Finanças

WEG entra em nova fase de crescimento e atrai grandes bancos

Dois grandes bancos elevaram a recomendação de WEGE3 para compra, citando aceleração de receita, expansão de transformadores e valuation atrativo.

WEG entra em nova fase de crescimento e atrai grandes bancos
Foto: Mario Amé / Unsplash

A fabricante de motores elétricos WEG passou por uma virada de percepção no mercado. Após resultados do segundo trimestre considerados positivos, duas das maiores instituições financeiras do mundo elevaram suas recomendações para o papel WEGE3, sinalizando que a companhia está entrando em um novo ciclo de crescimento acelerado.

O movimento não é trivial. Quando dois bancos de grande porte revisam suas teses quase simultaneamente, o recado costuma ser claro: algo mudou na dinâmica operacional da empresa. E, no caso da WEG, o que mudou tem nome: capacidade produtiva de transformadores, eletrificação global e um valuation que ficou relativamente mais barato do que a média histórica.

O que está por trás da dupla elevação de WEGE3

O primeiro banco a agir elevou a recomendação para equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 56 para dezembro de 2027, o que representava potencial de alta de aproximadamente 22% na época do relatório. O segundo fez o mesmo dias depois, definindo alvo em R$ 60, um upside de cerca de 30%, e destacando que a WEG está deixando para trás um período de crescimento mais moderado.

As projeções apontam aceleração consistente da receita. Em bases neutras de câmbio, a expectativa é de crescimento de 11% no quarto trimestre de 2026, subindo para 17% em 2027 e se mantendo em 16% em 2028. Esses números representam uma retomada do ritmo histórico da companhia, que havia desacelerado nos últimos trimestres.

Para quem acompanha o mercado financeiro brasileiro, a WEG sempre foi um caso particular: uma industrial que negocia com múltiplos de empresa de tecnologia. A diferença é que, desta vez, os analistas argumentam que o prêmio historicamente cobrado pelo mercado encolheu significativamente.

Transformadores como principal vetor de receita

O gatilho mais concreto para a tese de crescimento é a expansão da capacidade produtiva de transformadores. As estimativas indicam que a WEG dobrará sua capacidade nesse segmento até 2027, em comparação com 2023. Parte relevante dessa expansão já começou a entrar em operação neste ano, com destaque para as unidades de Betim, em Minas Gerais, e Gravataí, no Rio Grande do Sul.

Os números impressionam. Quando plenamente utilizadas, essas novas instalações podem adicionar cerca de R$ 450 milhões em receita por trimestre. No acumulado, a expansão de capacidade deve gerar aproximadamente R$ 7,5 bilhões em receita anual incremental, o que a torna o principal motor de crescimento da companhia nos próximos anos.

A projeção é de crescimento de 23% na receita doméstica do segmento de geração, transmissão e distribuição de energia até o fim de 2027. Para uma empresa do porte da WEG, esse tipo de aceleração orgânica é raro e chama atenção institucional.

Eletrificação e armazenamento de energia ampliam o horizonte

Além dos transformadores, outro tema central na revisão das teses é o potencial ligado à eletrificação e ao armazenamento de energia. O primeiro leilão brasileiro de sistemas de armazenamento por baterias, conhecido como BESS, está previsto para dezembro. As estimativas sugerem que a WEG pode capturar cerca de R$ 2 bilhões em receitas apenas com essa primeira rodada de projetos.

O cenário macro também favorece. O avanço global dos data centers, que demandam enormes quantidades de energia e infraestrutura elétrica, a modernização das redes de distribuição e os investimentos crescentes em geração renovável criam múltiplas frentes de demanda para o portfólio da companhia. Transformadores, sistemas BESS e motores síncronos estão entre as principais linhas de produto beneficiadas por essa tendência estrutural.

É um movimento que transcende o ciclo econômico brasileiro. A WEG tem cerca de 60% de suas receitas originadas em mercados internacionais, o que a posiciona como uma das poucas industriais brasileiras genuinamente globais.

Valuation mais atrativo que a média histórica

Um dos argumentos centrais dos analistas é que o valuation atual da WEG se tornou mais convidativo. A ação negocia a cerca de 27 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, nível ligeiramente abaixo tanto de sua média histórica quanto de seus pares internacionais.

Na métrica de EV/Ebitda projetado para 2027, o múltiplo está em 17,1 vezes, com desconto em relação a empresas globais de crescimento semelhante. O prêmio da WEG frente aos concorrentes caiu para algo entre 4% e 10%, distante dos 60% a 70% observados historicamente. Isso significa que o mercado está precificando a companhia como se seu crescimento fosse semelhante ao de rivais menos diferenciados.

Para quem analisa ações da bolsa brasileira, essa compressão de prêmio costuma representar uma janela de oportunidade quando coincide com aceleração operacional. E é exatamente isso que os dois bancos estão sinalizando.

Proteção em ano eleitoral e riscos no radar

Outro ponto relevante da tese é o caráter defensivo do papel. Com as eleições de 2026 adicionando volatilidade ao mercado doméstico, a forte diversificação geográfica da WEG reduz a dependência do ambiente político e macroeconômico brasileiro. Para investidores institucionais que buscam proteção contra incertezas locais e juros elevados por mais tempo, a empresa se apresenta como uma alternativa natural.

Isso não significa ausência de riscos. Ambas as instituições destacam que as tarifas impostas pelos Estados Unidos permanecem como fator de atenção para as margens no curto prazo. Ainda assim, a avaliação é de que ganhos de escala, reajustes de preços e maior utilização da capacidade instalada devem compensar esses impactos ao longo dos próximos trimestres.

O cenário para a WEG, portanto, combina fundamentos operacionais em aceleração, valuation historicamente comprimido e posicionamento estratégico em megatendências como eletrificação e armazenamento de energia. A questão que o mercado precisa responder agora é se o crescimento projetado de fato se materializará na velocidade esperada.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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