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Finanças

Ibovespa cai sem fiscal concreto e Wall Street amplifica o tombo

Reunião de Lula com economistas terminou sem medidas concretas. Mercado reagiu com dólar a R$ 5,49, Ibovespa em queda e Nasdaq desabando mais de 5%.

Ibovespa cai sem fiscal concreto e Wall Street amplifica o tombo
Foto: Leeloo The First / Unsplash

O pregão desta quinta-feira condensou em poucas horas um problema que o mercado brasileiro carrega há meses: a ausência de sinais fiscais concretos por parte do governo. O Ibovespa fechou em queda de 0,82%, aos 166.191 pontos, enquanto o dólar comercial avançou 0,67% e encerrou cotado a R$ 5,489. Para piorar, Wall Street devolveu com agressividade os ganhos da véspera, com o Nasdaq tombando mais de 5,5%.

O gatilho doméstico foi uma reunião do presidente Lula com ministros e economistas aliados. O resultado? Nenhuma medida anunciada. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se limitou a dizer que “não há fórmula mágica” e que propostas concretas virão apenas após a viagem internacional do presidente na próxima semana. Para o mercado, soou como mais uma rodada de retórica sem entrega.

Fiscal nas cordas: o que os números mostram

A frustração não é pontual. O novo economista-chefe do Santander Brasil, Marco Caruso, fez um alerta direto: sem ajuste fiscal, o crescimento do PIB brasileiro pode cair abaixo de 1,3% em 2027, colocando o país na lanterna entre seus pares da América Latina. A avaliação lembra que a curva de juros futuros já teve reação abrupta desde as eleições, refletindo a desconfiança crescente do mercado.

Nos bastidores, o governo estuda endurecer o arcabouço fiscal para tornar permanentes os bloqueios de gastos realizados durante a execução do Orçamento. A proposta faz parte de um pacote em análise pela equipe econômica para conter o avanço da dívida pública. Mas até o momento, tudo permanece no campo das intenções.

Os juros futuros terminaram mistos, com predominância de baixas, mas o câmbio contou outra história. O dólar abriu em queda e virou ao longo do dia, fechando no maior nível da semana. Instituições como a XP projetam o câmbio estável em R$ 5,50, com a trajetória dependendo exclusivamente do cenário fiscal.

Copom pausa cortes e muda o tom

Na noite anterior, o Banco Central já havia dado o recado. O Copom decidiu manter a Selic em 13,75%, interrompendo a trajetória de cortes. O comunicado destacou a aceleração da inflação e dos núcleos como justificativa central.

Mais relevante do que a decisão em si foi o que saiu do texto: o Comitê retirou o trecho sobre a “magnitude total do ciclo de calibração”. Para analistas, a mensagem é que os cortes podem ter chegado ao fim, ao menos no curto prazo. A leitura do mercado é que o BC reconhece um cenário de inflação mais persistente do que se imaginava.

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No campo dos indicadores, a produção industrial recuou 0,8% em setembro, consolidando perda de tração do setor manufatureiro e acendendo alertas sobre a atividade econômica no encerramento do terceiro trimestre.

Nasdaq despenca e VIX dispara 65%

Se o cenário doméstico já estava difícil, o exterior tratou de amplificar a pressão. Depois de uma alta generalizada na véspera, impulsionada pelo resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, os índices americanos devolveram tudo com folga.

O Nasdaq caiu mais de 5,5%, com perdas concentradas em ações de chips e data centers. O S&P 500 e o Dow Jones recuaram mais de 2% cada. O VIX, o chamado “índice do medo”, chegou a disparar 65% durante a sessão, um movimento que não se via com essa intensidade há meses.

A vitória da oposição nos EUA reacendeu o debate sobre o teto da dívida americana, adicionando uma camada de incerteza política ao cenário. O petróleo voltou a subir, mesmo com a redução do risco de escalada no Oriente Médio, refletindo as preocupações com a política fiscal americana. Na Europa, o Banco da Inglaterra elevou os juros pela primeira vez desde 2023, sinalizando que mais altas podem estar a caminho.

Balanços do 3T26: quem ganhou e quem perdeu

A temporada de resultados do terceiro trimestre seguiu movimentando papéis individuais. A C&A foi destaque absoluto, com alta de 9,25% após entregar números acima do que o mercado esperava. A SmartFit também surpreendeu positivamente e avançou 5,48%.

Na outra ponta, Porto Seguro recuou 2,63%, mesmo com lucro acima das projeções. A Embraer, que vinha em trajetória de recuperação nos últimos pregões, corrigiu com força e caiu 4,96%.

Entre as blue chips, o comportamento foi divergente. A Vale conseguiu fechar em alta de 0,51%, mas a Petrobras cedeu 2,48%, descolando da valorização internacional do petróleo. Nos bancos, Bradesco foi o mais pressionado, com queda de 2,06%, enquanto Itaú subiu 0,65% e Santander avançou 0,50%.

O que esperar na sexta-feira

A agenda de sexta-feira traz dados relevantes para calibrar expectativas. A Alemanha publica a produção industrial de setembro, a zona do euro divulga as vendas no varejo do mesmo período, e os Estados Unidos anunciam o payroll e a taxa de desemprego.

O dado de emprego americano é particularmente importante no contexto atual. Um número forte pode reforçar a tese de juros altos por mais tempo nos EUA, pressionando ainda mais mercados emergentes como o Brasil. A combinação de fiscal sem definição, Copom em pausa e exterior volátil cria um cenário em que cada dado novo tem o potencial de amplificar os movimentos do mercado.

Para investidores posicionados em renda variável brasileira, a mensagem do dia foi clara: o mercado não vai dar o benefício da dúvida ao governo enquanto não houver medidas fiscais concretas na mesa. Palavras, por melhores que sejam, já não bastam.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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