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Finanças

Custo pelo Coronavírus pode chegar a R$1,6 trilhão no Brasil

Ações do Banco Central para injetar liquidez devem colocar R$1,22 trilhão no mercado.

Custo pelo Coronavírus pode chegar a R$1,6 trilhão no Brasil
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Desde pelo menos 1962, quando começa a série histórica do PIB brasileiro, o país jamais enfrentou uma crise tão grande. Ao menos é o que indica um dos cenários previstos pelo Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV.

  • Resumo da notícia:
    – Ações do Banco Central para injetar liquidez devem colocar R$1,22 trilhão no mercado
    – Déficit primário deve ficar entre R$450 e R$600 bilhões
    – Dívida pública pode chegar a 88% do PIB
    – Queda do PIB é estimada em até 4,4%

A queda, de até 4,4%, contrasta com o otimismo de organismos internacionais como o FMI, que em 20 de janeiro deste ano chegou a elevar a previsão de crescimento da economia brasileira. Com a crise que se alastrou no mundo no início de março, na medida em que países europeus começaram a perder o controle sobre a pandemia, inúmeros foram os setores afetados.

Em resultado divulgado no começo desta semana, a GOL anunciou uma queda de 29,2% no total de passageiros. Outras medidas, como redução de 50% nos salários da tripulação e 40% nos ganhos da diretoria da companhia, são apenas parte daquilo que tem se tornado comum entre todas as empresas.

Com perspectiva de enfrentar fechamento do comércio por pelo menos 1 mês e meio, negócios mais sólidos lutam para captar recursos, mesmo que pagando taxas maiores do que as vistas meros 2 meses antes. Em um levantamento feito pelo Valor, o custo de captação para grandes empresas subiu de CDI + 1,4% para CDI + 4% durante a crise.

Para aplacar a escassez de crédito durante a crise, o Banco Central aprovou a injeção de R$1,22 trilhão na economia, divididos em 6 medidas, dentre as quais: compulsório e liquidez de curto prazo (R$197 bilhões), empréstimos com garantia em letras financeiras do Tesouro (R$670 bilhões) e novas garantias para depósitos a prazo (R$200 bilhões).

Em outro ponto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou o Fundo Garantidor de Crédito a dobrar as garantias de crédito para até R$40 milhões, nas chamadas DPGEs, que incluem garantias especiais.

Ainda que não exista risco iminente ao sistema financeiro, o governo tem utilizado os bancos, públicos e privados, como maneira mais ágil de chegar até a ponta. Ao contrário da Renda Básica e outras questões que impactam o orçamento do governo, as medidas adotadas pelo Banco Central não necessitam de aprovação do congresso, por se tratarem de casos já previstos.

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Outras medidas do Banco Central podem ser incluídas, desta vez mediante aprovação do congresso, na chamada “PEC do Orçamento de Guerra”. A compra de títulos privados pelo banco não é prevista nas normais atuais, mas pode vir a ser aprovada pelo congresso em caráter emergencial, criando uma espécie de “Quantitative Easing” brasileiro. Assim é conhecido o mecanismo pelo qual o Banco Central americano, o FED, injeta liquidez direto no mercado.

Do ponto de vista fiscal, o governo já alerta que o déficit primário (aquele que não inclui gastos com juros), pode chegar a R$500 bilhões. Analistas do mercado já preveem que o valor pode ser ainda maior, dado que se espera uma queda acentuada na arrecadação por conta da paralisia na atividade econômica.

Este resultado tende a ser o pior já enfrentado pelas contas públicas brasileiras em toda sua história. Somado a queda no PIB, que pode variar entre -2 e 4%, o valor significaria um aumento de 9 a 12% na dívida pública, hoje em 76% do PIB.

Na prática, em um único ano o país pode ampliar sua dívida em todo valor previsto no pior cenário fiscal de 2017, antes da aprovação da reforma da previdência e da PEC do Teto.

Como ressalta em coluna para a Folha o economista Marcos Mendes, responsável direto pela PEC do Teto, a conta da crise demandará inúmeras medidas de contenção, obrigando o país a entrar em uma austeridade forçada pelos próximos anos.


Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

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Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Felippe Hermes
Co-fundador e editor-chefe do BlockTrends, colunista da InfoMoney e co-fundador do Spotniks. Jornalista de criptomoedas, tecnologia e economia.
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