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5 sinais de que a economia brasileira está despiorando


Por Felippe Hermes
junho 9, 2021

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Uma corrida constante tem tomado conta dos bancos brasileiros: a revisão do PIB brasileiro neste ano. 

Desde março as expectativas tem subido, em uma curva quase tão ascendente quanto a do preço do minério de ferro, que fez a Vale se tornar a empresa mais valiosa da América Latina, ultrapassando o Mercado Livre.

Uma combinação de dólar na máxima com uma melhora da economia global, pós início de vacinação tem puxado o ritmo, o que por sua vez afeta o Brasil. 

De fato, o efeito tem sido tão forte que foi capaz de fazer o país retomar o nível da sua economia 2 trimestres antes das estimativas da OCDE.

Os resultados entretanto não são lá muita coincidência. Em abril de 2020 o FMI projetava uma queda de 9,2% do PIB brasileiro, que por sua vez terminou o ano em -4,1% graças a estímulos contundentes, como o auxílio emergencial, que jogou 10 anos de bolsa família na economia em apenas 8 meses.

Em resumo, estes são os fatores que tem puxado as expectativas pra cima:

O recorde na arrecadação de impostos e a redução da dívida pública 

Pode parecer estranho, afinal, arrecadação maior de impostos significa menos consumo das famílias e empresas, mas em um cenário de déficits estruturais, a melhora de +45% em abril e +18% em março (contra bases reduzidas em função do início da pandemia), tem melhorado q expectativa de resultado das contas públicas.

Até abril o governo federal registrou superávit primário de R$41 bilhões, contra um déficit de R$93 bilhões em 2020.

Na prática, o resultado da arrecadação importa por afastar o temor de que a dívida pública alcançasse 100% do PIB, um cenário que parece estar mais distante.

A dívida deve terminar o ano em 87,2%, bem longe dos 93,4% previstos no último ano.

Já o PIB deve chegar a 5,5%, também longe da previsão inicial de 3,4%.

Na parte dos Estados a arrecadação cresceu 21% nominais nos 3 primeiros meses do ano. 

A geração de empregos recorde 

A geração de empregos tem sido um fator importante para aliviar a tensão do setor de serviços.

A expectativa anterior era de que o fim do auxílio emergencial pressionasse o varejo e outros serviços, responsáveis por ⅔ da economia do país.

Nos primeiros 4 meses do ano foram ao menos 900 mil vagas de emprego geradas, o melhor resultado desde 2010, ano em que o país cresceu ao menos 7,2%.

A diferença porém está no fato de que, naquele ano, o PIB foi fortemente puxado por concessões de crédito em bancos públicos e estímulos monetários, ajudando a impulsionar o crescimento, mas criando uma bolha.

Maior balança comercial da história 

O saldo nas exportações puxado pela alta de commodities tem surpreendido. A expectativa de 2021 é terminar o ano com +83 bilhões de dólares em superávit na balança comercial.

A revisão nas contas comerciais, graças a exportação de commodities, foi a principal responsável por garantir uma outra revisão, a do saldo em transações correntes do país, que incluir remessa de lucros e investimento.

Pela primeira vez em 14 anos o Brasil deve receber mais dólares do que manda pra fora.

A expectativa é de que o saldo fique positivo em pelo menos $2 bilhões. 

O setor privado está puxando o investimento 

Ao contrário do período da chamada “Nova Matriz Econômica”, que perdurou entre 2008 e 2014, a retomada da economia brasileira tem sido feita com aumento expressivo de formação bruta de capital fixo (investimento), por parte do setor privado.

Desde 2017 a tendência tem sido de inversão, em função das reduções nos estímulos de bancos públicos e na revisão das taxas de juros subsidiadas bancos como o BNDES.

No primeiro trimestre deste ano, quando o PIB cresceu 1,2%, a taxa de investimentos chegou a 19,4%, valor bastante superior à média de 16% dos últimos anos e similar a época em que o endividamento público jogava esteróides nós investimentos.

Em 2021 o setor privado deve responder por 57% do total investido no país, contra 43% em 2010.

As captações em bolsa devem bater recorde 

A projeção do Itaú é de que as ofertas na B3, a bolsa brasileira, movimentem algo entre R$150 e R$180 bilhões neste ano, ou 2-2,5% do PIB.

Trata-se de um volume de recursos considerável que deve ser direcionado a consumo ou investimentos por parte dos agentes responsáveis.

As captações são relevantes pois, ao contrário de empréstimos por bancos públicos, as ofertas em bolsa costumam ser acompanhadas do escrutínio dos investidores, que pressionam por resultados e melhor alocação dos recursos. 

A melhor é quase intangível, mas crucial para a produtividade. Se em 2011 o PIB crescia com os bilhões destinados a construção de estádios, ou outras obras públicas, em 2021 o foco deve ser o aumento da capacidade produtiva.


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