Resumo
- 👉 Retornos médios de 30 dias tornam-se positivos apenas no fim de setembro, chegando a 15%-20% após o dia 25;
- 👉 Entre os dias 17 e 21 de setembro, os retornos médios de 90 dias atingem 45%-60%, configurando um “corredor ótimo”;
- 👉 A demanda aparente na rede sinaliza retomada gradual após a contração de julho, ainda em nível moderado;
- 👉 Lucros realizados atingiram picos entre junho e julho, seguidos por aumento de perdas em agosto sem capitulação de longo prazo;
- 👉 O varejo reduziu participação desde julho, diminuindo a pressão compradora marginal;
- 👉 As baleias distribuíram mais de 100 mil BTC em 30 dias, um choque de oferta incomum pela velocidade e magnitude;
- 👉 O preço realizado de curto prazo está em US$ 109.200 e já foi recuperado, indicando absorção da pressão vendedora dos novatos;
- 👉 Evitar alavancagem é prudente enquanto lucros realizados seguirem elevados, devido a riscos de squeezes;
- 👉 Valuations das ações dos EUA estão em níveis historicamente esticados, semelhantes a 1929, 1999 e 2021;
- 👉 Uma eventual desaceleração da liquidez global em 2025 pode levar a um regime defensivo nos mercados;
- 👉 Para o bitcoin, o risco imediato vem de choques de correlação em aversão a risco, mas há potencial positivo com retomada de liquidez;
- 👉 No horizonte de 7 a 30 dias, o mercado mostra sinais de estabilização condicionada à demanda e ao suporte de US$ 109.200;
- 👉 Na janela de 30 a 90 dias, setembro oferece oportunidades táticas de entrada escalonada;
- 👉 No horizonte de 6 a 12 meses, o ciclo tende a se manter, mas com maior risco de desaceleração global exigindo gestão de liquidez.
Introdução
O mês de setembro chega trazendo um cenário complexo para o bitcoin, em que fatores sazonais, métricas on-chain e sinais macroeconômicos se entrelaçam para moldar o comportamento do mercado. Ao longo desta análise, exploraremos como o desempenho histórico influencia a percepção atual, de que forma a atividade dos diferentes grupos de investidores tem impactado o preço e quais elementos do ambiente global de liquidez ajudam a compor o quadro presente.
A leitura integrada desses vetores oferece um panorama robusto para entender os desafios e as oportunidades que irão se apresentar no curto e médio prazo para o bitcoin.
Vamos lá!
Setembro inicia com recuperação, mas risco permanece
Desde julho no BlockTrends PRO, vínhamos projetando que a sazonalidade exerceria pressão sobre o bitcoin. Essa expectativa se confirmou: agosto encerrou com queda próxima de 14%, em linha com o padrão histórico negativo do mês. Setembro, entretanto, começou com recuperação acima dos 111 mil dólares.
Essa reação inicial, no entanto, não deve ser interpretada como sinal de segurança plena, já que setembro é, estatisticamente, o pior mês para o bitcoin em termos de retorno médio. Isso exige postura analítica disciplinada e atenção constante aos sinais on-chain e de fluxo de capitais.
Dentro do comportamento sazonal, há uma particularidade relevante na dinâmica intramensal. Ao analisar retornos médios de 30, 60 e 90 dias subsequentes a cada ponto de entrada entre 2014 e 2024, emergem três padrões consistentes.
O primeiro é que, nos primeiros dez dias do mês, os retornos de 30 dias tendem a ser negativos ou neutros, mas tornam-se positivos conforme avançamos para o fim do mês, alcançando médias de 15% a 20% quando a entrada ocorre após o dia 25.
O segundo padrão é observado na janela de 60 dias, que mostra progressão semelhante, partindo de 15% a 18% na metade do mês e chegando a cerca de 30% no final. O terceiro é um “corredor ótimo” entre os dias 17 e 21 de setembro, em que os retornos médios de 90 dias atingem a faixa de 45% a 60%.
Embora estatística não determine o futuro, ela fornece um guia para o timing de alocação. Nos ciclos anteriores, entradas nesse período tiveram maior probabilidade de resultado positivo, sobretudo quando acompanhadas por sinais favoráveis de atividade on-chain.
A análise on-chain ajuda a explicar a correção de agosto e o início de setembro. Três fatores se destacam. O primeiro é a demanda aparente na rede. Entre fevereiro e abril houve forte contração, seguida por recuperação firme até julho.
A reversão para valores negativos no final de julho coincidiu com o recuo de preços, mas setembro já sinaliza retomada gradual dessa demanda, ainda em níveis moderados. Normalmente, quando essa métrica se mantém positiva, antecipa recuperação de preço com defasagem de dias ou semanas, desde que não ocorram choques de oferta.
O segundo fator é a realização de lucros e perdas. Entre junho e julho, os lucros realizados alcançaram picos expressivos, sinalizando forte distribuição. Em agosto, registrou-se aumento de perdas realizadas, mas sem capitulação estrutural dos holders de longo prazo. Esse padrão reflete investidores realizando lucros em topo local, seguido por redução de alavancagem e reposicionamento. Esse comportamento caracteriza uma fase corretiva, mas não uma reversão completa do ciclo.
O terceiro fator envolve a composição dos grupos de investidores. O varejo, identificado por transações inferiores a 10 mil dólares, apresentou queda consistente desde julho, reduzindo a pressão compradora marginal em momentos de stress. Paralelamente, as baleias reduziram suas reservas de forma agressiva: em 30 dias, mais de 100 mil bitcoins foram distribuídos, um choque de oferta raro sem consequências relevantes.
Dois pontos devem ser destacados: (a) a velocidade da distribuição sugere operação coordenada, possivelmente via mercados OTC; (b) historicamente, essa métrica de 30 dias tende a reverter rapidamente após esgotamento da distribuição, funcionando como indicador de curto ciclo. O monitoramento dessa reversão será essencial para identificar a formação de fundo.
Em contrapartida, a oferta ilíquida mantém trajetória de crescimento estrutural. O aumento de bitcoins em endereços com histórico de gasto nulo ou mínimo indica que investidores de longo prazo seguem acumulando. Esse processo não elimina correções, mas reduz a oferta circulante e fortalece a escassez quando a demanda retorna, reforçando o mecanismo central da proposta monetária do bitcoin.
Outro ponto crucial é o preço realizado dos holders de curto prazo, que atualmente está em 109.200 dólares. O fato de o mercado ter recuperado esse nível indica que a pressão vendedora dos investidores mais recentes foi absorvida. Historicamente, movimentos de queda abaixo desse patamar seguidos de retomada acima dele geraram retornos expressivos em janelas de 1 a 3 meses.
A leitura operacional, portanto, é objetiva: enquanto o preço se mantiver acima desse nível e a demanda aparente permanecer positiva, aumenta a probabilidade de estabilização. Caso ocorra nova perda desse patamar com aceleração de perdas realizadas e maior queda nas reservas de baleias, o mercado poderá reabrir espaço para testar suportes mais baixos.
Ao conectar sazonalidade e atividade on-chain, a estratégia mais eficiente historicamente combina: alocações escalonadas entre os dias 17 e 21 e no fim de setembro; preferência por entradas próximas ao preço realizado de curto prazo; confirmação por meio de retomada da demanda aparente e estabilização nas reservas de baleias; e cautela com uso de alavancagem enquanto os lucros realizados permanecerem elevados.
No âmbito macroeconômico, a liquidez global ainda favorece ativos de risco no curto prazo, mas sinais de sobre-extensão começam a aparecer. Os múltiplos das ações norte-americanas, quando analisados em perspectiva histórica, se aproximam de níveis vistos em 1929, 1999 e 2021. Esse tipo de valuation não define datas precisas, mas costuma antecipar períodos de compressão de múltiplos e maior dispersão de retornos.
Caso em 2025 se confirme uma desaceleração da liquidez, poderemos assistir a uma migração para um regime defensivo. Para o bitcoin, os canais principais são dois: (i) impacto negativo imediato em fases de aversão generalizada ao risco; (ii) efeito positivo quando a política monetária voltar a expandir liquidez, favorecendo ativos escassos. O equilíbrio entre esses fatores definirá a trajetória do ciclo no próximo ano.
Diante disso, nossa leitura é probabilística. Em horizonte de 7 a 30 dias, o mercado aparenta estar em estabilização, condicionado à manutenção do preço acima de 109.200 dólares e a sinais consistentes de retomada de demanda. Em 30 a 90 dias, a janela sazonal é favorável se utilizada para entradas escalonadas, especialmente entre 17 e 21 e nos últimos dias do mês. No horizonte de 3 a 6 meses, o cenário base é de continuidade do ciclo inicialmente e possível reversão macro em 2026, que trará uma maior necessidade de gestão de risco e exposição.
Perspectivas de Mercado de Curto Prazo
O preço do Bitcoin permanece em retração moderada, cotado a US$ 109.958, após uma sequência de sinalizações técnicas desfavoráveis nos modelos de curto prazo. Desde a máxima local próxima a US$ 119 mil, os principais indicadores on-chain vêm reforçando um ambiente de realização e enfraquecimento da dominância compradora, ainda que sem indícios de capitulação ou pânico. O destaque da semana é o aprofundamento do regime de “bear signal” no modelo Realized Price <1M, combinado com o retorno do trader NUPL para a zona negativa.
O modelo do Realized Price de holders de curto prazo (RP<1M) marca 113.580 dólares, enquanto o preço de mercado segue abaixo, em US$ 108.631, configurando 100% de sinalizações de bear signal. Essa condição de inversão de preço é historicamente associada a movimentos de consolidação ou início de fases corretivas mais prolongadas, como observado em agosto de 2023 e janeiro de 2024.
No indicador STH-SOPR (7dma), temos a leitura atual em 0.9955, abaixo da linha de neutralidade (1.00), indicando realização líquida de prejuízo entre os novos entrantes. A leitura comportamental é de aumento no desânimo de curto prazo, porém ainda sem atingir níveis extremos de stress, uma vez que o SOPR não penetrou com força a zona de baixo risco (abaixo de 0.985). Trata-se de um sinal de fraqueza na demanda marginal, compatível com o momento do mercado.
A relação MVRV dos short-term holders encontra-se em 1.022, ainda acima da linha de equilíbrio (1.00), mas já em processo de declínio técnico acentuado desde os picos de junho. A tendência negativa indica crescente pressão de saída dos participantes que acumulavam lucros não realizados, o que reforça a tese de exaustão compradora no curto prazo.
Já o NUPL dos traders registra agora -0.032, sinalizando retorno à zona de prejuízo líquido entre os investidores de curto prazo. A entrada nessa faixa histórica tende a funcionar como “piso emocional”, comumente associada a fases de desalavancagem e limpeza de posições especulativas. No entanto, o sinal ainda não está confirmado por repique técnico, o que requer cautela.
Por fim, o índice de volatilidade ajustado por squeeze continua em zona de compressão, sinalizando um ambiente de baixa volatilidade implícita, mas com elevado potencial para ruptura direcional. O histórico desse modelo sugere que fases como esta precedem movimentos expressivos, reforçando a importância de acompanhamento contínuo nos próximos dias.
Resumo das métricas principais:
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Realized Price <1M: US$ 113.580 | Bear signal (100%);
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Bitcoin Price: US$ 108.631 (abaixo do RP<1M);
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STH-SOPR (7dma): 0.9955 | Realização líquida de prejuízo;
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MVRV STH: 1.022 | Pressão de lucros em queda;
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Trader NUPL: -0.032 | Entrada na zona de prejuízo;
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Volatilidade: compressão com sinal de squeeze ativo.
O painel de curto prazo permanece em regime defensivo. A persistência do preço abaixo do Realized Price <1M, combinada à deterioração do SOPR e do NUPL, valida um viés de enfraquecimento estrutural da demanda especulativa. A ausência de divergências positivas impede antecipar uma reversão imediata, e o quadro atual sugere manutenção de postura cautelosa. O cenário favorece movimentos de lateralização ou correção adicional, especialmente se a compressão de volatilidade resultar em breakout para baixo.
Perspectivas de Mercado de Longo Prazo
Conclusões
O cenário atual do bitcoin sugere que, apesar da recuperação inicial em setembro, o mercado permanece em zona de fragilidade. A sazonalidade ainda atua como fator de risco, e o comportamento recente das métricas on-chain reforça a leitura de um ambiente corretivo, no qual a demanda marginal se mostra enfraquecida e a pressão vendedora continua visível, especialmente com a atuação das baleias e a retração do varejo.
Para o curto prazo, o preço abaixo do Realized Price <1M, aliado ao enfraquecimento de SOPR e NUPL, consolida um viés defensivo. A ausência de sinais de divergência positiva impede a confirmação de fundo imediato, o que favorece um cenário de lateralização ou novas quedas caso a compressão de volatilidade se resolva para baixo.
No entanto, para horizontes mais longos, a expansão estrutural da oferta ilíquida e a escassez programada permanecem como âncoras fundamentais. Esse quadro sugere que, embora seja prudente manter postura cautelosa no presente, o investidor disciplinado encontra na combinação de sazonalidade favorável no fim de setembro e fundamentos de longo prazo uma oportunidade para estruturar posições compradoras com assimetria positiva nas próximas semanas.
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