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Bitcoin

3 razões que explicam a alta histórica do Bitcoin


Por Felippe Hermes
Outubro 30, 2020

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Foi em 12 de setembro que James Dimon, CEO do JP Morgan declarou sua opinião mais contundente sobre o Bitcoin: uma fraude!

Naquela ocasião, o Bitcoin estava em meio ao seu Bull Market. Tratava-se de um hype, o que torna sua frase ainda mais icônica. Em janeiro de 2017, cotado a $1003, todo o ecossistema do Bitcoin equivalia a algo próximo de $14 bilhões, ou o mesmo valor que o governo americano garantiu 9 anos antes para o JP evitar a falência.

Ao final do ano, o Bitcoin chegaria a $20 mil, uma alta de quase 2000% em um ano. No Brasil, o preço atingiu incríveis R$70 mil. 

As razões na época eram inúmeras, mas o crescimento do mercado institucional se destacava. Na ocasião da máxima histórica, o Bitcoin estava às vésperas de entrar na CBOE, a Bolsa de mercadorias de Chicago. Uma mudança drástica, que lhe garantiria enfim um status de ativo.

De lá pra cá a discussão em torno da concepção de “moeda” se tornou inócua. Inúmeros ainda a repetem, claro, em função da ignorância. Piadas com “é possível comprar um café com Bitcoin?” circulam em frases de pessoas que não entenderam o que aconteceu neste período.

Não apenas o Bitcoin se tornou um ativo, como outros tantos passos foram fundamentais para que hoje olhemos para estes R$70 mil pelo retrovisor. Cotado a R$76 mil na data desta matéria, o Bitcoin já superou sua máxima histórica em ao menos 20 países. Estes são os principais motivos.

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1. Empresas tradicionais comprando Bitcoin 

Sob a sigla de GTBC, o fundo gerido pela Grayscale se tornou uma sensação do mercado em 2018. 

A ideia é simples. Ao invés de comprar e armazenar Bitcoins por meio das chamadas exchanges, o investidor poderia acessar títulos do GBTC em plataformas de investimentos comuns, comprando ações equivalentes a determinada quantidade de Bitcoins.

Durante o primeiro semestre de 2018, o GTBC captou em média $834 mil dólares diários apenas de investidores institucionais.

O resultado é que grandes investidores, que muitas vezes por compliance, não podiam acessar o mercado existente até então, entraram no jogo.

Com $7,3 bilhões de dólares em AuM (ativos sob gestão na sigla em inglês), o GBTC possui hoje 3% de todos os Bitcoins existentes.

Em 2020 em especial, inúmeras outras empresas começaram um processo de Bitcoins com parte de seu caixa. Empresas listadas na NASDAQ como a Microstrategy e a Square, compraram outros $250 milhões ao menos. 

O mercado institucional cresceu, ao mesmo tempo em que as regulações se tornaram mais avançadas em torno do tema.

No Brasil por exemplo, a CVM autorizou a oferta de fundos que invistam em criptos, incluindo aí os fundos geridos pela QR Asset Management, única gestora com 100% de exposição em Critpo no Brasil.

Ao longo deste ano os aportes cresceram exponencialmente. Em inúmeras semanas, a quantidade de compras de Bitcoin para estocar superou a oferta de Bitcoins minerados, criando um efeito simples de demanda maior do que a oferta e pressionando o preço do ativo para cima.

2. A política monetária dos EUA e a do Bitcoin

Com um déficit orçamentário de $834 bilhões em julho deste ano, em função da Pandemia, os EUA expandiram rapidamente a quantidade de dólares no mercado.

Como Dan Morehead, gestor da Pantera Capital, comentou em sua carta aos investidores, o valor “impresso” em julho equivale ao mesmo de toda dívida contraída pelos Estados Unidos entre 1776 e 1979.

Em outro número, cerca de 11% dos dólares já criados pelo FED desde 1917, foram criados em 2020.

A pandemia levou a uma escalada da criação de moeda para garantir a liquidez e a atividade econômica, sem precedentes na história mundial.

Este é essencialmente o motivo pelo qual o lendário investidor Stan Druckenmiller, um dos gestores de maior retorno acumulado na história, aposta na queda do dólar.

Veja bem, enquanto falamos aqui no Brasil sobre a desvalorização do real e o dólar como um bote salva vidas, nos EUA a discussão é como se proteger do dólar.

Este efeito provoca a chamada “inflação de ativos”. Na prática, quem fica com dinheiro em caixa tende a perder valor, não pela inflação medida pelos índices (que avaliam produtos), mas de ativos.

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Essa diferença é relativamente simples de  entender, uma vez que um índice de inflação é uma cesta de bens consumidos no dia a dia, mas não de ativos reais.

Exemplo: um índice medirá o impacto do aumento de preços em alimentos, energia, aluguel, roupas, móveis etc, mas não irá medir o aumento do preço dos imóveis ou o aumento do mercado de ações.

Como Luis Stuhlberger comentou por aqui, a tendência é uma valorização de terras, imóveis, ações e Bitcoins.

Na prática, manter dólares parados em caixa é ver suas aspirações de longo prazo se tornarem menis acessíveis.

No Bitcoin por outro lado, o que manda é o Halving. Enquanto a impressora do FED rodava 24/7, um efeito programado ocorreu na rede do Bitcoin, reduzindo pela metade a oferta de novos Bitcoins minerados.

Em suma, enquanto o mercado compra ativos que não o dólar (ouro, ações, e criptos), a oferta de Bitcoins cai. 

3. O risco político

As razões citadas acima explicam boa parte da alta do Bitcoin em dólar, mas há um fator no criptoativo que chama atenção em países como o Brasil.

Enquanto o Real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2020, ativos e empresas negociados aqui, mas atrelados ao dólar, tiveram grande valorização.

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No mercado o nome disso é essencialmente “hedge”, ou proteção propriamente dita.

A ideia é que a economia global oscila muito menos do que as economias nacionais, em especial a brasileira.

Isso significa que empresas que tem sua receita em dólar (como a WEG), ganham força.

No caso do Bitcoin, o ativo ganha um carinho especial por se tratar de algo cuja fundamentação teórica é uma proteção não apenas cambial (por ser global), mas política.

Governos ao redor do mundo que se afundam em dívidas ou criam impedimentos para acessar os mercados globais, afetam positivamente o Bitcoin.

Em suma, a cripto garante uma proteção contra os desmandos do FED e sua taxa de juros artificialmente baixa, além de governos como o brasileiro.

Com uma taxa de juros de 2% ao ano, menor do que a inflação, cresce a expectativa de que o governo precisará encontrar outros meios de financiamento que não o investidor estrangeiro, o que provoca também uma inflação de ativos.

Cada ponto na dívida pública, que deve chegar a 95% do PIB este ano, é um empurrão a mais no Bitcoin e sua função de “duplo hedge” (cambial e político).

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