55% dos hedge funds tradicionais já investem em cripto; AUM médio sobe 67% em um ano
Estudo da AIMA mostra que 55% dos hedge funds tradicionais já investem em cripto, com AUM médio por estratégia subindo 67% em um ano e alocação média de 7% do portfólio. Derivativos lideram como via de exposição, seguidos por mercado à vista e ETFs. Bitcoin, Ethereum e Solana concentram as posições, enquanto estratégias multi-estratégia e market-neutral predominam. A maioria planeja ampliar a participação nos próximos meses.
Levantamento com 122 gestores mostra alocação média de 7% do AUM em ativos digitais, preferência por derivativos e intenção de ampliar exposição em 2025.
O apetite institucional por criptoativos avançou em 2025. Um estudo da AIMA indica que 55% dos hedge funds tradicionais já mantêm exposição ao setor, acima dos 47% observados no ano anterior. O AUM médio direcionado a estratégias cripto saltou de US$ 79 milhões em 2024 para US$ 132 milhões em 2025, um avanço de 67% ano a ano. A amostra reúne 122 investidores institucionais e gestores de hedge funds que, somados, administram US$ 982 bilhões, com maior concentração nos EUA (45%), seguida por EMEA (33%), APAC (14%) e outras regiões (8%).
A alocação média em cripto chega a 7% do AUM, acima dos 6% registrados em 2024, embora mais da metade dos participantes ainda destine menos de 2% — sinal de que o movimento, embora disseminado, segue prudente. A penetração é semelhante entre tamanhos de fundos: 53% dos menores (AUM abaixo de US$ 1 bilhão) e 57% dos maiores reportam exposição. O ímpeto é de alta: 71% dos entrevistados planejam aumentar a posição, ante leituras inferiores nos anos anteriores. Entre os que permanecem de fora, metade pretende investir nos próximos três anos; 43% citam restrições de mandato como principal barreira e apenas 7% apontam falta de convicção no mercado.
Na execução, os derivativos surgem como via predominante de acesso, seguidos pelo mercado à vista; ETFs aparecem em terceiro lugar. O mapeamento também inclui, pela primeira vez, ativos tokenizados e equities como rota de exposição. Em estratégia, prevalecem abordagens multi-estratégia e market-neutral; apenas 24% estão focados exclusivamente em posições compradas. No recorte por ativos, a concentração permanece em Bitcoin (86%), Ethereum (80%) e Solana (73%), com exposição complementar a moedas listadas em corretoras centralizadas (59%) e descentralizadas (41%); depois surgem XRP (37%), Cardano (27%) e tokens de RWA (8%). Em captura de rendimento, 39% utilizam custódia de staking, 35% adotam staking líquido e 25% fazem re-staking.
Os dados reforçam que a institucionalização avança, mas com gestão de risco rígida e ênfase em instrumentos líquidos e escaláveis. Nesse contexto, conceitos como tokenização e a infraestrutura de staking ganham peso operacional, enquanto a preferência por derivativos e estratégias neutras busca reduzir a volatilidade direcional. Vale notar que, no ecossistema cripto, stablecoins desempenham papel funcional como unidade de conta e ponte de liquidez entre mercados, por serem desenhadas para manter valor estável atrelado a um ativo externo — característica que as torna úteis para tesouraria e hedge tático. Para quem deseja compreender melhor o papel das stablecoins como instrumento de proteção e gestão de caixa, o BlockTrends oferece o curso Stablecoins: Qual é o Melhor Hedge?, que explora fundamentos, tipos de lastro, riscos e aplicações na prática.