Radar Cripto

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Desafiando os retornos históricos, bitcoin recupera em setembro, e apesar dos riscos de curto prazo permanecerem, a probabilidade de confirmação de reversão é alta.

Resumo

  • 👉 A rede permanece saudável apesar da correção, com acúmulo de novos participantes, redistribuição funcional entre coortes e recuperação de atividade on-chain;
  • 👉 A redução nas reservas de LTHs é interpretada como rotação saudável de oferta para novos participantes, ampliando a base de suporte;
  • 👉 O STH supply cresce com melhora de volume, reforçando a sustentação típica de fases iniciais de altas quando a oferta fraca é absorvida;
  • 👉 STH-SOPR (7d) em 1.0008 sinaliza transações na linha de equilíbrio, compatíveis com normalização de lucro/prejuízo de curto prazo;
  • 👉 STH-MVRV em 1.0366 e em desaceleração indica purga de euforia e aproximação de zonas mais assimétricas para o comprador tático;
  • 👉 STH-NUPL em -0.0120 marca retorno a prejuízo não realizado, reduzindo o risco de distribuições agressivas por STHs;
  • 👉 Preço de mercado (US$112.141) oscila em torno do Realized Price <1m (US$112.887), sugerindo zigue-zague típico de formação de piso;
  • 👉 Confirmações-chave: manutenção de volume ajustado por entidades elevado, gasto em lucro marginal arrefecendo e MVRV Momentum superando a MM155;
  • 👉 Sazonalidade de setembro historicamente fraca favorece redução de custo médio sem alterar o viés estrutural de alta;
  • 👉 A economia dos EUA desacelera com revisão de -911 mil empregos no período abr/24–mar/25, criação líquida de 22 mil em agosto e desemprego em 4,3 por cento;
  • 👉 Indicadores de trabalho enfraquecem nos EUA (ISM-serviços emprego em 46,5, JOLTS em 7,18 milhões e continuing claims em máximas desde 2021), mas sem colapso;
  • 👉 O mercado precifica início de afrouxamento do Fed em setembro com corte de 25 pb e possibilidade de novas reduções no quarto trimestre;
  • 👉 Posicionamento sistemático em ações em percentis 87–90 eleva a sensibilidade a dados ruins e pode intensificar a volatilidade de curto prazo;.
  • 👉 PMI industrial global em 50,9 e PMI composto em 52,9 indicam expansão marginal e ausência de contração sincronizada;
  • 👉 Difusão de cortes por bancos centrais em 2025 atua como amortecedor de liquidez e tende a sustentar a atividade com defasagem;
  • 👉 Cenário base: crescimento fraco nos EUA com suporte global, favorecendo entradas graduais em zonas de demanda e gestão ativa do risco;
  • 👉 Para bitcoin, a combinação de gatilhos on-chain em normalização e início de cortes do Fed tende a ser construtiva em 1–2 trimestres, ainda com volatilidade elevada.

Introdução

Este relatório integra duas frentes complementares para leitura de risco e oportunidade nas próximas semanas. No bloco on-chain, examina-se a distribuição de oferta entre STHs e LTHs, o comportamento de lucro e prejuízo via SOPR, MVRV e NUPL, o papel do Realized Price como referência de curto prazo, a trajetória do volume ajustado por entidades e os sinais do MVRV Momentum, com nota para o componente sazonal de setembro.

No bloco macro, avaliaremos a dinâmica recente do mercado de trabalho dos EUA à luz das revisões do payroll e de indicadores de alta frequência, a precificação de cortes pelo Federal Reserve, o posicionamento sistemático em ações e os sinais de atividade vindos dos PMIs globais e da difusão de afrouxamento pelos bancos centrais. O objetivo é mapear cenários prováveis e implicações táticas de alocação, conectando evidências micro de rede a vetores de liquidez e crescimento.

Vamos lá!

 

Estrutura on-chain ainda favorece continuação do ciclo

A correção em curso não altera a leitura estrutural de que a rede segue saudável. O conjunto de sinais on-chain permanece construtivo, ainda que compatível com mais volatilidade tática no curto prazo. Em termos práticos, isso significa que a formação de piso pode demandar tempo, alternando saltos acima e abaixo de níveis de referência, enquanto o mercado redistribui oferta de mãos antigas para novas e reancora expectativas.

Esse processo costuma ser incômodo para quem busca confirmação instantânea, mas é precisamente ele que sustenta a próxima pernada de alta quando os fluxos líquidos e a demanda efetiva convergem.

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A acumulação de pequenas carteiras continua sendo um dos melhores termômetros de demanda orgânica. Esses endereços tipicamente compram de forma granular, com baixa elasticidade a preço e horizonte de detenção mais disperso, o que ajuda a reduzir o free float disponível em quedas. Ao mesmo tempo, a queda nas reservas de holders de longo prazo não é, por si, um vetor negativo no horizonte de meses.

Historicamente, recuos na oferta imobilizada por LTHs surgem em fases em que a rede “reliquida” parte do estoque para absorção por novos participantes, reativando UTXOs e ampliando a base de investidores. É um mecanismo de rotação saudável: o capital experiente realiza parcelas de lucro marginal, enquanto o varejo incremental e carteiras emergentes internalizam essa oferta e adensam a estrutura de suporte.

Vemos agora as reservas de curto prazo crescendo, evidência de que mais moedas migraram recentemente para mãos com idade baixa. Essa expansão de STH supply, quando acompanhada de melhora de volume, atua como pivô de sustentação em ciclos de alta: novos compradores recebem moedas, testam a convicção com a volatilidade e, se não capitulam, transformam-se em oferta inelástica em patamares superiores.

O importante é que a transição ocorra com atividade suficiente para absorver realização dos veteranos sem degradação da estrutura de preços.

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Nos últimos dias, o volume on-chain mostrou recuperação, sugerindo maior densidade transacional e mais liquidez efetiva para dar lastro a movimentos altistas. A métrica, contudo, precisa ser observada como tendência e não como pontualidade. Um avanço consistente do volume ajustado por entidades, acompanhado de estabilidade no gasto de LTHs e de expansão controlada das coortes de curto prazo, adiciona camada de convicção ao cenário construtivo.

Se esse tripé permanecer — acúmulo granular, redistribuição saudável e atividade crescente — a probabilidade de continuação da tendência de alta se eleva.

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Do lado comportamental, os STHs voltaram a gastar em lucro, algo coerente com o preço retomando níveis acima do seu custo médio de aquisição. Em linguagem de métricas, isso equivale a um SOPR de curto prazo sustentado acima de 1 e a um MVRV-STH superior a 1, com a relação de lucro não realizado navegando em regiões compatíveis com desvios-padrão clássicos de suas bandas históricas.

Esse enquadramento costuma produzir duas dinâmicas recorrentes: ou há distribuição moderada, absorvida sem perda de estrutura, abrindo espaço para avanço; ou há uma compressão adicional do MVRV via lateralização/correção, que “reseta” o indicador e prepara melhor a próxima perna.

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Quando o MVRV-STH recua, muitas vezes sinaliza processos de formação de fundo locais, especialmente se o preço oscila em torno do Realized Price dos STHs. É um regime frustrante para o trader impaciente, porque a resposta não é imediata. Podemos ver vários dias de zigue-zague acima e abaixo do custo-base de curto prazo até que a oferta fraca seja expurgada.

Tecnicamente, o que se busca aqui é a combinação de três elementos: manutenção do preço sobre o Realized Price dos STHs em janelas consecutivas, queda do gasto em lucro marginal por STHs à medida que o mercado assimila a realização, e manutenção do volume on-chain em patamares elevados o bastante para atestar demanda genuína.

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Para objetivar a tendência, o MVRV Momentum — a leitura do MVRV dos STHs em relação à sua média móvel de 155 dias — segue útil. No momento, a inclinação ainda é de queda, compatível com os episódios anteriores. Um rompimento sustentado acima da média sinalizaria aceleração de momentum e encerramento do processo de reversão de curto prazo.

Até lá, o plano base é operar o mapa de assimetria: priorizar regiões de demanda de curtíssimo prazo, aproveitar desvios negativos temporários do MVRV-STH em direção às bandas inferiores, e medir a resiliência do preço frente ao Realized Price dos STHs como gatilho de alocação marginal.

Há, ainda, o componente sazonal. Setembro costuma ser um mês estatisticamente pressionado, com retornos médios historicamente inferiores, o que amplia a probabilidade de redução de custo médio para quem compra disciplina e não apenas preço. Isso não invalida riscos táticos, mas melhora a relação retorno/risco para horizontes um pouco mais longos quando combinado com o pano de fundo on-chain atual.

Em síntese, a rede permanece com sinais de base construtiva: acumulação on-chain ativa, redistribuição funcional entre coortes, atividade monetária crescente e métricas de lucro de curto prazo em fase de normalização. O curto prazo pode testar a paciência e produzir ruído ao redor de níveis de custo, mas, enquanto os gatilhos de absorção e de momentum forem se encaixando, a probabilidade de que esta correção esteja pavimentando o piso da próxima pernada de alta permanece elevada.

 

Risco macro emerge e dá indícios de desaceleração global

A desaceleração cíclica nos Estados Unidos ficou clara após a revisão preliminar do BLS: entre abril de 2024 e março de 2025, a economia criou 911 mil empregos a menos do que se estimava. Em agosto, foram apenas 22 mil novas vagas e a taxa de desemprego alcançou 4,3 por cento. O quadro é de um mercado de trabalho menos aquecido, compatível com um ritmo de crescimento mais lento no curto prazo.

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Os indicadores de alta frequência confirmam o enfraquecimento. O subíndice de emprego do ISM de serviços ficou em 46,5 em agosto (leituras abaixo de 50 sinalizam queda do emprego). As vagas do JOLTS recuaram para 7,18 milhões, com menos demissões voluntárias. As “continuing claims” seguem nas máximas desde o fim de 2021, indicando maior dificuldade para recolocação. No segmento de trabalho temporário, mais sensível ao ciclo, o emprego cai de forma contínua e já está mais de 20 por cento abaixo do pico de 2022.

Em conjunto, as evidências mostram um mercado menos apertado, ainda sem colapso, mas suficiente para alterar a reação da política monetária.

A precificação de juros aponta retorno do afrouxamento do Federal Reserve na reunião de setembro. O cenário central é de corte de 25 pontos‐base, com parte do mercado projetando mais duas reduções até dezembro, movimento reforçado pela revisão do payroll.

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O mapeamento de risco que fizemos, apesar de não “alarmante” recomenda cautela tática. A métrica de “Systematic Equity Positioning” do Deutsche Bank está em percentis elevados (aproximadamente 87–90), refletindo tendência favorável, menor volatilidade e alocação mecânica de modelos. Esse posicionamento esticado aumenta a sensibilidade das bolsas a surpresas negativas, principalmente quando a narrativa passa de crescimento forte para desaceleração.Dumptember(?)

Apesar da perda de fôlego nos EUA, não há sinais de contração sincronizada no mundo. O PMI industrial global J.P. Morgan/S&P Global subiu para 50,9 em agosto, maior nível em 14 meses, e o PMI composto global chegou a 52,9, ambos em território de expansão. O difusor de PMIs por amplitude mostra melhora em vários blocos, sugerindo que a fraqueza americana ainda não contaminou o ciclo global.

A liquidez também atua como amortecedor. Em 2025, muitos bancos centrais já iniciaram cortes de juros — mais de 90 reduções até o fim de agosto, segundo estimativas setoriais. Esse afrouxamento disseminado deixa as condições de crédito menos restritivas e tende a sustentar a atividade com algumas defasagens.

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A leitura integrada dos quatro gráficos sustenta esse diagnóstico. As revisões do payroll reavaliam o crescimento do emprego; o posicionamento sistemático elevado explica a maior vulnerabilidade tática das bolsas; o difusor de PMIs em melhora indica que a expansão global persiste; e a difusão de cortes de juros sugere um impulso adicional de liquidez nos próximos trimestres.

Em probabilidades condicionais, o cenário base é de crescimento fraco nos EUA. A queda do emprego líquido, a contração do emprego em serviços e a moderação das vagas abertas aumentam a chance de novos cortes do Fed no quarto trimestre. No plano global, PMIs acima de 50 e afrouxamento disseminado mantêm baixa a probabilidade de recessão sincronizada imediata.

Em alocação, a combinação de crescimento global resiliente com o início do ciclo de cortes nos EUA favorece ativos sensíveis à liquidez, desde que se reconheça o risco de curto prazo associado ao posicionamento elevado. Além disso, a redução de incertezas relacionadas a política monetária do FED tendem a responder de forma positiva no mercado de ativos digitais, após o início dos cortes, a dúvida reduzirá e isso poderá favorecer ativos de risco, embora no curto prazo ainda possam sofrer de volatilidade bi-direcional.

 

Perspectivas de Mercado de Curto Prazo

A semana começa com o Bitcoin sendo negociado a US$112.141, ainda sob o impacto de uma fase corretiva que derrubou as métricas de curto prazo. Essa movimentação ocorre ao mesmo tempo em que os sinais de risco se distanciam dos extremos de euforia, sugerindo uma gradual transição de ambiente, de elevado risco especulativo para condições mais assimétricas. Abaixo, detalhamos a leitura das cinco métricas principais que compõem o painel DashRisk.

O Realized Price de curtíssimo prazo (<1m) permanece acima do preço de mercado, com valor atual em US$112.887, enquanto o preço do BTC segue levemente abaixo, indicando que os compradores recentes estão, em média, em posição de prejuízo não realizado. A métrica mantém o bear signal ativo (100% de sinais), denotando condições técnicas ainda pressionadas para o curto prazo, embora distantes de qualquer euforia.

No STH-SOPR (7d), o indicador registra 1.0008, exatamente sobre a linha neutra de realização de lucros. A estabilidade nesse patamar sinaliza que não há nem dominância clara de lucro nem de prejuízo nas transações recentes. Isso configura uma zona de transição, com leve alívio do risco especulativo, mas sem capitulação clara até o momento.

O STH-MVRV apresenta valor de 1.0366, em forte desaceleração nas últimas semanas. Esse patamar marca o menor nível desde maio, refletindo redução gradual da exposição lucrativa dos holders de curto prazo. O risco implícito recuou em relação aos picos anteriores, aproximando a métrica de um ponto mais assimétrico — especialmente caso o recuo se aprofunde abaixo de 1.0.

O STH-NUPL aprofundou sua queda e já marca valor negativo (-0.0120), retornando para território típico de capitulação técnica. Essa inversão é relevante: pela primeira vez desde o 1º trimestre de 2025, os holders de curto prazo voltam a apresentar prejuízo não realizado, reduzindo substancialmente o risco de novas realizações intensas e favorecendo a leitura de potencial fundo local.

Já o índice de volatilidade (30d) permanece em níveis historicamente comprimidos, com o Vol Squeeze Signal ainda ativado. O regime de compressão segue intacto desde o início de junho, e a ausência de expansão significativa por tantos dias consecutivos reforça a probabilidade estatística de um movimento direcional mais forte nas próximas semanas.

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Resumo das métricas principais:

  • Realized Price <1m: US$112.887, acima do preço de mercado, com bear signal ativo (100%)

  • STH-SOPR (7d): 1.0008, estabilidade técnica sobre a linha de equilíbrio

  • STH-MVRV: 1.0366, tendência de enfraquecimento, risco reduzido em relação aos topos

  • STH-NUPL: -0.0120, entrada em zona de prejuízo, sinalizando risco significativamente reduzido

  • Volatilidade (30d): compressão prolongada com Vol Squeeze ativo, apontando para possível breakout

Com a reversão dos lucros para prejuízos nos holders de curto prazo, especialmente visível no NUPL negativo e MVRV em declínio, o risco de euforia excessiva está se dissipando. Embora o bear signal no Realized Price ainda esteja ativo, os fundamentos técnicos indicam que a assimetria de risco está gradualmente se tornando mais favorável ao longo das próximas semanas. O viés direcional é neutro, com sinais consistentes de que o mercado se aproxima de uma base de suporte comportamental.

 

Perspectivas de Mercado de Longo Prazo

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Conclusões

A leitura consolidada segue construtiva nos dados on-chain: acumulação de novos participantes ativa, redistribuição saudável entre coortes e recuperação de atividade indicam base de suporte em formação. Sinais de curto prazo dos STHs próximos ao equilíbrio, com NUPL negativo e MVRV-STH em desaceleração, sugerem purga de euforia e melhor assimetria para compras táticas, ainda com zigue-zague ao redor do Realized Price.

A confirmação de reversão depende da sustentação de volume ajustado por entidades e da virada do MVRV Momentum acima da média de 155 dias. Em setembro, a sazonalidade historicamente fraca favorece redução de custo médio sem alterar o viés estrutural de alta. Entretanto, nenhum desses pontos afetam a estrutura de ciclo, que ainda nos informa espaço de crescimento até uma exaustão final.

No macro, a desaceleração dos EUA aumenta a probabilidade de início de cortes pelo Fed, enquanto PMIs globais em expansão e difusão de afrouxamento por bancos centrais mitigam o risco de contração econômica sincronizada. O principal vetor de curto prazo é a volatilidade induzida por posicionamento elevado em equities, o que exige disciplina de execução. Em alocação, o cenário base favorece entradas graduais em zonas de demanda, gestão ativa de risco e aproveitamento de quedas, mantendo foco na confirmação dos gatilhos on-chain e no suporte de liquidez vindo da política monetária.

 

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