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Google prejudica candidatos menores para evitar problemas com Alexandre de Moraes

Em sua maioria das vezes, os candidatos mais conhecidos, ou seja, que estão há algum tempo na política, e na internet, são privilegiados na busca orgânica.

Google prejudica candidatos menores para evitar problemas com Alexandre de Moraes

O Google anunciou que proibirá o impulsionamento de conteúdo dos candidatos políticos nas eleições municipais brasileiras de 2024, conforme noticiou o Poder360. A decisão da gigante é devido à Big Tech não conseguir cumprir com os requisitos solicitados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse modo, a empresa preferiu não arriscar multas ao não oferecer o serviço.

Os requisitos pedidos pelo TSE incluem que o Google ofereça um repositório completo dos candidatos que contrataram o Google Ads para propaganda política. Essas exigências das regras eleitorais deste ano constam no artigo 27-A da resolução 23.732, de 27 de fevereiro de 2024.

A medida entra em vigor no dia 1º de maio e impedirá que candidatos utilizem o Google Ads para promover seus conteúdos, tanto no buscador quanto em outras plataformas do grupo, como o YouTube. As informações serão detalhadas em uma coletiva que ocorrerá na próxima quarta-feira, dia 24 de abril, às 9h, segundo o Poder360.

As informações exigidas pelo TSE são sobre o conteúdo, custos, responsáveis pelo pagamento e o perfil da audiência atingida. Tudo em tempo real. Portanto, o Google recusou-se a enquadrar-se por não valer a pena para sua margem operacional, segundo a empresa.

A criação de uma ferramenta isolada para rastrear os anúncios de políticos, e checar as informações em tempo real pode ser custosa para a plataforma. Desse modo, a opção viável da Big Tech foi remover o serviço.

Decisão pode favorecer candidatos já bem estabelecidos

Portanto, as pesquisas e popularidade ficarão a despeito da pesquisa orgânica. Em sua maioria das vezes, os candidatos mais conhecidos, ou seja, que estão há algum tempo na política, e na internet, são privilegiados na busca orgânica. Desse modo, pela lógica de SEO do Google, as pessoas que já contam com um acervo grande na internet, são mais emplacadas.

Google candidatos
(Imagem: Google Trends)

Em nota, o Google diz que continuará colaborando com o TSE para eliminar a desinformação. Mas não conseguirá mais oferecer o serviço de Ads.

“As eleições são importantes para a Google e, ao longo dos últimos anos, temos trabalhado incansavelmente para lançar novos produtos e serviços para apoiar candidatos e eleitores. Para as eleições brasileiras deste ano, vamos atualizar nossa política de conteúdo político do Google Ads para não mais permitir a veiculação de anúncios políticos no país. Essa atualização acontecerá em maio tendo em vista a entrada em vigor das resoluções eleitorais para 2024. Temos o compromisso global de apoiar a integridade das eleições e continuaremos a dialogar com autoridades em relação a este assunto”, disse em nota ao Poder360.

Antes de 2017, o impulsionamento de conteúdo político-eleitoral não era legal no Brasil, mas a reforma eleitoral de 2017 (lei 13.488) mudou essa regulamentação, permitindo essa prática. Desde então, o Google havia criado um repositório para esse tipo de anúncio em novembro de 2021, registrando mais de 58.000 propagandas impulsionadas até agora.

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Leonardo Rubinstein

Sobre o autor

Leonardo Rubinstein

Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.

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