Resumo
- 👉 O Bitcoin renovou sua máxima histórica enquanto parte do mercado ainda apostava em um topo antecipado;
- 👉 A alta foi sustentada por fluxo real de capital e aumento consistente na demanda on-chain;
- 👉 A capitalização realizada em 30 dias mostra entrada líquida de recursos e elevação do custo base da rede;
- 👉 O volume on-chain ajustado voltou a crescer, indicando maior circulação de capital e sustentação da tendência;
- 👉 As reservas de holders de curto prazo aumentaram, refletindo entrada de novos investidores e traders;
- 👉 A realização de lucros segue moderada e distante dos níveis de euforia vistos em topos anteriores;
- 👉 A taxa média de funding dos futuros subiu, mas permanece relativamente baixa, ainda sem sinal de alavancagem excessiva;
- 👉 O ciclo global de liquidez continua em fase de expansão, com mais de US$ 185 trilhões em liquidez total;
- 👉 A liquidez privada via colateral e fluxos transfronteiriços segue ativa, impulsionando a capacidade de financiamento global;
- 👉 O cenário macro e on-chain reforça que a alta é estrutural, não especulativa, e ainda há espaço para continuidade;
- 👉 Apesar da tendência positiva, correções táticas são esperadas e devem ser aproveitadas de forma estratégica;
- 👉 Nas próximas semanas, será essencial monitorar os níveis de euforia e rentabilidade para ajustar alocações de curto prazo.
Introdução
Nesta edição, analisamos a recente renovação da máxima histórica do Bitcoin sob duas lentes complementares: o comportamento das métricas on-chain e o estágio atual do ciclo de liquidez global. A partir de uma abordagem quantitativa, exploramos os fluxos que sustentam o movimento recente, avaliamos o equilíbrio entre demanda e realização de lucros e conectamos o contexto macroeconômico à dinâmica de valorização do ativo.
O objetivo é compreender, com base em dados, como o cenário estrutural se formou e o que ele revela sobre a próxima fase do mercado.
Vamos lá!
Renovação de máxima histórica e o entendimento de “topos”
Apesar de muita gente ter afirmado nas últimas semanas que o Bitcoin já havia feito topo e que estávamos prestes a entrar em um colapso de mercado, o ativo fez exatamente o oposto. Enquanto o consenso girava em torno do medo, o Bitcoin renovou sua máxima histórica. Esse movimento não foi uma surpresa para os membros do BTPRO.
Como nossa abordagem é totalmente data-driven, não dependemos de narrativas ou achismos para inferir cenários de mercado — e essa leitura quantitativa, mais uma vez, se mostrou correta. A tentativa de prever topos e correções com base em percepções subjetivas costuma falhar, enquanto a análise ancorada em métricas on-chain, fluxo de capitais e dados objetivos permite antecipar mudanças estruturais de tendência, como a que respaldou essa nova máxima histórica registrada nesta semana.
O rompimento da máxima foi sustentado por uma renovação clara na demanda on-chain, e isso é o que diferencia o atual movimento de alta de períodos anteriores de euforia. As métricas de capitalização realizada em 30 dias mostram uma entrada líquida consistente de capital na rede, sinalizando que não se trata apenas de especulação de curto prazo.
O Realized Cap cresce quando novas moedas são compradas a preços mais altos e redefinem o custo base do mercado — exatamente o que está acontecendo agora. Esse tipo de expansão indica que há dinheiro novo fluindo para dentro do ativo, consolidando um novo patamar de precificação e sustentando o avanço do preço de forma estrutural.
O volume transacionado on-chain também confirma essa leitura. Depois de meses em níveis mais baixos, o volume ajustado em 30 dias começou a se expandir de forma visível, mostrando que há mais circulação de capital real na rede.
Isso significa que os investidores estão efetivamente movimentando e trocando bitcoins, não apenas segurando-os ou operando via derivativos. É um dado importante porque nas grandes fases de alta, o volume on-chain costuma subir antes dos picos de preço — mas ainda está longe de níveis que indicariam euforia. Ou seja, há crescimento na atividade, mas de forma saudável, sem exageros.
Essa renovação de demanda também se reflete nas reservas de holders de curto prazo, que voltaram a crescer com força. São os traders e novos investidores que entram em busca de oportunidades e geralmente impulsionam a liquidez durante a descoberta de preço.
O aumento dessa métrica mostra que há uma nova base de compradores, algo que normalmente ocorre nas fases intermediárias de um ciclo, quando o mercado começa a reconhecer o novo patamar, mas ainda não atingiu o estágio de saturação. Esse comportamento é um sinal de que o fluxo comprador está sendo sustentado por novos participantes e não apenas por realocações internas.
Mesmo com a valorização expressiva e os sinais claros de entrada de capital, os dados de realização de lucros ainda não mostram um cenário de euforia. O volume de moedas sendo vendidas com lucro aumentou, como é natural em novas máximas, mas continua em patamares muito abaixo dos vistos em topos anteriores.
Isso sugere que o mercado está realizando de forma ordenada, distribuindo ganhos sem gerar pressão vendedora descontrolada. A ausência de picos abruptos de realização é um dos fatores que tem permitido que o preço mantenha sua trajetória ascendente.
Nos derivativos, a taxa média de financiamento dos contratos futuros reforça essa leitura de equilíbrio. Mesmo após o rompimento da máxima, o funding permanece positivo, mas em níveis baixos, sem indicar excesso de alavancagem comprada.
Em ciclos anteriores, momentos de funding elevado sinalizaram que o otimismo havia se tornado insustentável, antecedendo correções bruscas. Agora, a taxa se mantém em uma faixa confortável, o que sugere que a alta tem sido sustentada mais por compras à vista do que por apostas alavancadas.
Em conjunto, essas métricas desenham um cenário de fortalecimento estrutural da tendência, em que a valorização recente do Bitcoin é respaldada por fluxos orgânicos de capital, aumento real na atividade da rede e uma base crescente de novos investidores. Ainda não há sinais de exuberância irracional ou de exaustão da demanda, o que indica que o mercado segue saudável e com espaço para consolidação acima da antiga máxima.
Liquidez global segue em expansão
Do lado macro, o pano de fundo que acompanha a nova máxima do bitcoin é um ciclo de liquidez global ainda em fase de aceleração, e não de contração. Quando observamos as principais séries de liquidez compiladas pela CrossBorder Capital, o crescimento anual segue positivo e com inclinação ascendente, exatamente o oposto da dinâmica típica que precede bear markets prolongados.
Historicamente, as grandes quedas sustentadas dos mercados ocorreram quando o crescimento da liquidez desacelera por vários meses seguidos e entra em terreno negativo. Não é o que vemos agora.
Para entender por que isso importa, é essencial destrinchar o que chamamos de liquidez global. Trata-se de uma medida de capacidade de balanço do sistema financeiro — a habilidade de transformar ativos em caixa e de rolar dívidas — e não do custo do capital. Em outras palavras, é funding liquidity, o combustível que permite que bancos, dealers e investidores comprem, vendam e financiem posições.
Desde os anos 1990, esse agregado passou a dirigir o ciclo de negócios mundial com força própria e, hoje, sua ordem de grandeza é maior que o próprio PIB global. As estimativas de composição deixam isso claro: algo como US$ 185 trilhões de liquidez total contra ~US$ 115 trilhões de PIB. E o mais importante: dinheiro de banco central é apenas a “ponta visível do iceberg”, perto de US$ 25 trilhões.
O grosso vem da liquidez privada alavancada pela reutilização de colateral (na casa de US$ 150 trilhões) e pelos fluxos transfronteiriços do sistema eurodólar e de FX swaps. Essa arquitetura cria uma “base monetária fantasma” que dá tração ao crédito e à precificação de ativos mesmo quando os balanços dos bancos centrais parecem estáveis.
O mecanismo tem uma lógica simples. Quando o preço e a qualidade do colateral sobem e os haircuts caem, os intermediários conseguem expandir o funding, alongar prazos e tomar mais risco. Quando o colateral se deteriora ou há falta de dólares no offshore, o processo se inverte e a liquidez seca rapidamente.
Por isso, choques em Treasuries, spread de cross-currency basis, estresse no repo e mudanças no ritmo de compras/vendas dos bancos centrais têm impacto direto no ciclo. O ponto didático é que o volume de liquidez privada multiplicado por colateral é o grande motor; política monetária atua como maré que acelera ou desacelera essa engrenagem.
Ao observarmos o ciclo de 65 meses que tende a marcar a oscilação da liquidez nas economias avançadas, a leitura atual é de uma perna ascendente iniciada após o vale de 2023. Os picos e vales desse ciclo costumam anteceder movimentos amplos de preços de ativos com alguns trimestres de defasagem.
A curva mais recente aponta um movimento de alta ainda não esgotado; não há a “virada” descendente persistente que caracterizou, por exemplo, 2008, 2011, 2018 ou 2022. Em paralelo, a relação entre crescimento da liquidez global e riqueza mundial permanece firme: quando a primeira acelera, a segunda responde. É nesse ambiente que classes de ativos sensíveis a liquidez — tecnologia, small caps e cripto — tendem a liderar.
Para o bitcoin, o encaixe é direto. Sendo um ativo de alta sensibilidade a ciclos de liquidez, ele costuma responder cedo a mudanças na disponibilidade de funding e na velocidade de circulação do capital global. O que vimos nas últimas semanas — aumento da capitalização realizada, aceleração do volume on-chain ajustado e crescimento das reservas de holders de curto prazo — é a manifestação micro de um impulso macro de liquidez ainda favorável.
Não é um rali “no vazio”; é um avanço ancorado em maior capacidade do sistema de financiar risco e absorver oferta, num momento em que derivados não mostram alavancagem descontrolada.
Isso não significa ausência de volatilidade. Mesmo dentro de fases de expansão de liquidez acontecem correções táticas quando o dólar fortalece, quando o Tesouro americano altera o mix de emissões drenando reservas bancárias, ou quando certos bolsões do mercado sofrem choques de colateral.
O que distingue um ajuste passageiro de um regime de baixa é a tendência do crescimento da liquidez: enquanto ela se mantém positiva ou estável, as quedas tendem a ser oportunidades de realocação; quando a taxa de variação engrena meses de queda e cruza para negativo, a distribuição passa a dominar.
Em síntese, o estágio atual do ciclo global sugere que a fase de contração que usualmente sinaliza bear markets ainda não chegou. O volume absoluto de liquidez permanece elevado, a componente privada via colateral permanece ativa e o crescimento anual ainda mostra fôlego.
Esse pano de fundo casa com a leitura on-chain de renovação de demanda que vimos no bitcoin e ajuda a explicar por que a nova máxima histórica se formou sem os sinais clássicos de exaustão. Enquanto a maré de liquidez seguir subindo ou, no mínimo, não cair de forma persistente, a probabilidade maior é de continuidade de um mercado construtivo, com oscilações, mas sem a deterioração típica de fases de baixa prolongada.
Perspectivas de Mercado de Curto Prazo
O movimento de recuperação do preço do Bitcoin segue em curso, agora com uma nova máxima local na região dos 124 mil dólares. A alta mais recente foi acompanhada por uma mudança relevante nos sinais de curto prazo: o Realized Price de holders com menos de 1 mês voltou a atuar como suporte, e quatro dos cinco indicadores principais apresentam leitura construtiva, ainda que alguns com sinal de alerta crescente.
O gráfico de Realized Price <1M voltou a acionar sinal de alta, com a linha laranja posicionada novamente abaixo do preço (RP<1M = 116.178K, BTC = 124.450K), o que indica que a média de entrada de novos compradores está se afastando do preço corrente, caracterizando um cenário de lucratividade saudável e ausência de pressão de venda imediata entre os entrantes recentes.
O SOPR de curto prazo (7dma) subiu para 1.013, confirmando que a realização de lucros está ocorrendo com ganhos marginais, mas sem excessos. O indicador ainda se encontra abaixo da zona de euforia e, por isso, não configura risco elevado neste momento. A leitura atual aponta para rentabilidade crescente, porém moderada, compatível com ciclos de continuação de tendência de alta.
No MVRV dos holders de curto prazo, houve uma aceleração significativa, com o valor atual em 1.110. Embora o indicador ainda esteja fora da zona de risco extremo (marcada acima de 1.35), o seu movimento rápido merece atenção. O múltiplo indica que os investidores de curto prazo estão, em média, com mais de 11% de lucro não realizado, o que pode, em breve, gerar pressões de realização, caso o preço estacione ou recue.
A métrica de NUPL para traders (média móvel de 7 dias) também avançou para +0.066, uma leitura positiva que sinaliza retorno à região de lucros latentes, mas ainda distante da faixa de euforia (>0.20). Isso indica que o movimento recente está sendo absorvido sem excessos de otimismo por parte dos especuladores, sustentando o cenário de risco reduzido no curto prazo.
O índice de volatilidade mostra continuidade na zona de compressão, com a volatilidade de 30 dias próxima das mínimas históricas e mantendo o alerta de vol squeeze ativo. Essa estrutura continua a sugerir um ambiente propício para movimentos bruscos de preço, favorecendo quebras de resistência caso a direção continue sendo de alta.
Resumo das métricas principais:
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Realized Price <1M (RP<1M) = 116.178K, abaixo do preço atual de 124.450K (sinal de alta);
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SOPR de curto prazo = 1.013, indicando realização de lucros ainda contida e sem sinais de euforia;
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MVRV de curto prazo = 1.110, com lucros acumulados, mas ainda fora da zona de risco extremo;
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NUPL de traders = +0.066, indicando lucro latente moderado e sem sinais excessivos;
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Volatilidade de 30 dias continua em compressão, com alerta de squeeze ativo mantido.
O conjunto das métricas ainda favorece a continuidade do movimento de alta, com risco de curto prazo em níveis moderados. A alta recente ainda não gerou sinais clássicos de topo ou euforia entre os principais indicadores. No entanto, a velocidade do avanço no MVRV e o acúmulo de lucros não realizados entre holders de curto prazo pedem atenção para possíveis momentos de realização tática.
Perspectivas de Mercado de Longo Prazo
Conclusões
O atual movimento do Bitcoin combina fundamentos on-chain sólidos com um pano de fundo macroeconômico favorável, formando um cenário de alta construtiva e ainda distante de sinais clássicos de exaustão. A valorização recente, que surpreendeu parte do mercado, reflete exatamente o oposto das narrativas pessimistas: os dados mostram uma tendência sustentada por fluxo real de capital, crescimento da atividade on-chain e um ciclo global de liquidez ainda em expansão.
As métricas on-chain confirmam que o avanço do preço é estrutural, não especulativo. A capitalização realizada acelera, indicando aumento do custo base da rede e entrada líquida de novos investidores. O volume ajustado em 30 dias mostra retomada da circulação de capital real, enquanto o aumento nas reservas de holders de curto prazo aponta renovação de participantes — característica típica de fases intermediárias de ciclo.
Ao mesmo tempo, a realização de lucros segue moderada e o funding dos futuros permanece baixo, reforçando que o mercado avança com equilíbrio e sem sinais de alavancagem excessiva.
No lado macro, o ciclo global de liquidez segue em fase ascendente. Com mais de US$ 185 trilhões em liquidez total e forte presença de capital privado via colateral e fluxos transfronteiriços, o sistema financeiro global ainda oferece capacidade ampla de financiamento e absorção de risco. A expansão dessa liquidez costuma antecipar períodos de valorização em ativos sensíveis, como tecnologia e cripto, e até o momento não há sinais de desaceleração estrutural.
Em conjunto, esses elementos explicam por que o Bitcoin rompeu a máxima histórica sem apresentar sintomas de euforia ou fragilidade. No entanto, mesmo dentro de uma tendência sólida, correções de curto prazo continuarão ocorrendo. À medida que o ciclo amadurece e a lucratividade dos holders aumenta, será essencial monitorar de perto os níveis de euforia nas métricas de sentimento e rentabilidade, a fim de ajustar alocações táticas e preservar ganhos acumulados.
Em síntese, o Bitcoin segue respaldado por fundamentos quantitativos e um ambiente global de liquidez expansiva. A tendência primária permanece positiva, mas o foco nas próximas semanas deve ser o rastreamento dos sinais de sobreaquecimento para definir pontos de rebalanceamento e aproveitar com eficiência as fases de realização dentro de um mercado estruturalmente ainda construtivo.
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