Resumo
- 👉 O varejo, historicamente conhecido por entrar no mercado após altas de preço, ainda é percebido como ausente no atual ciclo do Bitcoin, mas dados on-chain indicam maior atividade;
- 👉 O volume de movimentações on-chain do Bitcoin registrou um aumento de 108% nos últimos 30 dias, marcando a maior variação desde março deste ano;
- 👉 A entrada de capital no mercado foi impulsionada pelo aumento na oferta de stablecoins, que cresceu mais de US$ 7,8 bilhões no mesmo período, refletindo maior interesse na negociação de criptoativos;
- 👉 A demanda aparente no mercado subiu, evidenciada pela movimentação de bitcoins inativos há mais de um ano e pela emissão de novas moedas por mineradores, indicando pressão compradora;
- 👉 Durante as descobertas de preços, o mercado do Bitcoin apresenta alta lucratividade, com 98% da oferta circulante atualmente em lucro, refletindo euforia, mas sem conexão direta com topos de mercado;
- 👉 A euforia do mercado ocorre em ondas e é seguida por correções de curto prazo, permitindo que mais capital circule entre investidores e mantenha o ciclo de alta ativo;
- 👉 O indicador SOPR dos holders de curto prazo está em 1.04, revelando forte realização de lucros por pequenos investidores, mas ainda em níveis abaixo de topos históricos;
- 👉 A realização de lucros por investidores de curto prazo está sendo absorvida por empresas e instituições, sinalizando resiliência do mercado;
- 👉 A MicroStrategy anunciou a compra de 51.781 BTC, elevando suas reservas para mais de 331 mil BTC, o equivalente a cerca de US$ 30 bilhões, destacando seu papel central na acumulação de Bitcoin;
- 👉 O retorno das baleias on-chain, com carteiras acima de 1.000 BTC atingindo níveis próximos aos de 2021, reforça o alto interesse institucional no Bitcoin;
- 👉 Embora o mercado esteja em um estágio de euforia, indicadores sugerem que ainda há espaço para novas valorizações antes de atingirmos o topo do ciclo;
- 👉 Correções de preço podem ocorrer, mas representam oportunidades estratégicas de compra para investidores com visão de médio prazo;
- 👉 A estratégia de manter alocações em Bitcoin segue sendo respaldada por métricas e indicadores de mercado, reforçando o potencial de retornos positivos no ciclo atual.
Introdução
A entrada do varejo no mercado de Bitcoin, especialmente em momentos de máximas históricas, tem sido uma das discussões mais recorrentes entre a comunidade cripto nas últimas semanas. Historicamente, esses investidores, menos experientes e movidos por notícias de ganhos alheios, costumam entrar no mercado em momentos de pico de euforia, muitas vezes adotando o padrão clássico de “compra de topo”.
Embora o consenso recente fosse de que o varejo ainda não tivesse participado massivamente do ciclo atual, dados on-chain começam a indicar o contrário. Esse movimento sugere que o mercado pode estar entrando em um estágio mais avançado de euforia, caracterizado por um aumento expressivo nas negociações e na entrada de capital.
Neste relatório, exploramos os dados que indicam essa transição, como volumes on-chain recordes, o crescimento da oferta de stablecoins e a maior participação de investidores institucionais. Além disso, abordamos como esses fatores estão moldando a dinâmica do mercado e influenciando a perspectiva para o ciclo de alta do Bitcoin.
Vamos lá!
Com a chegada do varejo, bitcoin entra no estágio de euforia
Após uma sequência de novas máximas históricas na última semana, uma das grandes questões discutidas pela comunidade Bitcoin é a aparente ausência do varejo — ou seja, os investidores comuns — no mercado atual. Historicamente, esses investidores menos experientes tendem a entrar após altas de preço expressivas, impulsionados por notícias de ganhos de terceiros, o que frequentemente culmina no comportamento clássico de “compra de topo”.
Nos últimos dias, a ideia predominante tem sido de que esses participantes ainda não chegaram em peso ao ciclo atual, sugerindo que o mercado ainda pode estar distante de um possível topo. No entanto, dados on-chain recentes começam a contar uma história diferente.
Um dos primeiros indícios de maior atividade por parte de investidores comuns é o aumento expressivo nos volumes diários de negociação. Recentemente, o mercado registrou a maior variação de 30 dias desde março deste ano, com o volume de movimentações on-chain crescendo mais de 108%.
Esse crescimento nas transações on-chain está diretamente relacionado ao fluxo de capital que entrou no mercado por meio de stablecoins. Nos últimos 30 dias, a oferta de stablecoins lastreadas em dólar aumentou em mais de US$ 7,8 bilhões, evidenciando um cenário de maior interesse e participação na negociação de criptoativos.
Com o aumento das movimentações on-chain e do fluxo de entrada de capital, outro aspecto que tem se intensificado é a demanda aparente, medida pela relação entre a quantidade de bitcoin recém-emitida por mineradores e as moedas que estavam inativas por mais de um ano e voltaram a ser movimentadas. Essa dinâmica reflete a chegada de novos participantes no mercado, que trazem uma pressão compradora que só pode ser atendida pela venda de ativos e pela “troca de mãos” entre os investidores.
No entanto, o que realmente intensifica a euforia no mercado são os processos de descoberta de preços. Durante esses períodos, quando o Bitcoin atinge novas máximas históricas, praticamente não existem investidores operando em prejuízo. Uma maneira eficaz de observar esse fenômeno é monitorando o percentual da oferta circulante de Bitcoin que está em lucro.
Nesse contexto, utilizamos a faixa de 98% de lucratividade como um indicador mais claro dos estágios de euforia no mercado, quando quase todos os investidores estão obtendo ganhos. É importante destacar que, embora esse tipo de cenário ocorra nos momentos de alta mais intensa do preço do Bitcoin, ele não está necessariamente vinculado aos topos de mercado.
Isso acontece porque a euforia no mercado se manifesta em ondas, em vez de um único movimento. Durante os processos de descoberta de preços, o mercado passa por períodos de aquecimento seguidos de correções de curto prazo, permitindo que mais capital flua e troque de mãos, mantendo o dinamismo do ciclo de alta.
Por esse motivo, mesmo em meio às altas de preço, investidores de curto prazo frequentemente conseguem a “proeza” de venderem em prejuízo, devido às correções que ocorrem em intervalos de horas ou dias. Para medir o nível de euforia no mercado, outro indicador relevante é o SOPR (Spent Output Profit Ratio), que rastreia os momentos de realização de lucros (valores acima de 1) ou de prejuízos (valores abaixo de 1), focando aqui nas moedas com menos de 155 dias de inatividade.
Atualmente, o SOPR dos holders de curto prazo está em 1.04, o que indica uma forte venda por parte de pequenos investidores que estão aproveitando a alta para realizar lucros. Apesar desse alto nível de realização de lucros poder gerar correções de curto prazo no preço do Bitcoin, ele ainda não atingiu os patamares observados em outros topos históricos, sugerindo que há espaço para o mercado continuar subindo.
Além disso, é importante destacar que a realização de lucros por parte dos investidores de curto prazo está sendo absorvida de maneira consistente por empresas e investidores institucionais, o que reforça a resiliência do mercado, como será explorado nos tópicos seguintes.
“O homem que shortou a moeda fiduciária”
A adoção do BTC Yield como métrica de desempenho por empresas listadas em bolsa representa uma inovação significativa na forma como as corporações enxergam a gestão de tesouraria e geram valor para seus acionistas. Essa métrica, que avalia a proporção entre o número de Bitcoins mantidos pela empresa e o número total de ações diluídas em circulação, surge como uma resposta à crescente relevância do Bitcoin como um ativo estratégico no cenário corporativo.
Historicamente, as empresas utilizaram instrumentos financeiros tradicionais, como moeda fiduciária, títulos de dívida soberana e commodities, para preservar o valor de suas reservas. Contudo, as incertezas econômicas recentes, combinadas com a erosão do poder de compra causada pela inflação global, levaram à busca por alternativas mais eficazes e resilientes.
A pioneira nesta estratégia foi a MicroStrategy, demonstrando o potencial transformador do Bitcoin na gestão de tesouraria ao alocar grandes porções de suas reservas nesse ativo digital e obter retornos significativamente superiores às estratégias tradicionais. Inspiradas por esse modelo, empresas como a Metaplanet e Semler Scientific avançaram para também incorporar o BTC Yield como indicador-chave de desempenho.
Essa métrica reflete de maneira transparente a eficácia da estratégia de acumulação de Bitcoin e estabelece um vínculo direto entre as reservas digitais da empresa e o retorno gerado por ação.
Nesta semana, a MicroStrategy realizou mais um grande movimento de acumulação de Bitcoin, anunciando a compra de 51.781 BTC — a maior aquisição já feita pela empresa em um único anúncio. Com isso, as reservas de Bitcoin da MicroStrategy ultrapassaram 331 mil BTC, o equivalente a cerca de US$ 30 bilhões no valor atual de mercado.
Michael Saylor, o estrategista por trás dessa abordagem agressiva de acumulação de Bitcoin, poderá ser lembrado nos próximos anos como “o homem que shortou a moeda fiduciária”. No entanto, essa estratégia pode gerar um efeito colateral importante: a centralização de uma parte significativa da oferta de Bitcoin em uma única instituição. Saylor já declarou sua intenção de transformar a MicroStrategy em um “Banco Bitcoin”, acumulando grandes volumes da criptomoeda. No entanto, esse movimento reduz a quantidade de Bitcoin disponível no mercado para outras instituições e investidores.
Por outro lado, estamos testemunhando o retorno das baleias on-chain neste ciclo. O número de investidores institucionais com mais de 1.000 BTC em reservas está se aproximando das máximas registradas em 2021, durante o último bull market. Apesar de algumas correções de curto prazo nesse indicador, o nível atual reforça que o interesse institucional permanece elevado, mesmo com os preços do Bitcoin em alta.
Esses movimentos são indicadores importantes de que a confiança institucional no Bitcoin ainda é forte. Contudo, será crucial monitorar possíveis quedas significativas nesse indicador, já que elas podem sinalizar uma redução na confiança de mercado por parte das instituições — um fator que poderia influenciar negativamente o ciclo atual.
Conclusões
Com o atual nível de euforia no mercado, as buscas por termos relacionados a Bitcoin e criptomoedas em redes sociais e sites de pesquisa atingiram novas máximas. Esse aumento de interesse cria um cenário de maior instabilidade e volatilidade, mas ainda não indica a finalização do ciclo de alta.
Nossos indicadores continuam sinalizando espaço para novas valorizações do Bitcoin, conforme abordamos no relatório da semana passada aqui no BlockTrends PRO. Contudo, é fundamental lembrar que períodos de alta euforia frequentemente trazem correções significativas nos preços, o que tende a impactar negativamente investidores inexperientes, que podem sofrer perdas financeiras nesse processo.
Nossa visão permanece clara: esses momentos de correções representam boas oportunidades para compras estratégicas, especialmente para quem está focado em um horizonte de médio prazo. Apesar de já não estarmos na melhor região de compra do ciclo, conforme indicado pelo SOPR Ajustado (que analisa todas as moedas da rede), ainda não atingimos a zona de maior risco, que caracterizará o momento ideal para saída do mercado.
Por enquanto, acreditamos que manter alocações em Bitcoin pode continuar gerando retornos positivos. Essa convicção é refletida diretamente em nossa estratégia de investimento e posicionamento atual.
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