Resumo
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O mercado de RWA já ultrapassou US$ 22 bilhões em ativos tokenizados em 2025 e pode chegar a US$ 40 bilhões até o fim do ano, superando todas as projeções iniciais;
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A tokenização de moedas fiduciárias, como USDT, USDC, BRL e EURC, foi o primeiro grande passo da tokenização on-chain e ainda representa a principal porta de entrada para novos usuários;
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As stablecoins são utilizadas como uma forma ágil e acessível de enviar e proteger valor em economias instáveis, driblando barreiras como burocracia bancária e impostos como o IOF;
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A Ethereum lidera o mercado de tokenização por priorizar a segurança no seu modelo de rede, fator fundamental para a entrada de players institucionais como BlackRock;
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A Solana vem se consolidando como alternativa viável para aplicações com foco em escalabilidade, alta performance e baixo custo, como a tokenização de ações;
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Exchanges como Kraken e Bybit estão assumindo o protagonismo no setor, ao permitir negociação de ações tokenizadas e outros ativos tradicionais dentro de seus ecossistemas cripto;
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As principais exchanges globais (Binance, OKX, Bitget) devem seguir o mesmo caminho em breve, tornando-se hubs financeiros que unem criptoativos, ações, ETFs, commodities e mais;
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O movimento de adoção é geracional, com millennials e Gen Z migrando para ativos digitais por buscarem mais autonomia, liquidez e oportunidades que o sistema financeiro tradicional já não oferece;
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O setor de RWA está se expandindo rapidamente para além de moedas e stablecoins, com destaque para a tokenização de ouro, títulos públicos, ações e, futuramente, seguros e heranças;
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A tokenização será uma das forças centrais de transformação do mercado financeiro, com impacto direto na estrutura dos bancos, corretoras e até nos modelos de distribuição de rendimento via contratos inteligentes.
Visão Geral
O mercado de RWA (Real World Assets) está em constante crescimento. Isso ocorre porque, apesar de já movimentar valores significativos, ainda é pequeno diante do seu potencial de transformação global. A proposta central desse setor é a tokenização de ativos do mundo real, e o primeiro grande passo foi justamente a tokenização de moedas fiduciárias como USDT, USDC, BRL e EURC.
Esse movimento ganhou tração a partir de 2020. Desde então, já são mais de US$ 235 bilhões em ativos tokenizados nas principais redes do ecossistema cripto, como Ethereum, Tron e Solana.
As stablecoins representam uma forma prática e eficiente de enviar “dólares digitais” para fora do país, de forma muito mais rápida e barata do que pelos bancos tradicionais. Além disso, elas permitem driblar entraves burocráticos e fiscais, como o recente aumento do IOF no Brasil.
Após a consolidação das stablecoins, observamos uma forte expansão na criação de tokens vinculados a protocolos DeFi, Web3 e até mesmo memecoins. Na sequência, o mercado de ativos tokenizados começou a se diversificar ainda mais, com destaque para o crescimento dos tokens lastreados em ouro e, mais recentemente, títulos públicos dos EUA, que agora podem ser adquiridos on-chain por investidores do mundo todo. E isso sem a necessidade de conta em banco, apenas com o uso de carteiras como Metamask, Phantom ou OKX Wallet.
Mais recentemente, estamos testemunhando o surgimento de projetos voltados para a tokenização de ações de empresas listadas em bolsas de valores. Esse movimento, somado à tokenização de moedas, commodities e títulos, tem o potencial de levar o mercado de RWA a um novo patamar.
É justamente sobre esse cenário promissor e os próximos passos dessa revolução que trataremos neste relatório.
A nova geração de investidores.
O Bitcoin representa uma ruptura geracional na forma como o dinheiro é entendido e utilizado. Sua crescente adoção entre os mais jovens não é coincidência; ela é impulsionada por fatores econômicos, tecnológicos e culturais que levam millennials e membros da Geração Z a rejeitar o sistema financeiro tradicional em busca de alternativas soberanas e descentralizadas. Para compreender esse fenômeno, é necessário examinar os seguintes pontos:
-O sistema financeiro construído pelos boomers;
-A crise de credibilidade do dinheiro fiduciário;
-A digitalização da economia e a cultura da descentralização;
-A busca por liberdade financeira e autonomia.
A geração dos baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) teve o privilégio de viver em um mundo onde o dinheiro mantinha um valor relativamente estável e onde as oportunidades financeiras eram abundantes. No pós-Segunda Guerra Mundial, o crescimento econômico foi impulsionado pela expansão industrial e por um sistema monetário relativamente sólido.
No entanto, em 1971, o então presidente dos EUA, Richard Nixon, rompeu com o padrão-ouro, permitindo que os governos passassem a emitir dinheiro sem lastro. Esse marco histórico deu início a um processo contínuo de desvalorização das moedas fiduciárias, com o aumento artificial da base monetária tornando-se uma ferramenta central para sustentar governos e mercados.
Os boomers se beneficiaram amplamente desse sistema, acumulando riqueza por meio da valorização dos imóveis, do crescimento do mercado de ações e de aposentadorias públicas sólidas. Porém, essa mesma estrutura criou uma bomba-relógio econômica que acabou sendo herdada pelas gerações seguintes.
Hoje, os millennials (1981–1996) e a Geração Z (1997–2012) enfrentam um cenário bem distinto:
-Salários que não acompanham a inflação;
-Preços de imóveis inflacionados e inacessíveis;
-Dívidas estudantis elevadas para uma educação que já não garante estabilidade;
-Aposentadorias incertas ou cada vez mais distantes.
Diante desse panorama, o sistema financeiro tradicional deixa de oferecer perspectivas reais de construção de riqueza e segurança. É nesse contexto que o Bitcoin se apresenta como uma alternativa viável, com sua proposta de escassez programada, descentralização e resistência à censura.
A nova geração quer negociar ativos que estejam disponíveis 24/7, sejam eles ações de empresas que compram Bitcoin, títulos públicos tokenizados para fins de diversificação, o próprio Bitcoin usado como colateral para empréstimos, ou stablecoins utilizadas como reserva em dólar digital.
O futuro aponta para a tokenização em massa de ativos: heranças, seguros de vida e até dividendos. É justamente para esse caminho que o mercado está se movendo — e é por isso que instituições como BlackRock, Grayscale e outras das maiores gestoras do mundo estão entrando nesse ecossistema.
É provável que a maioria dessas negociações não aconteça on-chain, mas sim por meio de corretoras e bancos tradicionais adaptados ao novo ambiente digital. Ainda assim, o impacto será transformador: maior liberdade, redução de custos operacionais e uma linguagem mais acessível ao usuário final.
Esse movimento está inserido no contexto de RWA (Real World Assets), setor que avança para a próxima etapa: ETFs tokenizados, ações tokenizadas, rendimentos distribuídos via contratos inteligentes e mercados financeiros integrados à lógica da Web3.
A adoção começa nas Stablecoins
Em movimentos como o recente aumento do IOF, percebemos que mesmo pessoas que nunca ouviram falar sobre o mercado de criptomoedas ou nunca demonstraram interesse por ele começam a buscar alternativas para driblar medidas autoritárias do governo. Nesse primeiro contato, muitas acabam encontrando nas stablecoins uma solução acessível e eficaz.
Foi exatamente isso que aconteceu em situações extremas, como no bloqueio do sistema SWIFT à Rússia, ou na Venezuela, onde cidadãos recorreram às stablecoins para proteger seu capital frente à hiperinflação e à brutal desvalorização dos bolívares.
O aprendizado sobre o Bitcoin e outros criptoativos costuma vir em um segundo estágio. Pense como um venezuelano: quando sua moeda perde mais de 50% do valor em apenas um ano, manter dólares sintéticos como USDT representa uma alternativa de proteção muito mais sólida. A perda cambial do dólar frente à inflação global torna-se quase irrelevante diante da volatilidade extrema da moeda local.
É por isso que, na maioria das vezes, as stablecoins são a porta de entrada para o mercado cripto. Hoje, mais de 50% desses ativos estão tokenizados na rede Ethereum, que se consolidou como a principal infraestrutura desse segmento.
Mas por que a Ethereum?
O mercado de tokenização prioriza, acima de tudo, a segurança. E no trilema das blockchains (descentralização, segurança e escalabilidade), a Ethereum historicamente optou por segurança. Essa escolha atraiu a atenção de players institucionais como a BlackRock, que buscam confiabilidade total em uma fase inicial tão crítica para a adoção.
Essas empresas estão tentando convencer acionistas e o mercado tradicional de que a tokenização de ativos é um caminho viável e seguro. Qualquer falha — seja um bug, erro de contrato ou brecha de segurança — poderia comprometer seriamente o avanço desse setor.
No futuro, é provável que a tokenização se expanda para redes como Solana, Avalanche e também para as soluções de segunda camada da própria Ethereum. Mas, neste primeiro momento, o mercado institucional não quer correr riscos desnecessários. E, por isso, a Ethereum segue sendo a força motriz por trás da infraestrutura de tokenização no ecossistema cripto.
As Exchanges serão os novos bancos
As exchanges de criptomoedas estão se posicionando de forma estratégica no mercado de tokenização de ativos, aproveitando sua infraestrutura digital para conectar investidores a uma gama cada vez maior de ativos tradicionais. Recentemente, a Kraken anunciou planos para oferecer, a clientes fora dos Estados Unidos, a negociação de ações dos EUA por meio de tokens representativos armazenados na blockchain Solana. A iniciativa será viabilizada em parceria com a empresa Backed, e marca um movimento importante na integração entre o mercado cripto e o mercado financeiro tradicional.
A escolha da Solana como rede base se deu por conta de sua alta performance, escalabilidade e baixos custos de transação — características fundamentais para garantir uma experiência eficiente e acessível ao usuário final. Com isso, a Kraken passa a oferecer ativos tokenizados com uma abordagem que alia a agilidade do mercado cripto à familiaridade dos ativos tradicionais.
Em paralelo, a Bybit também anunciou a expansão da sua oferta de produtos, permitindo agora a negociação direta de ações globais usando a stablecoin Tether (USDT). Entre os ativos disponíveis estão empresas como Apple, Meta, Tesla, Nvidia e Amazon. Esses ativos estarão acessíveis dentro da suíte Gold & Forex da plataforma, que também inclui negociação de ouro, petróleo, índices e pares de moedas — tudo isso sem exigir conversão para moedas fiduciárias.
Esse movimento sinaliza uma tendência clara: as exchanges cripto mais atentas ao futuro do setor estão liderando a integração entre ativos digitais e o mercado financeiro tradicional. Binance, OKX, Bitget e outras grandes plataformas devem seguir o mesmo caminho nos próximos meses, abrindo caminho para que a nova geração de investidores tenha acesso, dentro de um mesmo ecossistema, a ações, ETFs e outros instrumentos financeiros tokenizados.
Esse avanço também representa um risco crescente para instituições financeiras tradicionais que ainda não incorporaram a tokenização em suas estratégias e políticas de risco. A descentralização e a digitalização dos ativos estão remodelando o mercado, e as exchanges estão assumindo a dianteira nesse processo, atraindo capital, inovação e uma nova base de usuários que espera flexibilidade, agilidade e interoperabilidade entre os mercados.
O mercado de $40 bilhões no fim de 2025
No início de 2025, a maioria dos analistas estimava que o mercado de RWA (Real World Assets) on-chain alcançaria cerca de US$ 20 bilhões até o final do ano. No entanto, já ultrapassamos os US$ 22.7 bilhões em ativos tokenizados on-chain, e, mantendo esse ritmo de crescimento, é possível que o mercado supere os US$ 40 bilhões até o fim de 2025.
Mas quem se beneficia diretamente desse movimento?
Principalmente as redes de camada 1 envolvidas na tokenização desses ativos — com destaque para a Ethereum, que lidera esse segmento, e a Solana, que vem ganhando espaço como uma alternativa eficiente. Esse é um mercado com enorme potencial de crescimento, e mesmo que os tokens nativos dessas redes, como ETH e SOL, não estejam entregando a performance esperada no curto prazo, é importante destacar que essas blockchains estão capturando valor estrutural ao oferecer infraestrutura para ativos reais.
À medida que o mercado tradicional começa a migrar para o ambiente on-chain, a utilidade dessas redes tende a aumentar. E, com isso, ativos ligados à infraestrutura tecnológica do setor devem ganhar escala e, com o tempo, se tornar cada vez mais rentáveis. Trata-se de um movimento de médio e longo prazo, mas com fundamentos sólidos que apontam para a consolidação da tokenização como um dos principais vetores de crescimento do mercado cripto.









