Resumo
- 👉 Baleias retomaram acumulação com forte presença de ordens institucionais na Coinbase e Bitfinex, sugerindo absorção estratégica após quedas;
- 👉 Fluxo on-chain registrou saída líquida de 23 mil BTCs de exchanges para carteiras de grande porte, maior nível desde dezembro;
- 👉 Apesar de saldo negativo de 14 mil BTCs em 30 dias, o movimento recente praticamente neutralizou a distribuição de setembro;
- 👉 Setembro, historicamente fraco para o bitcoin, terminou como o segundo melhor da série, sustentado pela atuação institucional;
- 👉 A sazonalidade do quarto trimestre tende a favorecer ativos de risco, com queda do VIX e recuperação do S&P 500 servindo de contexto;
- 👉 A redução na incerteza econômica nos EUA e os cortes de juros do Fed reforçam ambiente favorável para valorização de ativos;
- 👉 Mais de 160 cortes de juros por bancos centrais em 12 meses ampliaram a liquidez global, beneficiando ativos alternativos como o bitcoin;
- 👉 O indicador de liquidez excedente dos EUA aponta para melhora no Q4, historicamente associada a valuations mais elevados e apetite por risco;
- 👉 Métricas on-chain de curto prazo mostram risco reduzido, com bull signal reativado no Realized Price <1M e ausência de euforia nos indicadores;
- 👉A compressão de volatilidade sugere preparação para movimentos mais fortes, em um cenário estruturalmente positivo para continuação da tendência.
Introdução
O mercado de bitcoin atravessa um momento em que diferentes camadas de análise começam a se alinhar. Dos fluxos institucionais em exchanges à leitura das reservas de grandes carteiras, passando pela sazonalidade dos mercados globais e pelos indicadores de liquidez, há sinais relevantes para entender o estágio atual do ciclo.
Ao mesmo tempo, a estrutura de curto prazo segue sendo monitorada por métricas on-chain que ajudam a mensurar o comportamento dos investidores mais sensíveis ao preço. Neste relatório, reunimos essas perspectivas para oferecer uma visão integrada do que está moldando o ambiente do bitcoin neste início de último trimestre do ano.
Vamos lá!
Baleias retornam acumulação
Os sinais de acumulação institucional começaram a se intensificar logo na virada da semana, com a Coinbase registrando fortes volumes de compra em blocos isolados no livro de ordens. Esse tipo de movimentação, quando concentrada em exchanges específicas e de alta liquidez, tende a indicar a atuação de investidores institucionais, que optam por executar ordens de grande porte de maneira discreta.
Poucas horas depois, o mesmo padrão se repetiu na Bitfinex, uma das plataformas mais tradicionais para execução de ordens estratégicas de grandes players, reforçando a leitura de que parte do fluxo recente tem origem em capitais de maior escala.
O comportamento observado remete a episódios comuns nos últimos anos em que, após correções expressivas de preço, ordens fracionadas em formato TWAP são inseridas nos books da Bitfinex como forma de absorver liquidez gradualmente. Esse padrão tem se consolidado como uma das estratégias preferenciais de baleias e instituições para acumulação em quedas, reduzindo impacto de mercado e aproveitando a liquidez de curtíssimo prazo criada por capitulações locais.
A presença consistente desse tipo de fluxo em momentos de realização costuma marcar não apenas zonas de suporte, mas também pontos de reversão.
Do ponto de vista on-chain, os dados reforçam a tese de que o esgotamento da pressão vendedora de curto prazo começou a se consolidar. Na última semana, o volume de saída líquida de bitcoins de exchanges para carteiras de grande porte atingiu o maior patamar desde dezembro, com mais de 23 mil BTCs absorvidos por baleias.
Esse movimento, conhecido no jargão do mercado como “BTFD” (buy the dip), sugere que o recuo recente de preços foi visto como oportunidade para reposicionamento estratégico. Embora no acumulado de 30 dias o saldo dessas carteiras ainda seja negativo em cerca de 14 mil BTCs, a velocidade de absorção observada nos últimos dias praticamente neutralizou o processo de distribuição que vinha predominando desde o início de setembro.
A dinâmica é particularmente relevante quando contextualizada com a performance histórica do período. Setembro é, estatisticamente, um dos meses mais frágeis para o bitcoin em termos de retorno médio, e ainda assim o mês terminou como o segundo melhor setembro da história da moeda.
A explicação passa justamente pela atuação desses fluxos institucionais, capazes de reverter uma tendência negativa e sustentar a recuperação de preços mesmo em meio a uma sazonalidade desfavorável. O contraste entre a pressão vendedora inicial e a força compradora que emergiu nas últimas sessões evidencia a crescente importância das baleias e de capitais institucionais como estabilizadores de curto prazo dentro do ciclo de mercado.
Essa mudança de comportamento, em que o saldo negativo acumulado pelas baleias no início do mês foi revertido para forte absorção nas semanas finais, sugere que a dinâmica de redistribuição pode estar próxima de um ponto de inflexão. Ao recuperar a intensidade compradora, esses investidores não apenas absorvem a liquidez gerada pela realização de lucros, mas também reancoram expectativas de preço em um patamar mais elevado, reduzindo o espaço para quedas adicionais e criando condições para movimentos mais sustentáveis à frente.
Estrutura de liquidez favorável para o Q4
À medida que entramos no último trimestre do ano, a dinâmica histórica dos mercados financeiros volta a ganhar relevância. Sazonalmente, o período entre outubro e dezembro costuma ser positivo tanto para o S&P 500 quanto para o bitcoin.
O gráfico do desempenho médio anual do SPX em comparação com o VIX deixa claro esse padrão: após um período de maior instabilidade entre agosto e setembro, marcado por elevação da volatilidade implícita, o quarto trimestre tende a registrar recuperação consistente nos preços de ativos de risco.
O VIX, que geralmente sobe no final do verão do hemisfério norte, recua de forma expressiva na reta final do ano, criando o pano de fundo ideal para a valorização das ações. Historicamente, o bitcoin acompanha esse movimento de apetite por risco, beneficiando-se da mesma melhora de sentimento e de fluxos direcionados ao mercado.
Esse otimismo sazonal é reforçado pela queda recente nos níveis de incerteza econômica. O índice de incerteza em política econômica nos EUA voltou a patamares mais baixos, ao mesmo tempo em que os spreads de crédito corporativo recuaram, sinalizando menor percepção de risco sistêmico.
O último corte de juros pelo Federal Reserve contribuiu para esse ambiente, reduzindo ainda mais a pressão sobre o custo de capital e criando um cenário em que ativos de risco são naturalmente beneficiados. A precificação nos mercados já começa a refletir esse novo quadro, em que a redução da incerteza gera condições mais favoráveis para valorização de ativos como ações e bitcoin.
Importante destacar que esse não é um movimento isolado dos Estados Unidos. O ambiente atual é de afrouxamento monetário global, com mais de 160 cortes de juros por parte de bancos centrais ao longo dos últimos 12 meses, o maior ciclo desde 2020. Esse alinhamento global em direção a políticas monetárias mais acomodatícias reforça a expansão de liquidez, aliviando pressões financeiras e ampliando a base de capital disponível para ativos de maior risco.
O mercado de dívida global, hoje próximo a US$ 150 trilhões, passa por uma recomposição de fluxos, em que investidores deslocam parte dos recursos de renda fixa para ações, commodities e, cada vez mais, para o bitcoin, que se consolida como alternativa não apenas tecnológica, mas também macroeconômica.
No caso dos Estados Unidos, o indicador de liquidez excedente mostra um ponto relevante. A leitura atual sugere que, após um período de aperto, a liquidez no sistema tende a melhorar no quarto trimestre. Esse fator é particularmente relevante porque existe uma defasagem de alguns meses entre o aumento da liquidez e o impacto direto sobre os valuations de ativos.
Historicamente, quando a liquidez nos EUA avança, o reflexo é sentido em múltiplos mais elevados para as ações e em maior apetite por ativos alternativos como o bitcoin. Em outras palavras, a combinação de queda de juros, redução da incerteza e expansão de liquidez cria um ambiente propício para que o último trimestre de 2025 seja marcado por valorização generalizada.
Esse conjunto de fatores — sazonalidade positiva, política monetária mais acomodatícia e melhora estrutural de liquidez — sugere que os ativos de risco estão prestes a se beneficiar de uma confluência de elementos. Para o bitcoin, em particular, esse cenário é ainda mais relevante.
Além de acompanhar o ciclo macro global, o ativo conta com sua própria dinâmica de oferta programada e com o crescente interesse institucional, elementos que podem potencializar os efeitos desse ambiente mais favorável. Assim, a entrada no quarto trimestre não apenas reforça a tendência histórica de performance positiva, mas também encontra suporte em fundamentos macroeconômicos e de liquidez que ampliam as chances de continuidade da recuperação de preços.
Perspectivas de Mercado de Curto Prazo
A última atualização do DashRisk reforça a leitura de que o ambiente de risco permanece relativamente controlado, com sinais mistos, mas majoritariamente fora de zonas de euforia. O conjunto de indicadores acompanha o recente movimento de recuperação do preço do Bitcoin, que voltou a se aproximar da máxima histórica, com menor pressão vendedora dos holders de curto prazo e sem sinais excessivos de exuberância.
O Realized Price <1M aponta novo sinal positivo com o preço do Bitcoin (US$ 112.921) ligeiramente acima do custo médio dos entrantes recentes (US$ 112.563), acionando bull signal com 100% de concordância entre os modelos. Essa transição representa uma reversão em relação ao bear signal anterior, indicando que os participantes de curto prazo estão, em média, em lucro, sem pressionar o mercado com vendas forçadas.
O SOPR de curto prazo (STH-SOPR 7dma) segue lateralizado em torno da linha de equilíbrio (1.00), marcando leitura atual de 0.9976, ainda abaixo da neutralidade. Isso sugere realização de lucros moderada, sem evidência de entrada em zona de euforia. A ausência de picos no indicador reforça que o risco segue contido, mesmo com o preço em patamares elevados.
O MVRV <1M também se mantém estável, registrando leitura de 1.037. O indicador mostra que o mercado de curto prazo está ligeiramente em lucro, mas distante da zona de risco elevado (acima de 1.15). A constância nos valores do MVRV nas últimas semanas sinaliza distribuição saudável e pouco apetite especulativo no curto prazo.
Já o NUPL de curto prazo (STH-NUPL) permanece próximo da neutralidade, com leitura de -0.0017, ainda marginalmente abaixo de zero. Isso revela uma ausência de euforia significativa e mantém a leitura de risco reduzido. Mesmo com o preço próximo das máximas, o sentimento de curto prazo segue cauteloso, sem sinais de otimismo extremo.
Por fim, o índice de volatilidade de 30 dias segue em patamar historicamente comprimido e próximo dos níveis mínimos do ciclo. A presença contínua de barras vermelhas no sinal de Squeeze reforça que o mercado segue em regime de baixa volatilidade, condição estatisticamente associada à compressão de preços antes de movimentos de maior magnitude.
Resumo das métricas principais:
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Realized Price <1M: bull signal reativado com 100% de consenso e preço acima do custo dos entrantes recentes;
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STH-SOPR (7dma): leitura em 0.9976, ainda abaixo da neutralidade, sem euforia;
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MVRV <1M: indicador em 1.037, com lucro moderado e fora da zona de risco elevado;
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STH-NUPL: leitura em -0.0017, indicando sentimento cauteloso e ausência de euforia;
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Volatilidade: compressão persiste com novo squeeze ativo, mantendo expectativa de movimento direcional futuro.
A estrutura de curto prazo segue saudável e com risco reduzido. A convergência entre os sinais de bull signal, compressão de volatilidade e ausência de euforia nos indicadores de sentimento sugere ambiente ainda favorável à continuação da tendência. Embora o preço se aproxime das máximas, os dados não apontam risco elevado no horizonte imediato.
Perspectivas de Mercado de Longo Prazo
Conclusões
A leitura consolidada do mercado aponta para um ambiente que combina fatores técnicos, on-chain e macroeconômicos de forma favorável. O retorno das baleias ao processo de acumulação, aliado à atuação institucional visível em exchanges estratégicas, reforça a percepção de que o esgotamento da pressão vendedora de curto prazo pode estar dando lugar a uma fase de absorção consistente. Essa mudança ocorreu justamente em setembro, um mês historicamente desafiador, e ajudou o bitcoin a encerrar o período como um dos melhores da sua série histórica.
No plano macro, a entrada no último trimestre traz consigo a sazonalidade positiva dos mercados globais, potencializada pela redução da incerteza econômica e pelo maior ciclo de cortes de juros desde 2020. O alinhamento de bancos centrais em direção a políticas mais acomodatícias amplia a liquidez global e abre espaço para valorização dos ativos de risco, criando um cenário em que o bitcoin se beneficia duplamente: tanto pela reprecificação macro quanto pelo interesse crescente de investidores institucionais.
No curto prazo, as métricas on-chain seguem sustentando uma leitura de risco reduzido. O bull signal reativado pelo Realized Price <1M, a ausência de euforia nos indicadores de sentimento e a compressão de volatilidade compõem um quadro de mercado saudável, em que a probabilidade de continuação da tendência altista permanece elevada.
A combinação entre fundamentos de liquidez, fluxos institucionais e dados técnicos sugere que o quarto trimestre de 2025 pode consolidar-se como uma fase de fortalecimento da estrutura de preços, preparando o terreno para movimentos expressivos nos próximos meses.
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