Radar Cripto

Nem só de mar calmo vive o marinheiro

Após queda de 20%, estrutura de mercado do Bitcoin parece melhor e não pior, mas isto não significará facilidade na alocação.

Resumo

👉 Eventos de capitulação resultam em intensa pressão vendedora onde investidores são forçados a realizar prejuízos, mas também apresentam oportunidades quando a força vendedora se esgota;

 

👉 Holders de curto prazo têm um custo base de aquisição em torno de US$ 59.400, e quedas abaixo desse valor levam a prejuízos substanciais para esses investidores;

 

👉 Análises de moedas ativas entre uma semana e um mês revelam vários episódios de vendas forçadas em prejuízo, alinhando-se com outras correções em mercados de alta e indicando capitulações;

 

👉 Correções de 15%-20% no preço são suficientes para empurrar muitos investidores para o território negativo, variando o impacto em cada indivíduo, com prejuízos muitas vezes breves em fases atuais do ciclo de mercado;

 

👉 Baleias e investidores experientes aproveitam quedas de preço para acumular moedas significativamente;

 

👉 A recente correção de preço também ajudou a aliviar indicadores de ciclo como o RUPS e o SOPR ajustado, que monitoram o lucro e o prejuízo não realizados, indicando uma redução do risco de alocação no ciclo de mercado;

 

👉 Observações macroeconômicas indicam que a estrutura de liquidez não era favorável para ativos de risco, com a política de altas taxas de juros do FED e a continuação do aperto quantitativo;

 

👉 A Reserva Federal anunciou uma redução significativa no seu programa de aperto quantitativo a partir de junho de 2024, o que pode melhorar a liquidez do mercado;

 

👉 A recuperação da base monetária do dólar e global após um período de contração sugere melhorias nas condições de liquidez que podem favorecer a valorização do Bitcoin;

 

👉 Os ETFs de Bitcoin, após fortes fluxos de saída, têm potencial não totalmente explorado, com expectativas de aumento nos fluxos de capital positivos a partir de julho.

Introdução

Correções de preço no Bitcoin são frequentes e já são esperadas por aqueles que possuem experiência prolongada no mercado; no entanto, investidores novatos muitas vezes se intimidam e acabam vendendo com prejuízo, o que proporciona uma oportunidade para baleias e investidores experientes acumularem mais moedas.

A complexidade da estrutura macroeconômica apresenta um cenário desafiador para ativos de risco, incluindo o Bitcoin, o que pode influenciar diretamente sua precificação.

No relatório radar de mercado de hoje, focaremos em como a atual onda de capitulação está afetando o ciclo do Bitcoin e como os eventos macroeconômicos podem impactar a duração do atual mercado de alta.

Vamos lá!

Novatos são varridos do mercado

Eventos de capitulação são períodos de intensa pressão vendedora, onde investidores são forçados a realizar prejuízos, resultando em correções significativas no mercado. No entanto, tais períodos também podem ser considerados oportunidades devido à exaustão da força vendedora.

Muitos investidores novatos acabam vendendo em prejuízo, e, quando isso acontece, a força compradora assume o controle da precificação por conta da falta de interesse na venda. Em 1º de maio, presenciamos um exemplo disso, principalmente pela pressão vendedora de holders de curto prazo (com menos de três meses de atividade).

Nem só de mar calmo vive o marinheiro

Atualmente, holders de curto prazo possuem um custo base de aquisição de moedas em torno de US$ 59.400, e a queda dos preços abaixo desse valor fez com que a maioria desses investidores sofresse prejuízos.

Além disso, podemos identificar esses períodos de capitulação pela movimentação das moedas desses investidores. O MVRV dos holders de curto prazo indicou a realização de prejuízos e a pressão sobre os novos participantes, algo típico em mercados em alta, já que esse perfil de investidor tende a ser mais sensível ao preço.

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Ao analisar as moedas com tempo de atividade entre uma semana e um mês, é possível observar vários momentos de vendas forçadas em prejuízo nos últimos anos. Tais momentos foram condizentes com outras correções em mercados de alta e sinalizou capitulações.

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A recente correção de preços também criou uma estrutura de realização de prejuízos semelhante à de outubro de 2023, que precedeu o movimento de alta nos últimos seis meses, além de resultar em prejuízos não realizados para novos investidores.

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Como o custo base de aquisição é muito próximo do preço de mercado, basta haver correções de 15%-20% para que boa parte dos investidores sejam jogados em terreno negativo, algo que impacta de modo diferente cada indivíduo. Muitas vezes, estes prejuízos são mantidos por longos períodos, mas em fases como a atual do ciclo de mercado, costumam durar poucos dias.

Portanto, é importante notar no gráfico acima que períodos de prejuízos não realizados em mercados de alta geralmente surgem após capitulações e oferecem oportunidades para alocações estratégicas ou reposicionamentos.

Baleias e investidores experientes aproveitam para acumular

Embora investidores de curto prazo representem uma parcela significativa do mercado, é importante reconhecer que outros participantes, como baleias e traders experientes, também exercem uma influência direta na precificação, especialmente durante períodos de queda nos preços.

Durante a recente queda no mercado, certos padrões de comportamento institucional tornaram-se evidentes, incluindo uma intensa acumulação de moedas.

Nem só de mar calmo vive o marinheiro

Dados coletados pela CryptoQuant mostram que, no dia 1, endereços dedicados à acumulação absorveram mais de 14 mil moedas, totalizando aproximadamente US$ 800 milhões em pressão compradora. Esses endereços de acumulação são caracterizados por registrarem apenas entradas de moedas e nenhuma saída, excluindo endereços de mineradores e exchanges.

Este tipo de atividade de absorção é fundamental para catalisar reversões nos preços, especialmente após significativas realizações de prejuízos. Essa dinâmica é comumente referida como “troca de mãos”, e ilustra como muitos investidores novatos acabam perdendo dinheiro, mesmo em um contexto de tendência de alta no médio prazo.

Frequentemente, esses investidores são mais impactados pela falta de convicção em suas teses de investimento e pela ausência de ferramentas analíticas adequadas — ferramentas estas que são disponibilizadas aos nossos assinantes.

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Em contraste, investidores mais experientes e com maior volume de capital geralmente têm acesso mais fácil a essas ferramentas de acompanhamento de mercado, o que beneficia a tomada de decisão.

Investidores institucionais, durante esta correção de preços, acumularam mais de US$ 3 bilhões, demonstrando sua confiança na estratégia de “comprar na baixa” (“buy the dip”), uma abordagem que temos recomendado repetidamente aqui, seguindo nossos modelos de alocação estratégica para o ciclo de mercado.

Indicadores de ciclo apontam redução do risco de alocação

A recente rápida valorização do Bitcoin gerou preocupações devido à aproximação de alguns indicadores de ciclo a uma zona de alto risco de alocação, conforme mencionado em relatórios anteriores.

Observamos um alívio desses indicadores após uma correção de 20% no preço, que caiu para abaixo de US$ 57.000, algo considerado dentro da normalidade ao comparar com ciclos anteriores de alta, onde correções de até 40% foram registradas.

Nem só de mar calmo vive o marinheiro

As correções na faixa de 20% frequentemente representam momentos de oportunidade de investimento, conforme sugerido pelo padrão visual observado em dados históricos.

A recente correção ofereceu chances de alocação para traders oportunistas e também contribuiu para o alívio de várias métricas de risco on-chain, incluindo o modelo RUPS, que monitora os níveis totais de prejuízo e lucro não realizados ajustados ao valor de mercado.

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Outras métricas, como o SOPR ajustado, que mede a lucratividade, também mostraram um afastamento das zonas de pico, reduzindo o risco de novas alocações no ciclo de mercado.

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Finalmente, nosso indicador próprio de risco on-chain indicou melhorias significativas na perspectiva do ciclo de mercado para o Bitcoin, diminuindo a iminência de risco e apontando para um caminho mais estável para a continuidade da tendência de médio e longo prazo.

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Sinais de melhoria na liquidez global e base monetária

Conforme indicado em relatórios anteriores de radar de mercado, a estrutura de liquidez monetária não estava propícia para ativos de risco, sugerindo uma tendência de retração ou estagnação de capital global. Esse panorama foi reforçado pela postura do FED de manter altas as taxas de juros enquanto prosseguia com o aperto quantitativo, diminuindo ativos de seu balanço e retirando liquidez do mercado.

Na última quarta-feira, a Reserva Federal optou por manter inalterada a taxa dos fundos federais, indicando uma mudança de foco das políticas para o mercado de trabalho, sugerindo uma nova meta de inflação ajustada para 3%.

Durante a conferência de imprensa, Jerome Powell declarou que não iniciará cortes nas taxas até que o desemprego se torne um problema relevante. Algo que parece ter vindo antes do esperado, já que dados de níveis de desemprego e relatórios de folha de pagamento já sinalizaram desaceleração intensa na atividade econômica, fazendo o bitcoin e ativos de risco reagirem positivamente.

No entanto, também foram anunciadas medidas que podem aliviar a liquidez do mercado, como a redução significativa no programa de aperto quantitativo a partir de junho de 2024, de US$ 60 bilhões para US$ 25 bilhões mensais. Embora a medida não represente um Afrouxamento Quantitativo, ela tende a impactar positivamente a liquidez do mercado de maneira geral.

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Outro aspecto positivo observado é a retomada do crescimento anual da base monetária, tanto do dólar quanto global, após um período de contração. Nossos relatórios já destacaram como o Bitcoin atua absorvendo liquidez global, e melhorias nas condições monetárias tendem a favorecer a valorização do BTC, apesar de outros fatores presentes que também influenciam o mercado.

Um elemento significativo para a precificação do Bitcoin é a revitalização dos fluxos de capital para os ETFs de bitcoin, que atualmente enfrentam grandes retiradas. No dia 1, uma saída de aproximadamente US$ 564 milhões foi registrada, afetando negativamente os preços.

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Importante ressaltar que o potencial dos ETFs de Bitcoin ainda não foi totalmente explorado, pois a maioria do capital vem de investidores de varejo. Dados de relatórios 13F, que informam sobre alocações de capital de investidores institucionais, não mostram ainda um engajamento significativo de grandes players.

Isso se deve ao período de maturação necessário, de três a seis meses, para novos instrumentos de investimento como ETFs. Portanto, antecipa-se um aumento nos fluxos de capital positivos a partir de julho.

Conclusões

Embora essas correções de preço no Bitcoin sejam momentos turbulentos, é necessário entender que o caminho para a evolução de preços num mercado livre não é linear e eventos de alta volatilidade são comuns.

Durante a última correção de preços, que podemos ainda estar presenciando, é importante notar que nada se alterou na estrutura de ciclo de mercado do Bitcoin. Por outro lado, correções como esta acabam limpando os altos níveis de alavancagem do mercado e afugentam investidores novatos “turistas”, trocando as moedas para as mãos dos mais convictos.

Por isso, reforçamos a nossa posição de que correções devem ser enxergadas como momentos de aproveitamento dentro do ciclo e que os preços de curto prazo são fortemente aleatórios. A probabilidade de acerto direcional dentro de um curto intervalo de observação é extremamente baixo, mas compreender a estrutura do ciclo pode ser bastante útil.

Neste momento, ainda não chegamos ao topo deste ciclo, algo que poderá ocorrer em conjunto com o pico da expansão de liquidez global no próximo ano. Mesmo assim, é bastante complexo sabermos quando e como haverá a próxima reversão de tendência macro, mas podemos entender que ainda não é este momento.

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Sobre o autor
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