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SpaceX prepara IPO com US$ 1,3 bi em Bitcoin no balanço

Com valuation estimado em US$ 350 bilhões, a SpaceX levaria ao mercado público uma das maiores reservas corporativas de Bitcoin do mundo.

SpaceX prepara IPO com US$ 1,3 bi em Bitcoin no balanço
Foto: john mckenna / Unsplash

A SpaceX caminha para o que pode ser o maior IPO da década. Com valuation privado estimado em US$ 350 bilhões, a empresa de Elon Musk carrega no balanço uma peculiaridade que Wall Street terá de precificar: uma reserva de aproximadamente US$ 1,3 bilhão em Bitcoin.

A informação, revelada em documentos preparatórios analisados pela CoinDesk, coloca a SpaceX entre as cinco maiores detentoras corporativas de Bitcoin no mundo, atrás da Strategy (antiga MicroStrategy), Tesla, Marathon Digital e Metaplanet. A diferença é que nenhuma dessas empresas fez um IPO com essa exposição no balanço.

O que a reserva em Bitcoin da SpaceX significa para o IPO

A presença de Bitcoin num balanço de empresa pré-IPO levanta questões práticas para analistas de equity. Desde 2024, as normas contábeis do FASB permitem que empresas registrem criptoativos pelo valor justo de mercado, marcando ganhos e perdas a cada trimestre. Isso significa que a volatilidade do Bitcoin vai aparecer diretamente no resultado operacional da SpaceX como empresa pública.

Para efeito de comparação, quando a Tesla divulgou sua compra de US$ 1,5 bilhão em Bitcoin em fevereiro de 2021, suas ações subiram 2% no dia, mas a exposição gerou trimestres de ruído contábil. A SpaceX entra no mercado público já com essa variável embutida, o que pode atrair um perfil diferente de investidor institucional.

Segundo dados da Bitcoin Treasuries, as empresas listadas em bolsa detêm coletivamente mais de 800 mil BTC, o equivalente a cerca de US$ 83 bilhões nos preços atuais. A SpaceX entraria nesse grupo já como um peso-pesado. Como abordamos em análises sobre o mercado financeiro e cripto, a tendência de tesouraria em Bitcoin não dá sinais de desaceleração.

O playbook de tesouraria cripto mudou em 2026

A Strategy, referência do setor, acumula mais de 580 mil BTC após anos de compras agressivas financiadas por dívida conversível e emissão de ações. Mas o playbook de 2026 é diferente do original de Michael Saylor. As empresas que entraram mais recentemente no jogo, como a japonesa Metaplanet e a Semler Scientific, adotam estratégias mais conservadoras, com alocações entre 5% e 15% da tesouraria.

A SpaceX parece seguir essa linha mais moderada. Os US$ 1,3 bilhão em Bitcoin representam menos de 1% do valuation total da empresa. É uma exposição significativa em termos absolutos, mas marginal em termos proporcionais. Para o investidor que comprar ações no IPO, o Bitcoin será um tempero, não o prato principal.

Essa distinção importa. Empresas como a Strategy se tornaram, na prática, proxies alavancados de Bitcoin. A SpaceX continua sendo, antes de tudo, uma empresa de infraestrutura espacial com receita recorrente de lançamentos e da Starlink. O Bitcoin no balanço adiciona uma camada de narrativa, mas não define o negócio.

Como Wall Street deve receber a exposição cripto

O mercado de ETFs de Bitcoin spot nos EUA acumula mais de US$ 130 bilhões em ativos sob gestão. A exposição institucional a criptoativos deixou de ser controversa. Mas há uma diferença entre comprar um ETF de Bitcoin e comprar ações de uma empresa que tem Bitcoin no balanço.

No caso do ETF, o investidor busca exposição direta ao ativo. No caso de uma ação como a SpaceX, a exposição ao Bitcoin é indireta e incontrolável. O investidor não escolhe se a empresa mantém, vende ou compra mais. Ele herda a política de tesouraria da gestão.

Os ETFs de Bitcoin spot registraram entrada líquida de US$ 85,8 milhões na última sexta-feira, interrompendo uma sequência de cinco dias de saídas. O dado sugere que o apetite institucional por cripto oscila, mas permanece. Como detalhamos na cobertura de criptomoedas, os fluxos de ETFs se tornaram um termômetro essencial do sentimento de mercado.

O contexto macro do IPO

O timing do IPO da SpaceX não é acidental. O mercado americano vive um período de reabertura de janelas para ofertas públicas após quase dois anos de seca. O S&P 500 opera próximo de suas máximas históricas. E a Starlink, braço de internet via satélite da SpaceX, atingiu receita anualizada estimada em US$ 12 bilhões, oferecendo a previsibilidade de caixa que investidores institucionais exigem.

Se confirmado, o IPO também testará outra tese: se o mercado consegue separar o valor operacional da SpaceX da volatilidade associada ao seu fundador. Elon Musk continua sendo uma das figuras mais polarizadoras do mundo corporativo, e seu histórico de declarações sobre cripto já moveu mercados em ambas as direções.

Para investidores brasileiros, o IPO da SpaceX representaria mais uma porta de acesso à intersecção entre tecnologia e cripto via BDRs ou fundos internacionais. Como mostramos em análises de investimentos globais, a diversificação geográfica segue como uma das poucas unanimidades entre gestores.

O prospecto definitivo deve ser protocolado junto à SEC nas próximas semanas. Quando vier, analistas terão pela primeira vez acesso público completo ao balanço de Bitcoin da SpaceX, incluindo preço médio de aquisição e política de gestão dos ativos. Esse nível de transparência será inédito para uma empresa desse porte.

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Sobre o autor
Marina Alves
Jornalista especializada em financas e mercado de capitais. Cobre investimentos, economia brasileira e global, fintechs, fundos e tendencias do mercado financeiro para o portal BlockTrends.
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