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A oportunidade de um mercado incerto

Apesar da incerteza do mercado em relação às políticas monetárias do FED, liquidez deverá continuar subindo em 2025 e períodos de lateralização são momentos de oportunidade.

Resumo

  • 👉 Desde 2022, o Federal Reserve reduziu seu balanço patrimonial em cerca de US$ 2 trilhões por meio do aperto quantitativo (QT);
  • 👉 Em junho de 2024, o Fed desacelerou o ritmo do QT e indicou que poderá encerrar a redução quando as reservas bancárias atingirem um nível adequado;
  • 👉 A liquidação da Treasury General Account (TGA), atualmente em US$ 805 bilhões, injeta liquidez na economia, mas em menor escala do que o QE de 2021;
  • 👉 A Reverse Repo Facility (RRP), que chegou a um pico de US$ 2,6 trilhões, foi reduzida para os menores níveis dos últimos três anos;
  • 👉 Com menos liquidez absorvida pelo RRP e a continuidade da redução da TGA, há potencial para mais capital fluindo para ativos de risco como Bitcoin;
  • 👉 Para 2025, espera-se que o gasto da TGA seja parcial até março, com uma pausa durante a arrecadação de impostos em abril e possível nova injeção de liquidez no terceiro trimestre;
  • 👉 A estabilização do QT, a redução da TGA e o crescimento das stablecoins apontam para um ambiente financeiro em transição, beneficiando o Bitcoin no longo prazo;
  • 👉 O impacto dependerá das ações do Federal Reserve, da velocidade do gasto da TGA e da capacidade das stablecoins de atuarem como novos provedores de liquidez;
  • 👉 Jerome Powell afirmou que o Fed não pretende reduzir as taxas de juros rapidamente, indicando uma postura cautelosa enquanto a inflação segue acima da meta;
  • 👉 Apesar disso, a alta do Bitcoin e dos criptoativos não foi anulada, e a expansão da base monetária global pode continuar impulsionando os mercados;
  • 👉 A influência da China na liquidez global é relevante, com a oferta monetária chinesa crescendo 7,25% ao ano, ainda abaixo do necessário para estimular a economia;
  • 👉 O enfraquecimento do dólar, alinhado ao padrão observado no governo Trump, pode impulsionar o crescimento global da liquidez e beneficiar ativos de risco;
  • 👉 A atual consolidação do Bitcoin reflete a incerteza no mercado, mas as projeções indicam que a liquidez global continuará se expandindo em 2025;
  • 👉 O comportamento do ouro e o desempenho do PMI norte-americano indicam que a base monetária global deve continuar crescendo, favorecendo a valorização do Bitcoin.

Introdução

A liquidez global passa por uma transição importante, com o aperto monetário do Federal Reserve desacelerando enquanto novos fatores, como a redução da TGA, a exaustão do RRP e o crescimento das stablecoins, começam a influenciar os mercados. Diante desse contexto, é essencial compreender como a liquidez global deve se comportar nos próximos meses e quais serão seus efeitos nos mercados.

Embora o aperto quantitativo tenha restringido a oferta monetária nos últimos anos, sinais recentes indicam que a pressão sobre a liquidez pode começar a se aliviar gradualmente. Com um cenário de inflação ainda em moderação e uma economia resiliente, as decisões do Fed se tornam um fator crucial para determinar o ritmo dessa transição.

Neste relatório, analisamos como essas mudanças impactam o Bitcoin e outros ativos de risco, destacando oportunidades em meio a um cenário de política monetária ainda incerto.

Vamos lá!

 

Liquidez permanecerá relativamente restrita nos próximos meses, mas ainda positiva

O cenário monetário global está passando por mudanças significativas, refletindo a transição das políticas de aperto monetário para um ambiente onde novos fatores, como a redução da TGA, a exaustão do RRP e o crescimento do mercado de stablecoins, estão redefinindo o fluxo de liquidez. A interação desses elementos é fundamental para compreender os impactos nos mercados financeiros e, em especial, no Bitcoin.

A oportunidade de um mercado incerto

Nos últimos anos, o Federal Reserve tem reduzido seu balanço patrimonial através do aperto quantitativo (QT), que envolveu a não renovação de títulos vencidos e a retirada de liquidez do sistema financeiro. Desde junho de 2022, essa estratégia já drenou cerca de dois trilhões de dólares do mercado.

No entanto, dados recentes indicam que essa política está chegando ao seu limite. Em junho de 2024, o FED desacelerou o ritmo do QT e declarou que pretende encerrá-lo quando os saldos de reservas bancárias atingirem um nível adequado para a política monetária. Esse movimento sugere que a liquidez drenada nos últimos anos pode ser estabilizada ou até revertida parcialmente nos próximos meses.

A oportunidade de um mercado incerto

Paralelamente, a redução do saldo da Treasury General Account (TGA) está injetando liquidez na economia de maneira semelhante ao Quantitative Easing (QE). Com o teto da dívida dos EUA atingindo US$ 36 trilhões e sem novas emissões de títulos no curto prazo, o governo federal tem utilizado os recursos da TGA para financiar suas despesas. Atualmente, o saldo dessa conta está em aproximadamente US$ 805 bilhões, e sua liquidação progressiva devolverá esses recursos ao sistema bancário.

Historicamente, períodos de redução da TGA coincidiram com valorizações de ativos financeiros, incluindo o Bitcoin. Entretanto, essa injeção de liquidez será limitada quando comparada aos estímulos massivos de 2021, e seu efeito pode ser menos impactante se não houver uma expansão simultânea do balanço do FED.

Outro fator relevante é a exaustão do saldo da Reverse Repo Facility (RRP). Esse mecanismo, utilizado pelo Federal Reserve para absorver liquidez excessiva, atingiu um pico de US$ 2,6 trilhões, mas desde então foi reduzido para os níveis mais baixos em mais de três anos.

A oportunidade de um mercado incerto

A principal razão para essa redução é a preferência dos bancos e fundos de mercado monetário por títulos do Tesouro em vez de manter recursos parados no FED. Se essa tendência continuar e a liquidação da TGA persistir, há uma maior chance de que essa liquidez flua para ativos de risco, como o Bitcoin.

Entretanto, o ambiente atual se assemelha mais ao ciclo de 2017 do que ao de 2021, inclusive em oferta monetária que abordaremos abaixo. Em 2017, os gastos da TGA ocorreram de forma mais controlada, sem a presença de um QE massivo, resultando em uma valorização mais gradual do Bitcoin. Já em 2021, a injeção de liquidez foi abrupta, impulsionando uma alta exponencial do ativo.

Para 2025, é possível que o gasto do TGA seja parcial até março, com uma pausa durante o período de impostos em abril e uma possível nova injeção de liquidez no terceiro trimestre. Esse padrão reforça a hipótese de que o Bitcoin pode se beneficiar dessas mudanças, mas sem o mesmo impacto de 2021.

Além dos fatores tradicionais de liquidez, o crescimento do mercado de stablecoins está desempenhando um papel cada vez mais relevante na oferta de liquidez global. Stablecoins como Tether investem a maior parte de seus ativos em instrumentos altamente líquidos, como títulos do Tesouro de curto prazo.

A oportunidade de um mercado incerto

Embora esses ativos aumentem a liquidez disponível no mercado, sua capacidade de expandir o crédito é limitada, uma vez que não operam da mesma forma que os bancos tradicionais na criação de moeda via alavancagem de depósitos. Dessa forma, as stablecoins podem atuar como catalisadores para liquidez em mercados cripto e para alguns setores financeiros, mas não substituem completamente os mecanismos tradicionais de expansão do crédito.

A interação entre a estabilização do QT, a redução da TGA, a exaustão do RRP e a crescente participação das stablecoins no mercado sugere que o ambiente financeiro está em transição. O Bitcoin pode se beneficiar dessa mudança, especialmente se a liquidez continuar a se expandir no segundo semestre de 2025.

Contudo, o impacto dependerá das ações do Federal Reserve, do ritmo de gastos da TGA e da capacidade dos stablecoins de atuar como novos provedores de liquidez. O monitoramento contínuo desses fatores será essencial para antecipar os próximos movimentos do mercado, algo que faremos no BlockTrends PRO.

Em seu depoimento mais recente ao Comitê Bancário do Senado, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que “não precisamos ter pressa para ajustar nossa postura de política monetária“. Ele destacou que a economia dos EUA está “forte no geral”, com desemprego baixo e inflação ainda acima da meta de 2%. Powell enfatizou a importância de não reduzir a restrição monetária de forma muito rápida ou intensa, para não prejudicar o progresso no combate à inflação.

Essa postura cautelosa sugere que o Federal Reserve manterá sua política atual até que haja evidências mais concretas de que a inflação está caminhando de forma sustentável em direção à meta, algo que vimos que pode estar se afastando da meta com os 3% anunciados hoje. Entretanto, isto não significa que a continuação de alta no bitcoin e criptomoedas foi “cancelada”, algo que discutiremos a seguir.

 

Liquidez ficará relativamente restrita em 2025, mas ainda fluindo

Embora o Quantitative Easing (QE) não esteja no horizonte de curto e médio prazo, isso não implica que o Bitcoin e outros ativos digitais não possam continuar a se valorizar. Conforme analisado no último relatório, a dinâmica da atividade econômica nos Estados Unidos desempenha um papel fundamental no ciclo de mercado desses ativos.

A oportunidade de um mercado incerto

Mesmo sem uma expansão do balanço do Federal Reserve, essa variável não deve ser a única considerada para entender o comportamento do mercado em 2025. Em 2017, por exemplo, não houve QE; pelo contrário, o Fed estava conduzindo um processo de aperto monetário (QT), ainda que em menor escala do que o atual. No entanto, a oferta monetária global continuou em expansão, evidenciando que outros fatores de liquidez também influenciam os mercados.

A oportunidade de um mercado incerto

O balanço de ativos do Federal Reserve é apenas uma das ferramentas de política monetária, e seu impacto direto pode ser mitigado por outros instrumentos, como a injeção de liquidez via Reverse Repo (RRP) e o uso da Treasury General Account (TGA). Isso demonstra que, até o momento, a contração de crédito promovida pelo aperto quantitativo foi parcialmente compensada por essas fontes de liquidez.

A oportunidade de um mercado incerto

Para 2025, projetamos um cenário semelhante ao de 2017, no qual a liquidez cresce de forma mais moderada, mas ainda suficiente para sustentar a valorização de ativos financeiros, incluindo o Bitcoin. Embora esse contexto não represente o cenário mais favorável para um movimento exponencial de alta, ainda é um ambiente positivo para os mercados.

A oportunidade de um mercado incerto

Essa perspectiva reforça a tese de que a valorização do Bitcoin pode seguir de maneira mais alinhada com indicadores técnicos, como o Bitcoin Horizon Model, que sinaliza uma exaustão do ciclo de alta em torno dos US$ 156 mil. No entanto, a seletividade do fluxo de capital se tornará um fator determinante para os ativos digitais em geral. Com uma liquidez menos abundante do que em 2020-2021, o mercado cripto tende a se comportar de forma menos uniforme.

Dessa forma, acreditamos que a maior parte dos ativos digitais, exceto o Bitcoin, poderá apresentar um desempenho inferior ao esperado quando comparado ao último ciclo de alta. Com um entendimento mais amadurecido sobre o papel do Bitcoin, é provável que ele continue consolidando sua dominância no mercado, destacando-se cada vez mais em relação a outros criptoativos.

 

Liquidez fluirá em outras economias, não só nos EUA

O crescimento da liquidez monetária em 2025 não se dará somente nos EUA, por mais que seja a economia mais relevante. Algo que ainda consideramos em nossa análise é o impacto da China na estrutura de liquidez global, que se encontra num ponto de inflexão.

Nas últimas semanas, o índice do dólar (DXY) caiu mais de 2%, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo recuaram mais de 5%. Esse movimento reflete um padrão semelhante ao observado durante o primeiro ano do mandato de Donald Trump, indicando uma possível expansão da liquidez em 2025.

A oportunidade de um mercado incerto

Se essa tendência persistir, a expectativa é um crescimento expressivo do M2 tanto nos EUA quanto globalmente. As tarifas comerciais representam uma incerteza, mas historicamente não há evidências sólidas de que resultem em inflação significativa no curto prazo, embora possam trazer mais preocupações no longo prazo.

No caso da China, a inflação está estagnada em 0% ao ano, bem abaixo da meta oficial de 3%. A oferta monetária chinesa (M2) cresce a uma taxa de 7,25% ao ano, inferior ao nível necessário para estimular a economia e evitar uma recessão profunda.

A oportunidade de um mercado incerto

Desde 2021, o M2 dos EUA permaneceu praticamente inalterado, enquanto o da China cresceu 15,1%. No longo prazo (2000-2024), a expansão anual composta da base monetária foi de 6,3% nos EUA e 14,6% na China, ambos abaixo das médias históricas.

Além disso, é importante notar que esse processo de compra de ouro que a China está executando neste momento, pode ser entendido como uma prevenção ao processo de expansão de liquidez que já estão executando. Note que em 2025 o governo chinês retornou a acumular ouro, focando também em possuir uma menor dependência de ativos dolarizados.

A oportunidade de um mercado incerto

A principal conclusão é que um aumento substancial de liquidez está a caminho, liderado pela China e seguido pelos EUA, com ambos buscando enfraquecer suas moedas e absorver os impactos das tarifas comerciais. O enfraquecimento do dólar, alinhado ao padrão observado no governo Trump, pode impulsionar a expansão global do M2. Esse cenário tende a favorecer ativos de risco, especialmente criptoativos.

 

Conclusões

A atual consolidação de preços do Bitcoin reflete a incerteza predominante no mercado diante de uma política monetária cada vez mais complexa. Esse ambiente tem afastado parte dos investidores de varejo, que encontram dificuldades para entender por que tantos tokens apresentam um desempenho fraco, enquanto o Bitcoin permanece próximo da marca de US$ 100 mil.

A oportunidade de um mercado incerto

Além disso, a estrutura de liquidez diária monitorada pela CrossBorder Capital aponta para uma dinâmica lateralizada no índice, reforçando o cenário de consolidação e a falta de direcionalidade clara no curto prazo.

Apesar disso, nossas projeções indicam uma expansão de liquidez ao longo de 2025, e os principais indicadores on-chain de ciclo ainda não apontam para uma exaustão completa do mercado. Nesse contexto, os períodos de consolidação devem ser vistos como oportunidades estratégicas para reforçar posições em faixas de preço mais baixas dentro do canal de lateralização.

O comportamento recente do ouro, aliado ao desempenho do PMI norte-americano, sugere uma continuidade na expansão da base monetária global, ao mesmo tempo em que a atividade econômica nos EUA segue robusta. Essa combinação de fatores deve manter a pressão compradora sobre o Bitcoin, favorecendo a formação de novas máximas históricas nos próximos meses.

 

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