Resumo
👉Introdução ao Stacks: Plataforma que utiliza a blockchain do Bitcoin para criar contratos inteligentes e dApps, operando como uma rede de segunda camada (L2) para transações rápidas e com taxas reduzidas;
👉Criação e Fundadores: Stacks começou como um projeto de doutorado em Princeton, criado por Muneeb Ali e Ryan Shea. Tornou-se uma startup através da Hiro, com financiamento da Y Combinator e investidores renomados como Winklevoss Capital e Digital Currency Group;
👉Diferenciação Técnica: Stacks usa a linguagem de programação Clarity, projetada para ser previsível e segura, eliminando a necessidade de um compilador e aumentando a segurança dos contratos inteligentes;
👉Tokenomics: Mais de 60% dos tokens STX foram destinados a vendas públicas, privadas e VCs, com 6,6% alocados ao fundador Muneeb Ali. A maior parte dos tokens já foi emitida, minimizando o impacto inflacionário futuro;
👉Proof of Transfer (PoX): Sistema de validação da Stacks, onde mineradores usam Bitcoin para competir pela mineração de novos blocos. O PoX aproveita a segurança do Bitcoin sem o alto consumo energético do PoW;
👉Crescimento e Adoção: Stacks registrou um crescimento no número de endereços ativos, atingindo 1,2 milhões. Apesar de flutuações mensais, o crescimento geral é consistente;
👉Transações e Volume: Janeiro de 2024 marcou um recorde de transações mensais, seguido por uma queda. No entanto, o volume de negociação de STX atingiu um recorde em maio de 2024, indicando uma demanda crescente pelo token;
👉Total de Valor Bloqueado (TVL): Stacks alcançou $180 milhões de TVL nos últimos 12 meses, mas recuou para $100 milhões recentemente, refletindo uma utilização crescente e confiança na rede, principalmente através do Stacking DAO;
👉Pontos Fortes e Riscos: Stacks oferece segurança robusta, contratos inteligentes e dApps na blockchain do Bitcoin. No entanto, enfrenta riscos como a não concretização da tese de DeFi no Bitcoin, centralização dos tokens STX e a concorrência de outras soluções de segunda camada.
O que é Stacks?
A Stacks é uma plataforma que facilita a criação de contratos inteligentes e aplicativos descentralizados (dApps) utilizando a blockchain do Bitcoin. Funcionando como uma rede de segunda camada (L2), ela amplia as capacidades da blockchain do Bitcoin, possibilitando transações mais rápidas e com taxas mais baixas dentro do ecossistema. Essa abordagem visa expandir as funcionalidades do Bitcoin, oferecendo maior flexibilidade e capacidades adicionais além das transações básicas.
Stacks aproveita a segurança robusta do Bitcoin, diferenciando-se das soluções L2 da Ethereum, como Polygon, Arbitrum e Optimism, que dependem tanto da segurança da Ethereum como da própria blockchain de segunda camada.
Stacks utiliza da linguagem de programação Clarity que é uma linguagem projetada para ser previsível e segura, eliminando a necessidade de um compilador e oferecendo maior segurança para contratos inteligentes.
Quem são os criadores de Stacks?
Originada no meio acadêmico, a Stacks teve início como um projeto de doutorado em ciência da computação na Universidade de Princeton em 2013, inicialmente conhecido como Blockstack.
O projeto foi idealizado por Muneeb Ali e Ryan Shea. Um ano após sua criação, tornou-se uma startup incubada pela Y Combinator, através da empresa Hiro, também fundada por Muneeb.
A Stacks arrecadou $76 milhões em quatro rodadas de financiamento privado, atraindo investidores renomados no mundo das criptomoedas, incluindo Naval Ravikant, Anthony Pompliano, Meltem Demirors, Winklevoss Capital e Digital Currency Group.
Os fundadores têm como visão construir uma internet descentralizada e um ecossistema de aplicativos que respeitem a privacidade e a propriedade dos usuários.
No entanto, a Stacks adotou uma abordagem hierárquica típica de startups, com uma estrutura organizacional que inclui posições de liderança, como CEO e CTO. Isso revela um formato mais centralizado, com fundamentos de uma empresa, em contraste com um protocolo descentralizado.
Como funciona o tokenomics da Stacks?
No gráfico acima, observamos que mais de 60% dos tokens foram destinados a vendas públicas, privadas e a Venture Capitals. Chama a atenção os 6,6% destinados ao CEO e fundador do projeto, Muneeb Ali, o que não é uma prática comum nos tokenomics de projetos cripto, onde um percentual significativo é direcionado exclusivamente ao fundador. Além disso, uma boa parcela da distribuição foi destinada à tesouraria do projeto, à equipe de desenvolvedores e à Stacks Foundation.
Essa distribuição começou em 2017, com várias rodadas de investimentos realizadas ao longo dos anos seguintes. É importante ressaltar que, desde o início, foram emitidos 1,32 bilhões de tokens STX, aproximadamente 75% do supply total de STX. Este é um ponto positivo, pois, com a maior parte dos tokens já emitidos, o aumento restante da oferta não causará uma inflação significativa.
A governança do protocolo é baseada nos tokens STX, que estão concentrados em um número limitado de carteiras, que claramente são pertencentes aos beneficiários iniciais do projeto. Isso resulta em uma governança altamente centralizada, destacando-se os fundadores e investidores do projeto.

Proof of Transfer (PoX)
O Proof of Transfer (PoX) é o sistema de validação da Stacks, um mecanismo de consenso inovador utilizado pelos mineradores da criptomoeda, que envolve o uso de Bitcoin (BTC) para competir pelo direito de minerar novos blocos na blockchain Stacks. Diferente do Proof of Work (PoW), que consome eletricidade, ou do Proof of Stake (PoS), que requer o bloqueio de tokens, o PoX utiliza Bitcoin como prova de transferência para validar novos blocos.
Funcionamento
- Envio de BTC: Os mineradores enviam Bitcoin para endereços específicos, como uma forma de “oferta” para ganhar o direito de minerar blocos na rede Stacks;
- Seleção do Minerador: A seleção do minerador é baseada na quantidade de Bitcoin enviada e na sorte, determinando quem irá minerar o próximo bloco;
- Recompensas: Os mineradores selecionados recebem STX como recompensa por adicionar novos blocos à blockchain Stacks. Os Bitcoins transferidos pelos mineradores são distribuídos entre os stackers, que são os detentores de STX que bloqueiam seus tokens para participar do processo de consenso.

Quais os benefícios desse mecanismo de consenso?
- Segurança do Bitcoin: O PoX aproveita a robusta segurança do Bitcoin sem replicar o alto consumo energético do PoW.
- Descentralização: Promove uma ampla participação de mineradores e validadores, aumentando a descentralização da rede.
- Incentivo Econômico: Cria um ciclo econômico positivo, onde os mineradores são incentivados a suportar a rede, e os stackers recebem recompensas em Bitcoin.
Aplicação na prática
sBTC: O PoX possibilita a criação de um token Bitcoin descentralizado, chamado sBTC, que permite aos usuários participar de contratos inteligentes e dApps na rede Stacks.
Contratos Inteligentes: O PoX permite que a rede Stacks execute contratos inteligentes utilizando a segurança do Bitcoin, expandindo a funcionalidade do Bitcoin além de um simples meio de pagamento.
Porque Stacks pode se valorizar?
O Bitcoin é amplamente reconhecido como a principal criptomoeda do mundo. À medida que sua adoção continua a crescer, as oportunidades de uso também se expandem. A plataforma Stacks se beneficia do sucesso do Bitcoin e desempenha um papel crucial em transformá-lo em um ativo produtivo com diversas aplicações.
O Bitcoin forma uma base sólida sobre a qual todas as transações são concluídas. Com a rede Stacks, os desenvolvedores podem utilizar contratos inteligentes para criar uma variedade de aplicativos e infraestruturas para a Web 3.
Nesse contexto, é esperado que haja um aumento na utilização do Bitcoin para sistemas de finanças descentralizadas (DeFi), contratos inteligentes, negociação de NFTs e novos tokens. Recentemente, três movimentos dentro do ecossistema do Bitcoin aumentaram significativamente essa utilização: os protocolos BRC20, as inscriptions e as Runes, essa última criada após o último halving. Esses movimentos demonstraram um crescimento na utilização da rede Bitcoin, beneficiando inclusive os mineradores, que obtiveram maiores taxas com as Runes por alguns dias.
Crescimento no número de endereços ativos
Em junho deste ano, a Stacks registrou 4,9 mil carteiras ativas por dia, enquanto em maio havia apenas 2,6 mil carteiras ativas. Em abril, o número foi de 5,6 mil carteiras ativas. Esse movimento indica que há um nível de utilização da rede, mas ainda de forma muito volátil, com meses de maior e menor utilização.
Agora no acumulado comparando a faixa dos últimos 4 anos, esse número só vem crescendo e recentemente alcançou a marca de 1.2 milhões de carteiras ativas dentro de Stacks.

O Número de transações mensais
Em janeiro de 2024, a Stacks alcançou um recorde de transações mensais, com um total de 1,4 milhão de transações. No entanto, após esse mês, houve uma queda no número de transações na rede, registrando 900 mil transações em fevereiro e março. Em junho deste ano, o número de transações foi de apenas 350 mil. Esse declínio pode ser atribuído à ausência de catalisadores de uso em DeFi, como os tokens BRC20, runes e algumas NFTs que geraram grande hype no início do ano. Apesar dessa variação, a Stacks apresenta um crescimento consistente no número de transações mensais ao longo dos últimos 12 meses.

Volume de transações mensais
Apesar da redução no número de transações, o volume de negociação de tokens STX atingiu um recorde em maio de 2024. Isso indica um aumento significativo na quantidade de tokens sendo negociados, mesmo durante períodos de menor atividade e euforia na rede. Isso demonstra que a demanda pelo token STX continua crescendo, mesmo em momentos menos dinâmicos como o momento atual.

Crescimento de TVL
Stacks demonstrou um grande crescimento no indicador de Total de Valor Bloqueado (TVL) ao longo dos últimos 12 meses, alcançando a faixa de 180 milhões de dólares de TVL. No entanto, após atingir seu recorde, o TVL da Stacks recuou para o nível de 100 milhões de dólares, mostrando uma queda nos últimos 3 meses.
Esse indicador revela que os usuários estão mais confiantes na utilização da rede Stacks, colocando os tokens STX para obter bonificações. Atualmente, a maior utilização está vindo do aplicativo descentralizado chamado Stacking DAO.
Pontos fortes da Stacks
Segurança do Bitcoin: Stacks herda a robustez e a segurança da blockchain do Bitcoin, oferecendo uma camada adicional de confiança.
Contratos Inteligentes e dApps: a capacidade de executar contratos inteligentes diretamente na blockchain do Bitcoin diferencia Stacks de outras soluções de segunda camada focadas apenas em micropagamentos ou trocas de ativos.
Crescimento e Adoção: o aumento significativo no número de endereços ativos, TVL e número de transações indicam uma adoção crescente e confiança na plataforma.

Os riscos da Stacks
Atrelada a Stacks, temos um risco principal: a tese de utilização de DeFi e Web 3.0 dentro do ecossistema do Bitcoin pode não se concretizar, e a verdadeira utilização esperada pode não acontecer. Isso pode ocorrer porque essas atividades podem ser realizadas na Ethereum e na Solana, e ninguém pode querer negociar memecoins, fazer pools de liquidez e fazer staking no Bitcoin. Nesse sentido, toda a tese pode falhar e os tokens da Stacks podem se desvalorizar ao longo do tempo.
Além disso, dentro da Stacks, temos um nível de centralização vindo da Stacks Foundation, dos investidores e de Muneeb Ali, que é o criador do protocolo. Nesse sentido, podemos ver despejos de tokens STX ao longo dos próximos anos.
Outro risco que pode ser apontado é a existência de diversas segundas camadas dentro do Bitcoin, assim como temos na Ethereum. Mesmo assim, a Stacks acaba tendo uma grande diferenciação por conta de seu processo de segurança e por estar há mais tempo no mercado de criptomoedas.






