Resumo
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👉 Realização de lucros por grandes players e retração temporária na liquidez global atuam simultaneamente como forças de pressão no curto prazo;
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👉 Atividade on-chain caiu de forma consistente desde julho, sinalizando normalização pós-euforia e reduzindo força compradora;
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👉 Lucro realizado ajustado pela capitalização de mercado permanece elevado e precisa cair para abrir espaço à capitulação;
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👉 Em 2025, já foram movimentadas 214.719 moedas com mais de sete anos de inatividade, média de 30.674 BTC por mês e 1.011 BTC por transação;
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👉 Tesourarias de empresas registraram o maior fluxo semanal de compras de Bitcoin já observado;
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👉 Score de tendência de acumulação confirma compras por grandes carteiras e alta participação do varejo;
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👉 Compras fracionadas (TWAP) na Bitfinex indicam acumulação silenciosa semelhante a padrões que antecederam fundos locais;
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👉 Liquidez global contraiu US$ 456 bilhões na última semana, mas permanece 5,5% acima do nível de um ano atrás;
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👉 Estrutura de ciclo de liquidez sugere suporte até uma reversão macro no final de 2025 ou início de 2026;
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👉 Afrouxamento monetário global e emissões de Treasuries pelo governo dos EUA sustentam liquidez mesmo com Fed mantendo juros;
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👉 Sazonalidade histórica aponta fraqueza entre agosto e setembro no S&P 500 e aumento de volatilidade (VIX) nesse período;
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👉 Ausência de novos impulsos de liquidez global pode manter o Bitcoin lateralizado ou em leve correção no curto prazo;
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👉 Quanto mais próximo dos US$ 100 mil, melhor pode representar a última oportunidade tática de alocação antes da fase final do bull market.
Introdução
O Bitcoin enfrenta, neste momento, um ambiente em que forças opostas atuam de forma intensa. De um lado, a pressão de venda de moedas antigas e o enfraquecimento da atividade on-chain; de outro, a absorção institucional dessa oferta e a manutenção de uma estrutura macro ainda favorável.
Essa combinação tem gerado um equilíbrio instável, onde pequenas mudanças na liquidez global e no comportamento dos investidores podem alterar rapidamente o sentimento de mercado.
Ao longo desta análise, investigamos em profundidade como o fluxo de moedas antigas, as oscilações na liquidez internacional e os padrões técnicos de curto prazo estão interligados. Dados on-chain, comportamento institucional e variáveis macroeconômicas são examinados de forma integrada para traçar um retrato preciso do cenário atual e entender o que esses movimentos podem significar para as próximas etapas do ciclo.
Vamos lá!
Queda na atividade on-chain desacelera tendência de alta
A correção atual no Bitcoin resulta de um movimento combinado entre realização de lucros por grandes players e retração temporária na liquidez global, ambos tendo sua relevância na estrutura de curto prazo.
A atividade on-chain vem registrando queda consistente desde julho, caracterizando um processo de normalização após um período de euforia, ainda que menos intenso do que nos dois ciclos anteriores e sem que nossos indicadores de curto prazo apontassem risco elevado. Ainda assim, esse movimento foi suficiente para pressionar o preço.
O gráfico de lucro realizado ajustado pela capitalização de mercado mostra volumes expressivos de realização que permanecem elevados e precisariam recuar para dar espaço a um aumento na realização de prejuízos — padrão característico de capitulação e formação de fundos locais. A probabilidade de estarmos próximos de um fundo é alta, já que a estrutura de mercado ainda favorece a continuidade do bull market.
Investidores antigos têm liderado esse fluxo vendedor, como no caso recente da venda de 80 mil BTC pela Galaxy Digital. Em 2025, já foram movimentadas 214.719 moedas com mais de sete anos de inatividade, o que representa um volume médio mensal de 30.674 BTC e média de 1.011 BTC por transação, segundo dados on-chain.
Esse número já se aproxima do total de 255.860 BTC movimentados em todo o ano de 2024, mesmo ainda restando cinco meses para o encerramento do ano. Trata-se de um dos maiores volumes anuais de desbloqueio de moedas antigas da história, reforçando a pressão vendedora proveniente de holders de longo prazo.
Essa oferta tem sido absorvida por compras institucionais, especialmente de tesourarias de Bitcoin, que na última semana registraram o maior fluxo semanal da história. O score de tendência de acumulação confirma que grandes carteiras seguem comprando, acompanhadas por forte atividade do varejo.
A movimentação de moedas antigas é típica de ciclos de alta, quando reservas com mais de um ano de inatividade diminuem acentuadamente em função da realização de lucros. Apesar do efeito de curto prazo, as instituições continuam acumulando, enquanto o varejo tende a realizar prejuízo.
Entretanto, compras fracionadas (TWAP) já aparecem na Bitfinex, sinalizando acumulação silenciosa — um padrão que, no passado, precedeu fundos locais e reversões rápidas. Essa movimentação institucional é um dos sinais mais claros de como esses grandes players estão operando hoje, e devemos ter atenção redobrada nesses períodos.
Assim, embora o curto prazo traga riscos devido aos altos volumes de lucros realizados e à queda na atividade on-chain, o cenário estrutural sugere que a fase atual pode estar mais próxima do fim da correção. Há uma probabilidade crescente de formação de um fundo local ainda em agosto, embora não haja clareza sobre o momento exato em que isso possa ocorrer, o que mantém a necessidade de acompanhamento atento dos sinais on-chain e de fluxo de mercado.
Liquidez contrai levemente, mas permanece crescendo no acumulado de 2025
Além da pressão de venda de holders antigos, a liquidez global também exerceu influência decisiva na desaceleração atual. Na última semana, houve uma contração de US$ 456 bilhões (-0,25%), levando o montante total a US$ 182,7 trilhões, ainda 5,5% acima do nível registrado no mesmo período do ano anterior.
Essa retração é relevante pois ocorre em um ponto do ciclo de liquidez que, segundo nossos modelos históricos e projeções gráficas, tende a oferecer suporte até que se atinja uma reversão macro mais significativa, estimada apenas para o final de 2025 ou início de 2026. Essa “janela de liquidez” mantém-se como um fator favorável para o Bitcoin, dada a sua alta sensibilidade a fluxos globais.
A sustentação desse cenário vem do afrouxamento monetário em várias jurisdições e de injeções de capital promovidas por bancos centrais, como na China, mesmo com o Federal Reserve mantendo as taxas de juros inalteradas. No caso dos EUA, esse suporte ocorre via emissões de Treasuries — a chamada “liquidez stealth” —, evidenciada no avanço da liquidez doméstica projetada 9 meses à frente, que também revela o atraso na resposta da curva de juros e a atuação indireta do governo no controle das condições financeiras.
Essa contração momentânea na liquidez coincide com um intervalo sazonalmente desfavorável para ativos sensíveis à liquidez, como ilustram os padrões históricos do S&P 500, que mostram fraqueza entre agosto e setembro. O mesmo é observado no comportamento médio do VIX, cuja volatilidade tende a aumentar nesse período, e nos anos pós-eleitorais, que em média registram retornos negativos entre agosto e outubro.
Embora tal padrão não signifique necessariamente uma queda contínua no Bitcoin, a ausência de novos impulsos na liquidez global aumenta a probabilidade de lateralização ou de leves movimentos corretivos no curto prazo.
Reforçamos que essa é uma perspectiva de curtíssimo prazo, centrada nas próximas semanas, e não um diagnóstico de final de ciclo. Caso o preço se aproxime da região de US$ 100 mil, consideramos que poderá surgir a última oportunidade de alocação tática de curto prazo deste ciclo, antes de uma alta potencialmente associada à fase final do bull market vigente.
Estrutura de ciclo de curto prazo
Após semanas de fortalecimento do mercado, o painel de risco de curto prazo emitiu um alerta relevante. O preço do Bitcoin está atualmente em US$ 114.556, mas abaixo do Realized Price <1M, que subiu para US$ 117.086 — o que tecnicamente representa uma perda da estrutura de “bull signal” vigente desde maio. O modelo de sinal voltou a marcar “bear signal” com confirmação, indicando possível fragilidade de curto prazo no movimento atual.
Apesar do sinal negativo do modelo principal, o comportamento dos indicadores auxiliares revela nuances importantes. O SOPR de curto prazo, por exemplo, segue acima de 1 (1,0026), indicando que a média das transações de curto prazo ainda é feita com lucro. No entanto, a inclinação descendente da linha azul sinaliza realização crescente e perda de força compradora.
O MVRV dos STHs caiu para 1,0874, recuando após testar níveis elevados. A linha azul rompeu a tendência de alta de curto prazo e passou a formar topos e fundos descendentes, sugerindo uma possível reversão ou consolidação. Ainda assim, o indicador segue distante da zona de baixo risco, reforçando que não há capitulação no momento.
Já o NUPL de curto prazo apresentou a maior deterioração entre os indicadores. Após flertar com a zona de otimismo, o indicador caiu para 0,0205, retornando para um nível de neutralidade. A linha azul está novamente pressionando a faixa inferior, o que pode representar enfraquecimento da convicção compradora.
A compressão de volatilidade (Vol Squeeze) segue ativa, mas começa a mostrar sinais de relaxamento, o que indica maior probabilidade de movimentações mais amplas nos próximos dias.
Resumo das métricas principais (05/08):
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Realized Price <1M: cruzamento negativo (bear signal), com preço do BTC em US$ 114.805 e Realized Price <1M em US$ 117.086;
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STH-SOPR (7DMA): 1,0026 – ainda levemente positivo, mas com viés de realização;
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STH-MVRV: 1,0874 – recuando, com padrão técnico sugerindo enfraquecimento de curto prazo;
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STH-NUPL: 0,0205 – zona neutra, com viés de baixa após recuo recente;
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Volatilidade: compressão ativa, mas começando a perder força.
O painel de risco sinaliza prudência no curto prazo, com indícios técnicos de enfraquecimento e saída parcial de lucros pelos holders de curto prazo. O sinal de baixa sugere que pode ser mais recomendável uma postura de neutralidade e espera, favorecendo estratégias mais defensivas até que os sinais de força retornem.
O monitoramento contínuo das métricas será crucial nos próximos dias, principalmente por possivelmente apresentar um cenário de reversão de preços em breve.
Estrutura de ciclo de longo prazo
Conclusões
A confluência de fatores que sustenta a correção atual — volumes elevados de realização de lucros por holders antigos, retração momentânea na liquidez global e sinais técnicos de enfraquecimento no curto prazo — configura um ambiente que exige prudência, mas que não altera de forma estrutural a tese de continuação do bull market no médio prazo. O aumento expressivo na movimentação de moedas com mais de sete anos reforça a pressão de venda vinda dos participantes mais antigos da rede, mas também evidencia que esta oferta está sendo absorvida de forma consistente por players institucionais, com destaque para tesourarias de empresas.
Do lado macro, a contração recente de US$ 456 bilhões na liquidez global, embora relevante, ocorre dentro de uma estrutura de ciclo que, historicamente, ainda sustenta o mercado até a reversão final, projetada para o final de 2025 ou início de 2026. Esse intervalo representa uma “janela de liquidez” estratégica para o Bitcoin, dada a sua sensibilidade a fluxos de capital e à expansão monetária.
Entretanto, a combinação desse contexto com padrões sazonais historicamente desfavoráveis — queda média nos retornos do S&P 500 entre agosto e setembro, aumento na volatilidade (VIX) e desempenho negativo em anos pós-eleitorais — sugere que o curto prazo pode permanecer volátil, com maior probabilidade de lateralização ou movimentos corretivos adicionais caso não haja novos impulsos na liquidez global. Essa leitura, porém, não representa um chamado para saída total de posição, mas sim um alerta para calibragem tática, privilegiando entradas mais próximas de níveis técnicos relevantes, como uma proximidade com os US$ 100 mil, que podem representar a última oportunidade de alocação de curto prazo antes de uma perna final de alta potencialmente mais agressiva.
O alinhamento entre ciclos de liquidez, absorção institucional da oferta de moedas antigas e padrões históricos de comportamento do Bitcoin reforça que, apesar da fragilidade de curto prazo, o cenário macro permanece construtivo. Para investidores avançados, esse é o momento de monitorar de forma intensiva métricas on-chain, fluxos de liquidez e comportamento institucional, preparando-se para aproveitar assimetrias de preço que podem surgir antes da fase final do bull market.
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