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A guerra comercial de Trump

Novas tarifas aumentaram a incerteza nas políticas econômicas dos EUA, mas clareza regulatória de ativos digitais e atividade econômica sustentada poderão sobrepor cenários pessimistas.

Resumo

  • 👉 A guerra comercial dos EUA impacta US$ 1,3 trilhão em comércio global, com tarifas de 25% sobre Canadá e México e 10% sobre a China;
  • 👉 43% das importações americanas foram afetadas, elevando preços de automóveis, petróleo e alimentos;
  • 👉 O México e o Canadá, altamente dependentes dos EUA, podem enfrentar recessões se as tarifas forem mantidas;
  • 👉 Os mercados reagiram negativamente, com quedas de 3% nos índices americanos e fortalecimento temporário do dólar;
  • 👉 O Fed pode ser pressionado a manter juros elevados se a inflação atingir 2,9%, restringindo a liquidez;
  • 👉 O governo americano discute a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin, reforçando seu papel no cenário global;
  • 👉 A desvalorização do dólar pode impulsionar a demanda por Bitcoin como reserva de valor e proteção contra inflação;
  • 👉 O PMI industrial acima de 50 sinaliza expansão econômica, historicamente favorecendo ativos de risco como o Bitcoin;
  • 👉 Institucionais seguem acumulando Bitcoin, enquanto pequenos investidores realizam lucros na fase de consolidação;
  • 👉 O ciclo de alta do Bitcoin ainda não mostra sinais definitivos de exaustão, mas a fase final pode estar se aproximando.

Introdução

A guerra comercial dos Estados Unidos com seus principais parceiros reacendeu tensões geopolíticas e impactou mercados globais. O aumento das tarifas já pressiona cadeias de suprimentos e encarece produtos essenciais, gerando incertezas para investidores.

Além disso, mudanças na regulação das stablecoins e o debate sobre uma possível reserva estratégica de Bitcoin indicam transformações estruturais nos mercados financeiros. Enquanto o comportamento do dólar e a política monetária do Federal Reserve seguem como fatores-chave, o impacto dessas dinâmicas moldará a trajetória dos ativos de risco, incluindo o Bitcoin, nos próximos meses e discutiremos isto no relatório de hoje.

Vamos lá!

 

Guerra Comercial força acordos entre países e agita o mercado

A guerra comercial entre os EUA e seus principais parceiros comerciais tomou uma nova proporção com o governo Trump impondo tarifas que impactam US$ 1,3 trilhão em comércio global. As tarifas sobre Canadá e México subiram para 25%, enquanto a China enfrenta um novo imposto de 10%.A guerra comercial de Trump

Como consequência, 43% de todas as importações americanas estariam sujeitas a tributações mais elevadas, elevando os custos de produtos essenciais como automóveis, petróleo e eletrônicos.

 

A elevação das tarifas sobre os principais parceiros comerciais dos EUA resulta em aumentos expressivos de preços para os consumidores americanos. Produtos como veículos, alimentos e eletrônicos estão entre os mais afetados. O México fornece mais de 60% dos produtos frescos consumidos nos EUA, enquanto o Canadá exporta US$ 97 bilhões em petróleo e US$ 80 bilhões em veículos para os americanos.

A guerra comercial de Trump

As novas tarifas podem elevar o custo médio de veículos em até US$ 3.000 e encarecer produtos essenciais como carne, frutas e gasolina.

A imposição dessas barreiras tarifárias pode reduzir o fluxo do comércio global, pressionando a economia americana e de seus parceiros. O México e o Canadá, que têm mais de 80% de suas exportações destinadas aos EUA, são altamente vulneráveis a esse movimento e podem enfrentar recessões caso as tarifas sejam mantidas. A China, por sua vez, indicou que adotará contramedidas, o que pode levar a uma nova escalada da guerra comercial.

Após o anúncio das tarifas, os mercados financeiros registraram quedas significativas. Os principais índices acionários americanos caíram cerca de 3%, refletindo preocupações com inflação e desaceleração econômica. O dólar americano se fortaleceu momentaneamente, impulsionado por menor demanda por moedas estrangeiras e por um fluxo reduzido de dólares para importações.

As tarifas funcionam como um imposto indireto, elevando os preços de bens e serviços importados. Isto pode acarretar inflação nos EUA atingindo 2,9% nos próximos meses, colocando o Federal Reserve em uma posição difícil. Se a inflação continuar subindo, o Fed pode ser forçado a manter os juros elevados, restringindo a liquidez nos mercados financeiros.

Por outro lado, se a economia desacelerar excessivamente, o governo pode recorrer a estímulos fiscais e monetários, aumentando a liquidez para evitar uma recessão. Essa é a dinâmica que precisaremos estudar com mais profundidade para entender como o bitcoin e criptomoedas serão impactados.

 

Retaliação Internacional e Consequências Globais

O Canadá anunciou logo em seguida tarifas retaliatórias de 25% sobre US$ 106 bilhões em produtos americanos. O México e a China indicaram que seguiriam o mesmo caminho, embora não tenham detalhado suas medidas. Pequim declarou que levará o caso à Organização Mundial do Comércio e implementará “contramedidas correspondentes”.

Entretanto, recentemente, Trump suspendeu temporariamente, por 30 dias, as tarifas de 25% sobre o Canadá e o México após negociações de última hora. O Canadá concordou em investir US$ 1,3 bilhão no fortalecimento da segurança fronteiriça, enquanto o México mobilizou 10.000 membros da Guarda Nacional para reforçar sua fronteira norte.

No entanto, as tarifas de 10% sobre produtos chineses permanecem em vigor. Em resposta, a China impôs tarifas adicionais de 10% a 15% sobre produtos americanos, incluindo carvão, gás natural liquefeito, petróleo bruto e automóveis de grande porte, além de iniciar uma investigação antimonopólio contra o Google e impor restrições à exportação de minerais estratégicos.

Apesar da suspensão temporária das tarifas sobre o Canadá e o México, a guerra comercial continua intensa, especialmente no confronto entre EUA e China. A incerteza gerada por essas disputas segue impactando os mercados financeiros e pode influenciar significativamente a economia global nos próximos meses.

 

A Estratégia por Trás das Tarifas: Um Novo Acordo Plaza?

Nos anos 1980, os EUA negociaram o Acordo de Plaza, que resultou na desvalorização do dólar para reequilibrar o comércio global. Agora, as tarifas podem estar sendo usadas como uma ferramenta para pressionar parceiros comerciais a reduzirem suas reservas em dólar e alongarem seus títulos da dívida americana. Isso ajudaria a desvalorizar o dólar sem que o Fed precise agir diretamente.

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O objetivo dessa estratégia pode ser criar um ambiente em que os juros de longo prazo caiam, impulsionando setores-chave da economia americana, como a manufatura e o setor imobiliário. Trump tem interesse direto na desvalorização do dólar porque isso tornaria as exportações americanas mais competitivas, beneficiaria suas bases eleitorais industriais e reduziria a carga da dívida pública.

Além disso, um dólar mais fraco melhora a posição da dívida dos EUA. Como o governo americano possui um endividamento elevado, a desvalorização da moeda reduz o peso real da dívida, já que os pagamentos futuros se tornam menos custosos em termos de poder de compra. Isso também favorece uma maior expansão fiscal, permitindo políticas de estímulo econômico sem grandes preocupações sobre um aumento no serviço da dívida.

Outro fator crucial é o impacto sobre os investimentos estrangeiros. Uma moeda desvalorizada torna os ativos americanos mais atrativos para investidores internacionais, incentivando a compra de empresas, imóveis e ações nos EUA.

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Isso pode gerar um fluxo de capitais que sustentaria os mercados financeiros e contribuiria para uma maior estabilidade econômica, especialmente em um cenário de incertezas geopolíticas. Inclusive, vale ressaltar que o fluxo contínuo de dólares para o mundo é de interesse dos Estados Unidos, assim continuam exportando sua inflação, enquanto mantém a hegemonia do dólar e demanda pelos seus títulos de dívida.

Por fim, há um componente político importante. Uma economia mais forte, impulsionada por um dólar mais fraco e por exportações crescentes, pode reforçar a base eleitoral de Trump, especialmente entre setores industriais e agricultores, que historicamente sofrem com um dólar muito valorizado. Em um ano eleitoral, essa estratégia pode ser decisiva para garantir apoio em estados-chave do meio-oeste e sul dos EUA.

A desvalorização do dólar pode beneficiar diretamente o Bitcoin, pois um dólar mais fraco aumenta a atratividade de ativos escassos e descentralizados. Historicamente, moedas fiduciárias que perdem valor impulsionam o investimento em alternativas que preservam poder de compra, e o Bitcoin tem se consolidado como um ativo de proteção contra a desvalorização monetária.

A guerra comercial de Trump

Com um dólar mais fraco, investidores institucionais e países podem buscar ativos que não sofram com manipulações monetárias e políticas expansionistas. O Bitcoin, sendo um ativo descentralizado e com oferta limitada, se torna um refúgio para aqueles que buscam segurança financeira. A redução da confiança no dólar pode levar governos e fundos a diversificar suas reservas, incluindo criptomoedas em suas carteiras.

Além disso, a maior liquidez no mercado resultante de políticas expansionistas pode impulsionar fluxos de capital para ativos especulativos e de alto retorno, como o Bitcoin. Em períodos de taxas de juros mais baixas e excesso de liquidez, o apetite por risco aumenta, favorecendo a valorização do Bitcoin.

Se o cenário de um dólar mais fraco se concretizar, o Bitcoin poderá ver um aumento na adoção institucional e governamental, consolidando-se ainda mais como uma alternativa viável ao sistema financeiro tradicional.

 

Dólar fraco precisa vir com manutenção da atividade econômica.

Toda esta estrutura precisa funcionar em conjunto de uma estabilização na atividade econômica dos EUA, uma vez que ativos financeiros, incluindo o bitcoin, são altamente correlacionados com a atividade de manufatura e produção. Para o cenário de dólar fraco se manter favorecendo a economia, será preciso adiantar a eventual desaceleração econômica que virá.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) é um dos indicadores econômicos mais relevantes para entender a dinâmica dos mercados financeiros e dos ativos de risco. Historicamente, existe uma relação direta entre a trajetória do PMI e o desempenho do Bitcoin, evidenciando que ciclos econômicos expansionistas favorecem ativos especulativos e voláteis.

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Atualmente, o PMI industrial dos EUA ultrapassou a marca de 50, um nível que indica crescimento na atividade manufatureira. Esse movimento sinaliza que a economia pode estar entrando em uma fase de expansão, após um longo período de desaceleração e incerteza. O Bitcoin, assim como outros ativos de risco, tem mostrado um padrão recorrente de valorização sempre que o PMI registra expansão sustentada.

Isso acontece porque a melhora do ambiente econômico reduz a percepção de risco sistêmico, encorajando investidores a alocar capital em ativos mais arriscados e com maior potencial de retorno.

A correlação entre o PMI e a valorização do Bitcoin se deve, em grande parte, à forma como a liquidez e o apetite ao risco variam ao longo do ciclo econômico. Durante períodos de crescimento, há maior otimismo no mercado, impulsionado pelo aumento da atividade econômica e por melhores expectativas para o consumo e o investimento. Esse cenário resulta em maior disponibilidade de capital para investimentos especulativos, favorecendo ativos que tradicionalmente atraem investidores mais tolerantes ao risco, como o Bitcoin.

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Além disso, o Bitcoin frequentemente alcança seus picos de valorização perto do topo dos ciclos do PMI, como vemos acima na variação de 12 meses. Esse padrão sugere que, à medida que o crescimento econômico se fortalece e o apetite ao risco se intensifica, há uma maior entrada de capital nos mercados de criptoativos, alimentando uma alta acelerada.

No entanto, quando o PMI atinge um pico e começa a se reverter, a tendência de valorização do Bitcoin também começa a perder força, muitas vezes antecipando quedas mais amplas nos mercados de risco.

Se a recuperação do PMI continuar nos próximos meses e confirmar um ciclo sustentável de expansão, o Bitcoin pode entrar um novo período de valorização significativa. Em um ambiente onde a economia cresce e a liquidez se mantém alta, ativos voláteis tendem a se beneficiar desproporcionalmente, reforçando a tese de que o Bitcoin atua como um ativo sensível à fase do ciclo econômico.

Se essa dinâmica se repetir, os próximos meses podem ver um aumento significativo no preço do Bitcoin, impulsionado pela melhora dos fundamentos macroeconômicos e pelo otimismo dos investidores. Entretanto, sabemos que eventualmente este ciclo irá reverter, o que causará o próximo bear market, mas este ainda não é um cenário próximo.

 

Volatilidade causa capitulação, mas estrutura on-chain se mantém

Após um pico de volatilidade significativo nesta segunda-feira, o volume de prejuízo realizado on-chain atingiu US$ 1,31 bilhão, marcando a maior onda de capitulação desde 5 de agosto do ano passado. Naquele episódio, o mercado também passou por um movimento expressivo de queda, resultando em liquidações forçadas nas exchanges e elevando substancialmente as perdas registradas on-chain.

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Historicamente, momentos de capitulação indicam um possível esgotamento da pressão vendedora on-chain. Embora não seja possível afirmar que o Bitcoin não enfrentará novas correções no curto prazo, a tendência sugere que qualquer queda adicional pode ser mais limitada, dado o impacto já absorvido pelo mercado.

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Um ponto relevante a ser observado é que a maior parte das perdas foi realizada por investidores de curto prazo, reforçando a saída de participantes menos convictos, conhecidos como “mãos fracas”. Esse comportamento é típico em momentos de maior volatilidade e, frequentemente, sinaliza uma transição de moedas para detentores de longo prazo, um fenômeno associado à maturação do ciclo de alta.

Apesar da forte liquidação, a estrutura de mercado permanece sólida dentro do atual intervalo de lateralização do Bitcoin. Enquanto não houver um rompimento significativo acima da resistência superior desse canal, o preço continuará oscilando entre US$ 90 mil e US$ 109 mil, mantendo a consolidação observada nos últimos meses.

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Outro fator importante é a composição dos fluxos de distribuição dentro desse canal. Pequenos investidores têm realizado lucros de maneira consistente desde novembro, quando o Bitcoin entrou em uma fase de consolidação mais evidente. Em contrapartida, as reservas de investidores institucionais seguem crescendo, apesar de uma leve pausa observada em dezembro. Esse comportamento reflete um interesse institucional ainda ativo no mercado, fortalecendo a demanda compradora por parte dos grandes players.

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Com base em padrões históricos, é possível que a próxima pernada de alta do Bitcoin seja uma das últimas dentro do atual ciclo de valorização. Observando a estrutura do ciclo on-chain vemos que, conforme nos aproximamos dos estágios finais do ciclo de alta, os riscos aumentam progressivamente, embora ainda não estejamos em um ponto de exaustão total do mercado. O monitoramento da dinâmica de oferta e demanda continuará sendo crucial para identificar sinais mais claros de um possível topo cíclico.

 

Conclusões

Embora a guerra comercial dos Estados Unidos tenha um papel central na estrutura econômica global neste momento, ela não é o único fator capaz de impactar a precificação do Bitcoin. A dinâmica de liquidez nos EUA pode ter um efeito ainda mais significativo sobre o preço do ativo, assim como as mudanças regulatórias em andamento.

A recente conferência de imprensa realizada por membros do governo norte-americano evidenciou uma crescente urgência na regulamentação das stablecoins. Além disso, destacou que uma das prioridades da agenda econômica inclui a discussão sobre a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin em solo americano.

Essas mudanças estão moldando a estrutura do futuro deste mercado, mas seus impactos não serão sentidos nas próximas semanas, e sim ao longo dos próximos anos. Independentemente da criação ou não de uma reserva estratégica de Bitcoin, sua valorização continuará sendo impulsionada pelos fundamentos matemáticos e pela crescente adoção global.

Diante desse cenário, seguimos confiantes na continuidade do atual ciclo de alta, embora permaneçamos atentos aos primeiros sinais de exaustão que inevitavelmente surgirão. Por ora, o mais importante é manter a paciência e aguardar a próxima pernada de valorização.

 

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