Resumo
- 👉 A taxa de financiamento dos contratos futuros subiu, mas segue abaixo dos níveis críticos vistos em dezembro de 2024, indicando ausência de euforia extrema;
- 👉 O saldo das carteiras com mais de mil BTC continua subindo, demonstrando forte acumulação institucional mesmo em máximas históricas;
- 👉 O varejo tem realizado lucros, enquanto grandes players seguem acumulando, configurando um padrão clássico de redistribuição saudável de oferta;
- 👉 O cenário técnico atual segue favorável à continuidade da alta, desde que funding rate e posições de baleias permaneçam estáveis;
- 👉 O modelo de Rudd & Porter projeta o Bitcoin em US$ 1 milhão até 2027, com base na oferta inelástica e crescimento exponencial da demanda;
- 👉 Estimativas indicam que uma retirada sistemática de BTC da oferta líquida pode gerar pressão hiperbólica sobre os preços;
- 👉 A região entre US$ 170 mil e US$ 230 mil é apontada como potencial faixa de topo local para o ciclo atual;
- 👉 O Painel de Risco do BlockTrends PRO mantém sinal de alta ativo há 22 dias, com todos os indicadores de curto prazo revertendo para tendência positiva;
- 👉 Métricas como SOPR, NUPL e MVRV dos holders de curto prazo estão em patamares elevados, mas ainda sustentáveis;
- 👉 A compressão de volatilidade sugere possível expansão de preço nas próximas semanas, reforçada pelo fortalecimento da base técnica;
- 👉 A estrutura de mercado ainda permite avanços, mas o acompanhamento de métricas on-chain será essencial para evitar otimismo excessivo.
Introdução
O mercado do Bitcoin vive um momento crítico, com renovação das suas máximas históricas e atração tanto de investidores institucionais quanto do varejo. Em meio a esse cenário, surgem dúvidas sobre a sustentabilidade da tendência atual e sobre os riscos associados a movimentos de alta acelerada.
Neste relatório, analisamos em profundidade o comportamento das métricas de alavancagem no mercado futuro, os fluxos de entrada e saída on-chain, a atuação das baleias, além de projeções baseadas em modelos econômicos de oferta e demanda. O objetivo é entender se o atual ciclo ainda possui espaço para avanço ou se estamos nos aproximando de um ponto de virada relevante para o preço.
Vamos lá!
Mesmo na ATH, baleias continuam acumulando e mercado futuro sem euforia extrema
Os dados mais recentes apontam para uma continuação do movimento de alta no Bitcoin, mas com elementos técnicos que ainda não caracterizam um estágio final de euforia no ciclo.
A taxa média de financiamento dos contratos futuros perpétuos subiu de forma consistente nos últimos dias, acompanhando o movimento de alta do preço. Apesar dessa elevação, o indicador ainda permanece abaixo dos patamares extremos observados entre novembro e dezembro de 2024, o que sugere que o mercado não entrou em uma zona de risco sistêmico ou alavancagem descontrolada.
Esse comportamento da funding rate indica que o mercado segue otimista, porém com espaço para novas altas antes de uma reversão mais significativa. A presença de funding positivo reforça a predominância de posições compradas, o que também pode aumentar a volatilidade de curto prazo, especialmente em momentos de realização parcial de lucros.
Ao mesmo tempo, os dados on-chain mostram um padrão atípico para um estágio de descoberta de preços. Enquanto em ciclos anteriores as baleias realizavam lucros nas máximas históricas, atualmente o saldo agregado das carteiras com mais de mil BTC segue em tendência de alta, refletindo uma acumulação líquida em patamares de preço elevados.
Essa dinâmica sugere que a pressão compradora vem, em boa parte, de instituições e veículos corporativos, comportamento alinhado com o fluxo observado por ETFs e tesourarias empresariais nos últimos trimestres.
Por outro lado, o varejo continua sendo o principal agente de venda, como indicado pelos picos de realização de lucro de curto prazo observados nas últimas semanas. A divergência entre a postura das baleias (acumulando) e do varejo (vendendo) é um sinal clássico de redistribuição saudável dentro de ciclos de alta, reforçando a tese de que ainda há espaço para novas máximas históricas sem que isso implique em instabilidade estrutural imediata.
Em resumo, o ambiente técnico e on-chain permanece construtivo para o preço do Bitcoin. A ausência de sinais extremos nas taxas de financiamento, combinada à persistente acumulação por parte de grandes players institucionais, indica que o mercado pode continuar em tendência de alta no curto prazo.
Correções pontuais e aumento da volatilidade são esperados, mas enquanto não houver sinais claros de euforia, como funding acima de 0,025% ou reversão na posição líquida de baleias, a estrutura de preço segue favorável à continuidade do ciclo de alta. Discutiremos os possíveis “alvos” de preço para o bitcoin no próximo tópico.
Bitcoin pode chegar a US$ 1 milhão até 2027
Quando o bitcoin sobe de forma vertiginosa, como na última semana, surgem diversos questionamentos sobre até onde o preço pode ir no futuro. A resposta para essa pergunta já é muito clara para nossos assinantes mais antigos, já que o bitcoin pode subir até o infinito no longo prazo, mas a visão dos próximos 2 ou 5 anos podem ser diferentes e mais palpáveis.
O relatório publicado por Rudd & Porter (2025), “A Supply and Demand Framework for Bitcoin Price Forecasting”, propõe um modelo de precificação do Bitcoin com base em fundamentos econômicos clássicos de oferta e demanda, e conclui que o bitcoin pode atingir valores superiores a 1 milhão de dólares até 2027. Essa projeção é obtida por meio de um framework parametrizável de equilíbrio entre oferta inelástica e demanda crescente, e representa um avanço frente aos modelos baseados exclusivamente em séries temporais, métricas on-chain ou regressões estatísticas históricas.
O ponto de partida do modelo é a constatação de que a oferta de Bitcoin é absolutamente inelástica, ou seja, seu suprimento total nunca superará os 21 milhões de unidades, sendo a emissão diária totalmente previsível. Além disso, parte significativa do estoque já emitido não está disponível para negociação: cerca de 45% das moedas estão em carteiras inativas há mais de três anos, e aproximadamente 5 milhões são consideradas permanentemente perdidas.
Com isso, o estoque líquido disponível para negociação no curto prazo foi estimado em apenas 11,2 milhões de BTC no momento da quarta halving, em abril de 2024.
Do lado da demanda, o modelo adota uma curva de elasticidade constante (CES), uma função tradicionalmente usada em microeconomia para modelar utilidade e substituição entre bens. A função de demanda é definida como 𝑃=𝐴⋅𝑄1/𝜖 , onde A é um parâmetro de deslocamento (demand shift) e ε é o parâmetro de elasticidade.
Os autores exploram variações desses parâmetros para simular cenários distintos de adoção institucional, demanda especulativa e comportamento de holders.
O framework permite ainda incorporar choques exógenos, como a retirada de moedas da oferta líquida por instituições ou governos para formação de reservas estratégicas. O impacto dessas retiradas é modelado como um deslocamento da curva de oferta vertical para a esquerda, gerando aumentos exponenciais de preço à medida que a liquidez do mercado se reduz.
Em seu cenário conservador, calibrado para refletir o preço de mercado de USD 102 mil em dezembro de 2024, o modelo projeta que o preço do Bitcoin poderá atingir 1 milhão de dólares por unidade entre junho e setembro de 2028, desde que ocorra uma retirada sistemática de 2 mil a 4 mil BTC por dia da oferta líquida. Esse comportamento reflete uma dinâmica de escassez aguda, na qual a sobreposição entre oferta absolutamente rígida e uma demanda institucional com baixa elasticidade gera pressões de preço hiperbólicas.
Já no cenário mais otimista, que assume uma aceleração na adoção institucional a partir de 2025 (motivada por mudanças regulatórias, novas normas contábeis da FASB, e inclusão de ETFs de Bitcoin nos portfólios de grandes gestoras), os autores projetam que o Bitcoin poderá ultrapassar os 2 milhões de dólares ainda antes de 2030. Sob esse cenário, com uma combinação de alta do parâmetro de demanda para 𝐷=30 e retiradas diárias de 2 mil BTC, o modelo estima uma capitalização de mercado de USD 68,5 trilhões até 2036 e CAGR (Compound Annual Growth Rate) superior a 40%.
É importante destacar que a projeção de USD 1 milhão até 2027 não decorre de uma extrapolação linear, mas sim de uma curva hiperbólica causada pela interação entre (i) retirada acelerada de liquidez, (ii) crescimento não linear da demanda, e (iii) ausência de mecanismos naturais de resposta da oferta. O modelo prevê que, ao contrário das commodities tradicionais, não há indução à produção quando os preços sobem, o que torna o Bitcoin mais suscetível a episódios de supply shock.
A tese dos autores encontra paralelos com a estratégia de acumulação da MicroStrategy, que utiliza notas conversíveis e alavancagem fiduciária para adquirir BTC de forma sistemática, configurando o que Pierre Rochard definiu como um “speculative attack” contra moedas fiduciárias. Além disso, há sinergia com estimativas apresentadas aqui no BlockTrends PRO, que sugerem que a alocação de 10% das reservas de caixa das 20 maiores empresas dos EUA em Bitcoin poderia elevar o preço do ativo para USD 633 mil, e que uma alocação combinada de empresas, governos e ETFs poderia empurrar o preço para a faixa entre USD 3,8 e 7,5 milhões.
Em termos metodológicos, o framework desenvolvido por Rudd & Porter é implementado via modelagem discreta com base diária e estrutura logística para o crescimento da demanda, permitindo ajustes finos nos parâmetros e simulações de cenários estressados. A estrutura é flexível para incorporar distribuições probabilísticas, cenários de incerteza profunda (DMDU) e modelos de Monte Carlo, tornando-a adaptável a estudos institucionais de alocação.
Em síntese, o relatório propõe que o Bitcoin atingirá valores superiores a USD 1 milhão até 2027 se dois elementos se materializarem simultaneamente: crescimento exponencial da demanda e exaustão progressiva da oferta líquida. O preço projetado é função direta da interação entre esses vetores, e não do histórico de preço ou de métricas estatísticas tradicionais.
Entretanto, no que diz respeito ao ciclo atual, nosso principais indicadores on-chain e técnicos de ciclo continuam apontando a região entre US$ 170 mil e US$ 230 mil como faixa de preço possível para encontrarmos um topo local. Essa região pode oferecer resistências significativas no preço do bitcoin, gerando um cenário de insustentabilidade na estrutura de alta e possivelmente revertendo o mercado para uma fase de queda mais extensa.
Mesmo assim, é importante evidenciar que ainda não estamos nessa zona de alto risco de alocação dentro da estrutura do ciclo, deixando espaço para continuarmos subindo. Essa visão limita-se à dinâmica de preço deste ciclo, algo que pode ocorrer dentro dos próximos 6 a 12 meses, mas até 2027 é possível que o mercado já esteja no próximo ciclo extenso de alta e os valores apresentados no paper anterior permanecem em jogo.
Estrutura de Mercado de Curto Prazo
O Painel de Risco do BlockTrends PRO confirma a consolidação de um cenário otimista no curto prazo, com o Bitcoin sendo negociado a US$ 120.705 e mantendo o bull signal ativo no cruzamento com o Realized Price <1M, que está em US$ 110.441. Este é o 22º dia consecutivo de sinal positivo no modelo, reforçando a consistência da tendência de alta iniciada em junho.
A principal novidade nesta leitura é a confirmação da reversão estrutural nos três principais indicadores on-chain dos holders de curto prazo (STHs), com todos superando os topos anteriores e invalidando definitivamente o padrão de baixa iniciado em maio.
O SOPR (7DMA) atingiu 1,0191, o maior nível desde abril. Esse valor reforça a leitura de que os holders de curto prazo estão realizando lucros em uma estrutura saudável e, mais importante, com a linha azul rompendo claramente a sequência de topos descendentes — confirmando a reversão técnica do comportamento recente.
O NUPL dos STHs subiu para 0,0926, mantendo-se fora da zona de risco, mas avançando consistentemente. A tendência de alta agora é clara, com topos e fundos ascendentes, o que reforça o momento de acúmulo de lucros não realizados e o fortalecimento da base de curto prazo.
O MVRV dos STHs registrou 1,1584, ultrapassando o nível de 1,15 pela primeira vez desde março. Isso coloca a base recente de investidores com quase 16% de lucro não realizado, o que, apesar de elevado, ainda não sinaliza exaustão. O padrão técnico também confirma reversão com retomada de tendência ascendente.
No modelo de volatility squeeze, a compressão de volatilidade segue ativa, mas os preços já começam a se distanciar da faixa de congestão anterior. Isso pode antecipar um movimento de expansão mais acentuado nas próximas semanas, caso os sinais de fluxo e liquidez se mantenham positivos.
Resumo das métricas principais:
- Realized Price <1M: bull signal ativo há 22 dias consecutivos;
- SOPR STH (7DMA): 1,0191 – confirma reversão com sequência de topos e fundos ascendentes;
- NUPL STH: 0,0926 – em tendência de alta estável, sem sinal de euforia;
- MVRV STH: 1,1584 – lucros elevados, mas ainda dentro da zona técnica sustentável;
- Volatilidade: compressão ativa, com preço se afastando da zona de latência.
Estrutura de Mercado de Longo Prazo
Conclusões
Mesmo com o Bitcoin renovando máximas históricas, o mercado ainda apresenta fundamentos técnicos e on-chain compatíveis com a continuidade da tendência de alta. A ausência de sinais extremos de euforia nos mercados futuros, somada à persistente acumulação por parte das baleias e à dominância institucional, sustenta a tese de que ainda não atingimos um topo de ciclo.
A dinâmica de curto prazo segue favorável, mas com aumento gradual dos riscos de correção à medida que os preços avançam. Manter o monitoramento de métricas como funding rate, comportamento dos STHs e fluxos on-chain será essencial para evitar excessos de otimismo em uma fase que exige disciplina e sobriedade.
Enquanto os dados de mercado não apontarem desequilíbrios significativos, seguimos com viés construtivo. O cenário ainda oferece espaço para novos avanços antes de uma possível reversão estrutural.
#HODL













