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O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas

Conheça o setor de Staking e Liquid Staking.

Resumo

👉 Staking envolve a alocação de criptomoedas em uma blockchain que usa o mecanismo de consenso de prova de participação (PoS) para validar transações e garantir a segurança da rede, oferecendo rendimento passivo em troca;

 

👉 A Ethereum introduziu o staking em 2022 com a atualização “The Merge”, que substituiu o mecanismo de prova de trabalho (PoW) por prova de participação (PoS), tornando o staking mais acessível e popular;

 

👉 Liquid staking permite que os usuários recebam tokens líquidos em troca dos tokens em staking, possibilitando o uso desses tokens líquidos para transações, airdrops e outras operações financeiras;

 

👉 Lido Finance é um dos principais protocolos para liquid staking, gerenciando cerca de 33 bilhões de dólares. Outros protocolos incluem Binance Staking, Rocket Pool e Mantle Protocol;

 

👉 O rendimento do staking varia conforme o protocolo e a criptomoeda. Ethereum oferece rendimentos de 3% a 5% ao ano, enquanto criptomoedas mais voláteis como Near Protocol oferecem rendimentos de 9% a 12% ao ano;

 

👉 O staking é exclusivo para criptomoedas que operam em blockchains com o mecanismo de consenso PoS. Exemplos incluem Ethereum (ETH), Cardano (ADA), Solana (SOL), Avalanche (AVAX), e Polkadot (DOT);

 

👉 Riscos incluem volatilidade dos preços das criptomoedas, períodos mínimos de bloqueio, mau desempenho dos validadores e vulnerabilidades a ataques, sem cobertura de seguro para os ativos;

 

👉 O liquid staking pode envolver riscos elevados de alavancagem, similar aos problemas observados com a Terra (LUNA) e a falência da FTX, onde a alavancagem exacerbou problemas de liquidez e confiança.

O que é o Staking?

O Staking de criptomoedas é um processo de validação das transações, onde você aloca sua criptomoeda e ganha um rendimento por se tornar um validador. Esse processo já existe há anos no mercado cripto, mas tornou-se popular em 2022 quando a Ethereum decidiu mudar seu mecanismo de validação de Proof of Work para Proof of Stake.

Ao incentivar esses participantes da rede conhecidos como validadores ou “stakers” a comprarem e reservarem uma certa quantidade de tokens, fica pouco atrativo agir de forma desonesta na rede. Isso porque, se a blockchain fosse corrompida de alguma forma por meio de atividades maliciosas, o token nativo associado a ela provavelmente cairia de preço e os responsáveis perderiam dinheiro.

Então, pode-se dizer que o processo de staking é uma forma de rendimento passivo para o usuário e também um mecanismo que contribui para a segurança da blockchain, podendo ser a Ethereum, Cardano, Solana ou até mesmo uma rede de segunda camada como a Polygon.O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas

O Setor de Liquid Staking 

Baseado na premissa do staking, surge outro setor conhecido como liquid staking. Nesse setor, além de você colocar seus tokens para validar a rede, você recebe tokens líquidos de volta, que podem ser reutilizados para transações, airdrops e outras operações. Nesse sentido, o liquid staking é um processo de alavancagem, funcionando como um empréstimo no banco, mas baseado em criptomoedas em vez de moeda fiduciária.

A criptomoeda mais utilizada para esse processo é atualmente a Ethereum, e o protocolo mais popular para realizar esse processo é o da Lido Finance, que já possui 33 bilhões de dólares de total de valor bloqueado (TVL).

O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas

A Diferença entre Staking e Liquid Staking

A grande diferença é que, no staking, você é um validador da rede e ajuda a garantir a segurança dela em troca de um rendimento. No liquid staking, você recebe de volta um ativo correlacionado e pode utilizar esse ativo para farmar airdrops e comprar outras criptomoedas.

Imagine que você tem uma coleção valiosa de quadros e decide deixar alguns desses quadros em um museu, onde eles ficam em exibição. No staking, é como se você emprestasse os quadros para o museu, ajudando a manter o museu funcionando e, em troca, o museu pagaria você um valor mensal pelo empréstimo. Agora, no liquid staking, é como se, ao emprestar os quadros, você recebesse um “certificado de valor” que representa os quadros emprestados. Com esse certificado, você pode comprar outros quadros, investir em exposições ou até mesmo negociar com outros colecionadores. Assim, mesmo que seus quadros estejam no museu, o certificado permite que você continue aproveitando e movimentando seu valor de outras maneiras.

No entanto, no que diz respeito aos riscos, seu quadro pode desvalorizar ao longo do tempo, e se você usar o “certificado de valor” para comprar algo ruim, você acumula três riscos: o risco relacionado ao museu que gerencia seu quadro (por exemplo, Lido Finance), o risco associado ao próprio quadro (Ethereum), e o risco do ativo adquirido com o certificado de valor (por exemplo, Ethena).

O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas

Quanto rende o processo de Staking e de Liquid Staking?

O Ponto central que deve ser entendido dentro desse protocolos é que estamos falando de redes blockchains, então esse processo é totalmente diferente de um processo bancário e o rendimento vai variar conforme a maior ou menor utilização de rede e também vai variar de protocolo para protocolo, atualmente a Ethereum está rendendo de 3% a 5% ao ano em ETH, mas se você olhar criptomoedas com maior volatilidade como a Near Protocol está pagando de 9% a 12% ao ano no token Near.

O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas

Quais criptomoedas podem ser colocadas em Staking?

O staking é exclusivo para criptomoedas que operam em blockchains utilizando o mecanismo de consenso de prova de participação (PoS). Entre as principais criptomoedas que suportam staking estão:

– Ethereum (ETH) 

– Cardano (ADA) 

– Solana (SOL) 

– Avalanche (AVAX) 

– Polkadot (DOT) 

– Near Protocol (NEAR) 

– Tron (TRON) 

A Ethereum só introduziu o staking em 2022 com a atualização “The Merge”. Após essa atualização, tanto o staking quanto o liquid staking passaram a ser amplamente utilizados, beneficiados pelo fato de a Ethereum ser a segunda maior criptomoeda do mercado e a principal criptomoeda em redes DeFi e no ecossistema Web 3.0. Com isso, a Ethereum oferece aos seus usuários a oportunidade de gerar renda passiva e explorar opções de alavancagem. Esse incentivo pode funcionar como uma faca de dois gumes: enquanto facilita o acesso a empréstimos e cria um mercado dinâmico e em crescimento, também pode trazer desafios e riscos significativos no futuro.

O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas

Qual é valor desse setor?

Atualmente cerca de 41 bilhões de dólares estão colocados em Staking ou Liquid Staking com uma dominância de 77,4% vindo da Lido Finance, 7,3% vindo do Staking da Binance, 5,9% vindo da Rocket Pool e 3,8% vindo da Mantle Protocol, os outros 5,6% estão divididos entre protocolos menores como Frax e o próprio Staking da Coinbase. Esse valor total já demonstra relevância tanto para o setor, como também para um grande capital em alavancagem podendo ser um risco sistêmico no futuro se esse mercado continuar crescendo como já vem demonstrando.

O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas
Dominância da Lido Finance em relação com outros protocolos desse setor.

 

A Briga entre institucionais e a SEC 

Os ETFs de Ethereum foram aprovados pela SEC nos Estados Unidos. No entanto, o foco atual está na liberação de protocolos de Staking e Liquid Staking para instituições como BlackRock, Fidelity, Grayscale e outras gestoras. A ideia é que os compradores dos ETFs possam obter rendimentos adicionais provenientes de protocolos como Lido Finance, tornando os ETFs ainda mais atraentes. Por outro lado, a SEC recentemente moveu processos contra a Lido Finance e a Rocket Pool, dois dos principais protocolos desse setor.

O processo de staking também é realizado por corretoras como a Coinbase, que gerencia 8 dos 9 ETFs de Ethereum aprovados nos EUA. Essa discussão pode se estender por mais alguns meses e tem o potencial de ser um evento catalisador para essas duas criptomoedas, caso a aprovação seja concedida.

O Staking e Liquid Staking de Criptomoedas

Quais os riscos de fazer Staking? 

O principal risco associado ao staking é a volatilidade das criptomoedas. Portanto, é recomendável não alocar todo o seu capital em uma única criptomoeda para staking, e diversificar em projetos nos quais você tenha maior convicção. O staking é mais adequado para investidores que planejam manter seus ativos a longo prazo, independentemente das flutuações de preço. Além disso, algumas criptomoedas exigem um período mínimo de bloqueio, durante o qual os ativos não podem ser retirados do staking. Se o investidor quiser retirar seus ativos de um pool de staking, ele deve respeitar o período de espera estabelecido por cada blockchain.

Outro risco está associado ao operador do staking pool: se o validador não cumprir suas funções adequadamente e for penalizado, o investidor pode perder suas recompensas. Esse processo, conhecido como slashing, já ocorreu várias vezes no mercado de criptomoedas. Além disso, há a possibilidade de um staking pool ser hackeado, resultando na perda total dos ativos em staking. Como esses ativos não são cobertos por nenhum tipo de seguro, há pouca ou nenhuma chance de compensação das perdas. Portanto, é essencial considerar todos esses fatores antes de optar pelo staking de criptomoedas.

O Grande risco desse mercado – A alavancagem financeira 

Os últimos grandes problemas que tivemos dentro do mercado de criptomoedas foram com problemas de alavancagem, no processo da Terra Luna e no quebra da FTX.

Terra (LUNA) era um projeto de blockchain que tinha sua própria stablecoin algorítmica chamada TerraUSD (UST). A stablecoin era projetada para manter seu valor próximo de $1 por meio de um mecanismo de arbitragem com o token LUNA. A alavancagem estava presente na forma como a TerraUSD (UST) foi sustentada. Para manter o valor estável, a UST dependia de uma complexa estrutura de arbitragem com LUNA.

Quando o valor da UST começou a se desviar do dólar, a estratégia de arbitragem envolvia a emissão e queima de grandes quantidades de LUNA para tentar restaurar a paridade. Esse mecanismo de alavancagem amplificou os problemas quando a confiança na UST começou a cair, levando a uma venda em massa de LUNA e a uma espiral descendente que resultou na desvalorização drástica tanto da UST quanto da LUNA.

A FTX era uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo e oferecia serviços de negociação, incluindo alavancagem, onde os usuários poderiam tomar emprestado mais capital para aumentar suas posições de negociação. A FTX foi envolvida em uma crise de alavancagem quando surgiu a informação de que a exchange e sua empresa irmã, Alameda Research, estavam usando fundos dos clientes para cobrir suas próprias posições alavancadas e investimentos de risco. Quando o mercado de criptomoedas entrou em declínio e a alavancagem alta tornou-se insustentável, isso expôs a falta de reservas e o mau gerenciamento de risco.

A falta de transparência e a exposição excessiva a ativos altamente especulativos levaram a uma crise de liquidez e eventual falência da FTX. Atualmente, os mercados de Liquid Staking, Staking e Restaking não estão tão expostos aos mesmos níveis de alavancagem que vimos em outros eventos recentes.

No entanto, a questão que se coloca é até onde esse mercado pode crescer. A preocupação é com o potencial aumento da alavancagem, que já atingiu bilhões de dólares e pode crescer muito mais nos próximos dois anos. Esse crescimento exponencial pode representar um risco significativo para o mercado, impactando não apenas as criptomoedas em geral, mas também o Bitcoin.

Sobre o autor
BlockTrends
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