédito invisível, intuitivo e fluido.

“Estamos caminhando para um cenário em que o cliente compra, paga, financia e investe sem sequer sair do ambiente da empresa. Isso melhora a experiência do usuário e gera novos modelos de monetização para os negócios”, aponta o especialista.

Dentro desse cenário em transformação, empresas como a Cronos Fintech surgem como protagonistas. Fundada em 2018, a Cronos se antecipou à implementação do PIX e desenvolveu uma estrutura completa de BaaS voltada para empresas que desejam oferecer serviços financeiros sem, necessariamente, serem instituições bancárias.

Desse modo, a fintech atua com foco em automação bancária, integração via APIs e soluções de white label, permitindo que varejistas, plataformas digitais e prestadores de serviços criem suas próprias contas digitais, carteiras e sistemas de pagamento com PIX embarcado.

“Empresas que usam plataformas como a da Cronos conseguem escalar suas operações financeiras de forma rápida e segura, além de fidelizar o cliente oferecendo soluções modernas e convenientes”, analisa Gimenes.

O que vem pela frente?

Por fim, com a chegada do Drex (Real Digital) e a consolidação do open finance no Brasil, especialistas esperam uma explosão no número de empresas oferecendo serviços financeiros integrados no cenário de fintechs. Para Gimenes, a tendência é de que o setor bancário se torne cada vez mais distribuído e tecnológico.

“A lógica é clara: onde há fluxo de dinheiro, haverá oportunidade de agregar serviços financeiros. O BaaS e as finanças embarcadas não são mais o futuro, são o presente do mercado”, conclui.

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Leonardo Rubinstein

Sobre o autor

Leonardo Rubinstein

Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.

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