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Trump é eleito, bitcoin faz nova máxima e reunião do FED deve impactar

Com a vitória republicana nos EUA, mercados reagem positivamente a uma possível postura governamental mais favorável ao bitcoin, mas indicadores macro poderão ter ainda mais importância no preço.

Resumo

  • 👉 Donald Trump foi oficialmente eleito presidente dos EUA em 6 de novembro, e o Bitcoin atingiu um novo recorde de US$ 75.407,10 em resposta ao otimismo com suas políticas pro-cripto;
  • 👉 O mercado está otimista com as promessas de Trump, refletidas no recente aumento de preço do Bitcoin, conforme previsto pelo BlockTrends PRO.
  • 👉 O FOMC deve reduzir a taxa de juros em 25 pontos-base esta semana, mas um possível fim do aperto quantitativo (QT) do Fed pode ter maior impacto no mercado;
  • 👉 Encerrar o QT aumentaria a liquidez do Fed, beneficiando ativos de risco, mas ainda não há clareza sobre a proximidade desse fim;
  • 👉 A SOFR, uma taxa-chave de financiamento, ultrapassou recentemente o limite superior da faixa do Fed, indicando tensões de liquidez;
  • 👉 A liquidez disponível no Reverse Repo caiu para US$ 171 bilhões, e o FED considera a proximidade desse nível como um possível sinal para encerrar o QT;
  • 👉 As reservas bancárias caíram brevemente para menos de 11% do PIB após o último FOMC, um nível que pode determinar o fim do QT, conforme declarações do Fed;
  • 👉 A dívida pública dos EUA alcançou US$ 36 trilhões, impulsionada pela emissão de títulos públicos, criando um ciclo de monetização da dívida;
  • 👉 Ambos os partidos planejam continuar com altos gastos públicos, perpetuando a dominância fiscal e gerando mais dívida e dinheiro, diluindo o poder de compra;
  • 👉 A expansão monetária continuará, fazendo do Bitcoin uma alternativa viável para combater essa “tributação silenciosa” da inflação;
  • 👉 Prevemos nova expansão de liquidez com a emissão de dívida nos próximos meses, e outra possível suspensão do teto da dívida em janeiro, favorecendo os mercados, mas penalizando os cidadãos.
  • 👉 Desde agosto, esperávamos uma tendência de alta no quarto trimestre de 2024, e o recente comportamento do preço confirma essa projeção;
  • 👉 Acreditamos que o mercado atingirá um pico em 2025, marcando o fim do ciclo de expansão, seguido por uma possível correção prolongada;
  • 👉 O Bitcoin Horizon Model indica um topo projetado superior a US$ 146.900, sugerindo espaço para mais valorização antes de uma necessidade de saída do mercado;
  • 👉 A projeção do modelo apoia a manutenção de posições no Bitcoin, aproveitando as tendências de alta e se posicionando estrategicamente para capturar valorização futura.

Introdução

O recente anúncio da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024 já está movimentando o mercado de criptomoedas, com o Bitcoin atingindo uma nova máxima histórica de US$ 75.407,10. Essa alta é uma resposta ao otimismo em torno das políticas pro-Bitcoin prometidas por Trump durante sua campanha, que incluem ambições de posicionar os Estados Unidos como a “superpotência mundial do Bitcoin”.

Dentro desse cenário, abordaremos neste relatório as possíveis implicações dessa vitória para o mercado cripto, analisando tanto as propostas de Trump quanto os movimentos esperados do Federal Reserve, que pode indicar um novo caminho em sua política monetária.

Além do impacto político, este relatório traz uma análise da recente valorização do Bitcoin, projetando as tendências para o último trimestre de 2024. Avaliaremos também o papel do déficit fiscal no contexto econômico dos EUA e suas repercussões para o Bitcoin, visto como uma alternativa ao dólar em meio a uma provável expansão monetária. Com isso, apresentamos nossas projeções para o Bitcoin, baseadas em ciclos de mercado e indicadores como o Bitcoin Horizon Model, sugerindo oportunidades de alocação estratégica para o futuro.

Vamos lá!

 

Trump é eleito, quais as implicações para o bitcoin?

Donald Trump foi oficialmente anunciado como vencedor das eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2024 no dia 6 de novembro. Em resposta a essa notícia, o Bitcoin atingiu um novo recorde histórico de US$ 75.407,10 e acabou impulsionado pelo otimismo do mercado em relação às políticas favoráveis ao setor cripto que Trump prometeu implementar.

Trump, durante sua campanha, fez promessas ambiciosas em relação ao Bitcoin e aos criptoativos, comprometendo-se a tornar os EUA a “capital cripto do planeta” e a “superpotência do Bitcoin no mundo”. Um dos pontos centrais de sua agenda é a criação de uma reserva estratégica nacional de Bitcoin, utilizando parte das reservas de Bitcoin já mantidas pelo governo dos EUA. Essa proposta se alinha com a ideia da senadora Cynthia Lummis, que sugeriu que o governo americano adquira um milhão de BTC para fortalecer as reservas digitais do país.

Além de acumular reservas de Bitcoin, Trump também propõe estabelecer um “conselho consultivo presidencial para Bitcoin e criptoativos” para fornecer orientação regulatória e promover a inovação no setor. Ele prometeu bloquear qualquer tentativa do Federal Reserve de lançar uma moeda digital do banco central (CBDC), citando preocupações com a privacidade e a centralização do controle financeiro.

Trump é eleito, bitcoin faz nova máxima e reunião do FED deve impactar

Outro ponto-chave da estratégia de Trump para o setor cripto é o apoio à mineração de Bitcoin, que ele vê como uma oportunidade para fortalecer a produção de energia doméstica e gerar empregos, alinhando-se com suas políticas econômicas mais amplas. Além disso, ele pretende trazer clareza regulatória para as stablecoins, incentivando uma expansão segura e responsável no sistema financeiro.

Trump se comprometeu a defender o direito dos indivíduos à autocustódia de ativos digitais, reforçando a importância da soberania financeira pessoal. Em um movimento que deve agradar a comunidade cripto, ele planeja destituir o presidente da SEC, Gary Gensler, e nomear reguladores mais abertos ao setor, o que pode sinalizar uma mudança significativa no cenário regulatório e reduzir as pressões sobre empresas de cripto que têm enfrentado dificuldades com a administração atual.

Outro compromisso notável de Trump é a concessão de perdão a Ross Ulbricht, criador do Silk Road, um mercado dark web. O caso de Ulbricht é controverso na comunidade cripto, com muitos defendendo sua libertação sob a justificativa de que sua sentença foi excessiva.

O recente movimento de preço do Bitcoin reflete o otimismo do mercado em relação a essas mudanças potenciais de políticas, algo que já sinalizamos anteriormente nos relatórios do BlockTrends PRO.

 

FED próximo de finalizar aperto quantitativo em mais uma queda de juros

O mercado espera praticamente com certeza que o FOMC desta semana traga um corte de 25 pontos-base na taxa de juros. Mas, mais do que essa medida, o que poderia realmente transformar a dinâmica do mercado é se o Fed der algum indício sobre o fim do aperto quantitativo (QT, movimento de redução dos ativos no balanço do Banco Central).

Encerrar o QT seria uma mudança significativa, aumentando a liquidez do FED e criando um ambiente potencialmente positivo para ativos de risco em geral. Seria um sinal claro de que o “comando do FED” fez a transição de uma postura de aperto para um ciclo de flexibilização.

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Porém, enquanto alguns sinais indicam que a liquidez geral está ficando mais apertada, ainda é incerto se o fim do QT está realmente próximo.

Desde a última reunião do FOMC, o mercado de financiamento tem mostrado sinais de tensão e de uma liquidez mais restrita. O índice SOFR, uma taxa de financiamento essencial nos EUA, ultrapassou o limite superior da “faixa de taxas do Fed” durante o aperto de liquidez do fim do trimestre, entre setembro e outubro. Recentemente, a SOFR voltou a subir, mas permanece dentro do limite.

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Em uma situação ideal, a SOFR deve permanecer dentro do corredor estabelecido pelo Fed, sem ultrapassar o limite superior. Embora ainda não seja motivo para pânico, o Fed está atento ao comportamento da SOFR e certamente deseja evitar que ela permaneça acima do limite superior por um período prolongado.

A possibilidade de que a SOFR apresente problemas semelhantes no final do quarto trimestre é grande, caso as condições de liquidez não melhorem. Mesmo que o problema seja menor, o FED pode correr o risco de exagerar no aperto ao manter o QT, potencialmente desestabilizando o mercado.

Essa situação relembra a crise de liquidez de 2019, quando a SOFR disparou de maneira acentuada, provocando uma crise no mercado de reverse repo e forçando o FED a interromper o QT abruptamente e a voltar a expandir a liquidez com um leve QE.

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Outro ponto importante de monitoramento é a quantidade de liquidez disponível no Reverse Repo, que atualmente está em um nível muito baixo. Restam apenas US$ 171 bilhões em um mecanismo que já chegou a abrigar mais de US$ 2,5 trilhões.

Vários membros do Fed já comentaram que o Reverse Repo se aproximando de zero pode ser um sinal para reavaliar o QT. Embora ainda não estejamos no “nível de perigo”, estamos nos aproximando rapidamente.

No entanto, não está claro se o Reverse Repo realmente chegará a zero ou se ele atingirá um valor de “piso”, mantendo uma quantia mínima.

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Outro ponto relevante é o nível das reservas bancárias, que após o último FOMC caiu brevemente para menos de 11% do PIB, subindo ligeiramente depois disso.

O Fed já indicou em várias ocasiões que as reservas bancárias em relação ao PIB são uma das principais métricas para decidir quando encerrar o QT. Relatórios e comentários dos membros do Fed sugerem que o fim do QT deve ocorrer quando as reservas estiverem entre 9% e 11% do PIB.

Na reunião mais recente do FOMC em setembro, Jerome Powell afirmou que o QT continuaria “por um tempo”, mesmo com o Fed reduzindo as taxas de juros em 50 pontos-base. Powell declarou que:

“As reservas ainda são abundantes e devem permanecer assim por algum tempo.

“Não estamos pensando em parar a redução, sabemos que essas coisas podem acontecer paralelamente (QT e cortes de taxa).

“Por algum tempo, você pode ter o balanço encolhendo e também estar reduzindo as taxas.”

Essas declarações, porém, foram feitas antes dos problemas recentes da SOFR e da queda temporária das reservas bancárias para abaixo de 11% do PIB.

Embora estejamos mais perto do que nunca do fim do QT, talvez ainda não estejamos lá. Normalmente, o Fed sinaliza o fim de uma política antes de efetivamente implementá-la, como aconteceu com o taper do QT no início do ano. Como ainda não houve nenhuma indicação clara, é provável que o fim do QT não aconteça nesta semana, mas pode haver um sinal nas declarações do FOMC na quinta-feira.

Trump é eleito, bitcoin faz nova máxima e reunião do FED deve impactar

No geral, vale lembrar que, o nível de liquidez do FED permanece em queda desde março, embora com uma leve recuperação de curto prazo que acabou favorecendo o bitcoin nas últimas semanas. A sinalização de uma finalização do Aperto Quantitativo indicaria o aumento das reservas bancárias no FED, número este que faz parte substancial do indicador de liquidez do dólar.

 

Déficit: o verdadeiro vencedor das eleições nos EUA

Independentemente de quem venceu as eleições de ontem, o verdadeiro destaque dessa disputa é o elevado nível de déficit fiscal mantido pelo governo norte-americano. E, nessa dinâmica, quem acaba arcando com o custo é o pagador de impostos.

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Atualmente, a dívida pública dos EUA já alcança os US$ 36 trilhões ou 120% do PIB, valor que foi ampliado pela emissão contínua de títulos públicos para captar capital, substituindo recursos que não foram obtidos por meio de impostos. Esse processo de criação de títulos é fundamental para a monetização da dívida e influencia diretamente os níveis de liquidez do mercado financeiro.

Esse fenômeno, conhecido como dominância fiscal, é perpetuado por ambos os partidos que concorrem nas eleições, já que ambos pretendem manter os níveis de gastos públicos elevados. O déficit gerado pela insuficiência de receitas para sustentar os serviços públicos resulta em mais criação de dívida e, consequentemente, mais criação de dinheiro, reiniciando o ciclo.

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Esse ciclo leva ao aumento da oferta monetária em circulação, diluindo o valor das unidades já existentes e reduzindo o poder de compra da população. Assim, apesar da vitória de Trump, o cenário de expansão monetária deverá persistir, e o Bitcoin surge como uma alternativa viável para combater esse “imposto silencioso” sobre o poder de compra.

Dessa forma, nossa expectativa é que, nos próximos meses, haverá uma nova expansão de liquidez impulsionada pela emissão de dívida. Além disso, em janeiro, é provável que tenhamos outra suspensão do teto da dívida, o que criará um evento de liquidez positiva para os mercados, mas penalizará, de modo geral, a população.

Trump é eleito, bitcoin faz nova máxima e reunião do FED deve impactar

É importante notar que o histórico de preço do bitcoin, independente do partido que esteve governando nos EUA, foi bastante positivo até a eleição seguinte. Dito isto, é possível que nunca mais vejamos o preço ser negociado no mesmo patamar que estava antes de ontem, com base nos últimos eventos similares.

Apesar da possibilidade de uma correção significativa iniciar em 2025 ou 2026, o potencial de valorização nos próximos quatro anos ainda se mostram favoráveis para uma continuação de alocação e negociações estratégicas no Bitcoin. Em breve devemos entrar na fase mais intensa do ciclo de alta e estar posicionado será crucial para capturar esta valorização.

 

Conclusões

O Bitcoin atingiu ontem, e novamente hoje, novas máximas históricas. Essa valorização no preço, que está impactando não apenas o Bitcoin, mas também outras criptomoedas, já era antecipada por nós. Por isso, não há novidades significativas a serem abordadas neste relatório em termos de condições técnicas e análises on-chain.

Tudo permanece conforme previsto nos relatórios anteriores do Blocktrends PRO, e as perspectivas da estrutura fundamental da rede, através da análise on-chain, continuam alinhadas com o que vínhamos relatando nas últimas semanas. Desde agosto, nossa expectativa era que o preço do Bitcoin entrasse em uma tendência de alta mais significativa a partir do último trimestre de 2024, saindo da faixa de queda e lateralização observada desde março. Como podemos ver nas últimas semanas, foi exatamente isso que ocorreu.

O Bitcoin atingiu recentemente uma nova máxima histórica, superando os US$ 75.000, impulsionado pela vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA. Essa valorização era prevista em nossos relatórios anteriores, que indicavam uma tendência de alta mais acentuada no último trimestre de 2024.

A análise on-chain e os fundamentos da rede permanecem sólidos, alinhados com nossas expectativas. Desde agosto, projetávamos que o Bitcoin sairia de uma fase de queda e lateralização, iniciada em março, para uma tendência de alta significativa no quarto trimestre de 2024. Os eventos recentes confirmam essa projeção.

Mantemos uma perspectiva otimista para o longo prazo, embora seja provável que o mercado atinja um pico em algum momento de 2025, marcando o fim do ciclo de expansão atual e o início de uma correção que pode durar até um ano ou mais. Considerando o ciclo de mercado de quatro anos, é esperado que, ao nos aproximarmos das próximas eleições, o preço do Bitcoin esteja significativamente mais alto do que o atual, reforçando a importância de se posicionar estrategicamente com base nos ciclos de mercado.

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O Bitcoin Horizon Model é uma ferramenta analítica desenvolvida para auxiliar investidores a identificar os momentos mais oportunos para entrada e saída no mercado de Bitcoin, com base nos ciclos de mercado. Atualmente, o modelo projeta um preço de topo superior a US$ 146.900, indicando que o valor atual do Bitcoin ainda está significativamente abaixo desse patamar.

Essa projeção sugere que há potencial para uma valorização considerável antes que o modelo sinalize a necessidade de reduzir a exposição ou realizar uma estratégia de saída. Portanto, de acordo com o Bitcoin Horizon Model, o mercado ainda não atingiu um ponto de saturação, e os investidores podem considerar manter ou até aumentar suas posições, alinhando-se às tendências de alta previstas.

 

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