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Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Crescimento da oferta monetária e estímulos de liquidez na China poderão impulsionar o bitcoin e trazer um final de ano positivo, mas ainda não é o momento de FOMO.

Resumo

Crescimento da oferta monetária e estímulos de liquidez na China poderão impulsionar o bitcoin e trazer um final de ano positivo, mas ainda não é o momento de FOMO.

Introdução

Neste relatório iremos explorar a recuperação recente na atividade on-chain do Bitcoin, destacando um aumento nos endereços ativos e uma reversão na tendência de variação de 30 dias, que pode estar sinalizando uma recuperação da demanda.

A análise também irá focar nas implicações desse movimento de retorno de demanda para o preço do Bitcoin, especialmente considerando a correlação da criptomoeda com a liquidez global, que pode ser um fato gerador de demanda.

Adicionalmente, o texto discutirá como mudanças nas políticas monetárias globais, incluindo o afrouxamento monetário em grandes economias como a China e os EUA, podem influenciar o preço do Bitcoin nos próximos meses e como poderemos nos posicionar nesse cenário.

Vamos lá!

Atividade on-chain aumenta e pode sinalizar retorno de demanda

Nas últimas semanas, observamos uma melhora significativa nos fundamentos on-chain do Bitcoin, principalmente em relação ao aumento no número de endereços ativos e à recuperação da variação de 30 dias dessa métrica. Esse aumento na atividade pode ter sido um dos fatores que impulsionaram a recente alta no preço do Bitcoin, que começou após a queda para a faixa de US$52.500 no início de setembro e já acumula uma valorização superior a 23%, com o preço se aproximando de US$65.000.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Esse aumento na atividade dentro da rede pode estar relacionado a uma percepção de mudança no cenário macroeconômico global, mas ainda não se traduz em um movimento de euforia completa, o que é evidenciado pela quantidade de reservas dos holders de curto prazo. É importante destacar que a variação nas reservas de holders de curto prazo reflete diretamente o nível de euforia do mercado.

Historicamente, períodos em que há uma reversão na tendência de queda nas reservas de holders de curto prazo — medida pela variação de 30 dias — para uma tendência de alta são acompanhados por uma recuperação no preço do Bitcoin. Desde março, observamos uma queda acentuada nessas reservas, sinalizando o ambiente de aversão ao risco que dominou os últimos meses.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

No entanto, mais recentemente, já começamos a ver uma mudança nessa dinâmica. As reservas de holders de curto prazo, que chegaram a cair mais de 400 mil moedas na variação de 30 dias no início de setembro, agora apresentam um declínio menos acentuado, sugerindo uma possível inversão da tendência de demanda. Isso pode indicar um movimento inicial de recuperação no interesse de curto prazo, algo que merece atenção nas próximas semanas.

Bitcoin é altamente correlacionado com liquidez

Para uma análise sobre a liquidez global, uma métrica amplamente utilizada é o M2 global, que inclui moeda física, contas correntes, depósitos, títulos de curto prazo e outras formas de dinheiro prontamente acessível. O M2 global, que medimos pelo Tradingview, agrega dados das 21 maiores economias do mundo, capturando a criação de crédito e emissão monetária por parte dos bancos centrais. Como é medido em dólares, a flutuação da moeda norte-americana afeta diretamente os resultados.

Essa denominação em dólares é essencial porque o dólar é a principal moeda de reserva global, usada em contratos, dívidas e transações internacionais. A força do dólar impacta o peso das dívidas de várias nações, e a medição de M2 global reflete tanto a criação de crédito quanto a força relativa do dólar.

Existem outras formas de medir liquidez, como o mercado de dívidas de curto prazo e swaps de câmbio, mas neste contexto, utilizamos M2 global como sinônimo de liquidez.

A nossa principal visão tem sido de que o bitcoin é uma “esponja de liquidez”, uma vez que sua precificação tende a estar altamente correlacionada com mudanças na liquidez global. Quando há expansão de liquidez, o Bitcoin tende a se valorizar; por outro lado, quando há contração, ele frequentemente sofre. Essa sensibilidade coloca o Bitcoin como um possível ativo mais diretamente ligado à liquidez global do que outros.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Comparado a outros ativos, o Bitcoin pode oferecer uma das correlações mais puras com a liquidez global. Ativos de risco como ações também reagem positivamente à liquidez, mas são influenciados por outros fatores, como lucros, dividendos e fluxos passivos de capital.

O ouro, por exemplo, tem um comportamento misto, beneficiando-se de maior liquidez, mas também atuando como um porto seguro durante crises, o que pode dissociá-lo da liquidez direta. Já os títulos tendem a ter uma correlação baixa com a liquidez devido à sua natureza defensiva.

O Bitcoin se destaca por não depender de dividendos ou estruturas institucionais. Por ser amplamente visto como um ativo de risco durante esta fase de adoção, ele tem uma correlação mais direta com a liquidez global do que ações, ouro ou títulos.

A correlação entre o Bitcoin e a liquidez global, embora forte, não garante que ambos os ativos se movam sempre na mesma direção, especialmente devido à alta volatilidade do Bitcoin em comparação com o M2 global. Analisar a magnitude e a direção dessa correlação oferece uma visão mais completa da relação ao longo do tempo.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

No longo prazo, o Bitcoin se move na mesma direção que a liquidez global em 83% dos períodos de 12 meses e em 74% dos períodos de 6 meses, destacando a consistência dessa relação. Mesmo que a força da correlação possa variar com o tempo, o alinhamento direcional do Bitcoin com a liquidez global é bastante sólido em prazos mais longos.

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Esse alinhamento consistente reforça a ideia de que o Bitcoin é mais sensível às condições de liquidez global do que outros ativos tradicionais. Para investidores, isso significa que a liquidez global é provavelmente um fator-chave para o desempenho do preço do Bitcoin no longo prazo e deve ser considerado na avaliação de ciclos de mercado e previsões futuras.

Para traders, o Bitcoin oferece um veículo altamente sensível para expressar visões sobre a liquidez global, tornando-o uma escolha ideal para aqueles com fortes convicções sobre a direção da liquidez.

Por outro lado, precisamos frisar novamente que existem outros métodos para calcularmos a liquidez que pode afetar o bitcoin, principalmente em períodos temporais mais curtos. Enquanto a liquidez medida pela base monetária global tende a ter um impacto mais de longo prazo, a liquidez direcionada nos balanços de ativos dos principais Bancos Centrais, em especial nos EUA, tende a ter um impacto maior.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Atualmente, a liquidez do Banco Central norte-americano possui um nível de correlação de curto prazo muito maior, como podemos notar ao compararmos a variação de preço do Bitcoin e o FED Net liquidity. Além disso, podemos notar que a atual correção de preços é um reflexo direto dessa menor liquidez no mercado norte-americano.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Ao esticarmos a correlação anual móvel, também temos um cenário similar. Desde 2017, o preço do bitcoin tem sido altamente correlacionado com as variações no FED Net Liquidity, com exceção do período da pandemia, em março de 2020.

Esse nível de correlação maior com a liquidez do FED pode ser explicada pelo fato de que mais de 80% do volume negociado de bitcoin é através da moeda norte-americana, o que o torna ainda mais sensível às variações econômicas executadas pelo Banco Central dos EUA.

Por isso, iremos detalhar no próximo tópico a estrutura de liquidez atual em relação às atividades dos principais Bancos Centrais do planeta e ir além de apenas observar a base monetária global.

Oferta monetária global e outros indicadores de liquidez crescem

Atualmente, a base monetária global M2, medida em dólares, ultrapassou US$ 108 trilhões, com dados provenientes dos 21 maiores bancos centrais do mundo. A variação anual da M2 já atinge 6,85% em relação aos últimos 365 dias, sinalizando uma forte expansão monetária global.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Esse é o maior aumento desde 2020, quando um movimento de expansão semelhante foi observado. Em 2023, o crescimento médio foi de 3%, e essa nova liquidez é impulsionada principalmente pelas economias asiáticas, que estão contribuindo significativamente para esse aumento monetário global.

Quando falamos da expansão monetária na Ásia, o destaque vai para o Banco Central da China, que está implementando medidas significativas de injeção de liquidez. Nesta semana, a China reduziu diversas taxas de juros, tanto para empréstimos interbancários quanto para operações de Reverse Repo.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Esse movimento está aumentando a base monetária do yuan no maior patamar desde os estímulos na época da pandemia. As duas principais vias dessa injeção de liquidez são o Reverse Repo e o MLF (Medium-term lending facility), ambos mecanismos voltados a estimular o sistema financeiro e bancário chinês em um esforço para impulsionar a economia.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Esse impulso de liquidez que o Banco Central da China está implementando, visa combater a desaceleração econômica e a crise imobiliária que afetam gravemente a economia chinesa. Comparado ao S&P 500, os principais índices de ações da China estão apresentando baixo desempenho, o que preocupa investidores.

Essa injeção de liquidez por meio de mecanismos como o Reverse Repo e o MLF alinha-se a medidas adotadas por outros bancos centrais, embora o Federal Reserve dos Estados Unidos ainda não tenha tomado ações similares de expansão monetária.

Para entender como a liquidez está sendo influenciada pelos principais bancos centrais, é essencial observar os balanços de ativos do Banco Central Europeu, Banco Central dos EUA, Banco Central da China e Banco Central do Japão.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Três deles estão expandindo seus balanços, enquanto o Federal Reserve (FED) está em processo de redução, chamado de “quantitative tightening”, diminuindo a liquidez. No entanto, é necessário analisar detalhadamente essa liquidez, pois outros fatores influenciam o mercado além da simples redução de ativos no balanço do FED.

A análise da liquidez do Banco Central dos EUA deve ir além da simples observação de seu balanço de ativos, incorporando a Conta Geral do Tesouro (TGA) e o Reverse Repo Facility. Este último, que oferece operações de curto prazo entre instituições bancárias, está atualmente em queda.

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Isso pode sinalizar uma menor disponibilidade de capital para essas operações ou uma preferência por alocação de fundos em outros ativos financeiros na economia americana. Assim, a gestão da liquidez é mais complexa e envolve múltiplas variáveis além da redução de ativos.

Por outro lado, quando analisamos o balanço médio dos principais bancos centrais do mundo, observamos que ele tem aumentado nos últimos três meses, alcançando cerca de US$ 6,46 trilhões.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Embora tenha havido uma recuperação recente, ainda estamos dentro de uma tendência de queda que começou em 2022. Acreditamos que esse aumento pode se intensificar nos próximos anos à medida que avançamos para um período de afrouxamento monetário global, o que já foi discutido no relatório passado sobre a mudança de direção na política monetária global.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Além disso, vale lembrar que podemos utilizar a capitalização das stablecoins para medir o quanto dessa liquidez está chegando ao mercado de criptoativos, uma vez que esses tokens funcionam como “proxy” para o dólar. Atualmente, continuamos num regime de crescimento da liquidez em criptoativos, com mais volume de capital entrando no mercado por meio das stablecoins.

Ainda não chegamos ao mesmo nível de entrada de capital que tivemos no início de 2024, mas já é um indicador que eventualmente os preços poderão começar a refletir esse aumento de demanda por ativos digitais.

Conclusões

Conforme discutido no relatório da semana passada, o recente corte de juros pelo Banco Central dos Estados Unidos marcou uma mudança significativa na política monetária global. Isso resultou em uma série de afrouxamentos monetários por outros bancos centrais ao redor do mundo.

Um exemplo claro é o Banco Central da China, que também reduziu suas taxas de juros e iniciou um processo de injeção de liquidez no maior nível desde a pandemia de 2020. Essa onda de liquidez, que esperávamos para o último trimestre de 2024, já começou a se concretizar.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Atualmente, o Bitcoin se encontra em uma zona de resistência, variando entre US$ 64.000 e US$ 65.000. O Tetter Ratio Channel, um dos principais indicadores de curto prazo utilizado no BlockTrends PRO, continua a sinalizar uma tendência positiva para o preço. Essa tendência, aliada à expectativa de maior liquidez no mercado, pode gerar um aumento significativo de demanda pelo ativo.

É importante ressaltar que essas análises focam em entender o ciclo de mercado em que o Bitcoin se encontra, avaliando como essas condições podem impactar seu preço no curto e médio prazo. Apesar das incertezas momentâneas, nossa visão de longo prazo permanece otimista, uma vez que a curva de adoção do Bitcoin segue em ascensão.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

Essa curva de adoção reflete o entendimento crescente dos investidores em relação ao Bitcoin como um sistema monetário descentralizado. O número de endereços com saldo acima de zero, uma métrica chave para compreender essa adoção, continua a atingir novas máximas a cada ciclo.

Aumento de liquidez confirma “Uptober”?

No entanto, no curto prazo, observamos uma queda no número de endereços ativos com saldo, o que resulta num cenário momentâneo de redução na entrada de novos participantes na rede Bitcoin. Essa redução temporária é claramente derivada de uma aversão ao risco generalizada no mercado global, algo que acaba afetando também o bitcoin.

Apesar desse cenário único, acreditamos que a demanda reprimida aumentará conforme o mercado desenvolva uma tendência de curto prazo mais definida. Isso, por sua vez, deverá solidificar a adoção e impulsionar o preço do Bitcoin novamente nos próximos meses.

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