Resumo
👉 Hathor Labs é a entidade principal por trás do desenvolvimento da Hathor Network, focada em impulsionar inovações e avanços tecnológicos na blockchain;
👉 Marcelo Brogliato concebeu o conceito da Hathor Network em sua tese de doutorado, estabelecendo as bases teóricas da rede;
👉A rede foi oficialmente lançada em 3 de janeiro de 2020, coincidindo com a data de criação do bloco gênese do Bitcoin, mas 11 anos depois;
👉O Token HTR é a moeda nativa da Hathor, utilizado para transações na plataforma e criação de novos tokens através de depósitos de garantia;
👉Hathor é utilizada pela B3 para tokenização de debêntures, oferecendo uma solução escalável e com transações sem custo;
👉Integração com a stablecoin BRZ amplia acessibilidade ao mercado cripto no Brasil, permitindo operações sem as limitações de liquidez do mercado tradicional;
👉Vórtx QR Tokenizadora, operando em âmbito de Sandbox Regulatório da CVM, usa a Hathor para tokenização de recebíveis imobiliários e agrícolas, visando digitalizar títulos de dívida no mercado financeiro;
👉Hathor enfrenta desafios de baixa utilização internacional, centralização percebida e tokenomics complexo, limitando sua adoção fora do Brasil;
👉Token HTR teve seu pico histórico em novembro de 2021 a $2,47, atualmente negociado a $0,05, refletindo uma queda de aproximadamente 98%;
👉A rede enfrenta o desafio de competir com mais de 100 concorrentes, com blockchains de primeira camada mais rápidas, escaláveis.
O que é a Hathor?
A Hathor Labs é a empresa responsável pelo desenvolvimento da tecnologia blockchain utilizada pela Hathor Network. Embora a rede se apresente como pública e descentralizada, ela opera de maneira centralizada, com estreita ligação entre a equipe, o CEO e suas empresas parceiras. A Hathor Labs é o principal contribuidor, focando em inovações da blockchain, conduzindo pesquisas e implementando avanços tecnológicos com ênfase na escalabilidade, usabilidade e funcionalidades da Hathor Network.
O conceito da Hathor Network foi criado por Marcelo Brogliato em sua tese de doutorado em 2018, marcando o início teórico dessa rede.
Em junho de 2018, Marcelo participou de conferências voltadas para o universo das criptomoedas, onde validou a necessidade de uma solução de blockchain com alta escalabilidade. Ele reuniu uma equipe em agosto de 2018 e iniciou os trabalhos para a construção da Hathor Network.
Em junho de 2019, a rede de testes da Hathor foi lançada em diversos eventos ao redor do mundo.
Finalmente, em 3 de janeiro de 2020, a rede principal da Hathor Network foi lançada, coincidindo exatamente com o dia e a hora do bloco gênese do Bitcoin (03 de janeiro, 18:15:05 UTC), mas com uma diferença de 11 anos.
Tokenomics da Hathor
A Hathor Network é uma plataforma blockchain projetada para ser de fácil utilização, escalável e com custos de transação zero. Ela utiliza o token HTR como sua moeda nativa, que é utilizado para os serviços atuais e futuros possíveis dentro da plataforma. O Tokenomics, da Hathor, é composto por uma combinação de tokens pré-minerados e tokens minerados, onde no bloco inicial que foi criado em 3 de janeiro de 2020, um bilhão de HTR foram criados. O restante dos tokens foram minerados por meio de prova de trabalho, com recompensas de bloco decrescentes ao longo do tempo, parecido com o halving do Bitcoin.
Os tokens pré-minerados foram destinados a iniciar a plataforma e incentivar os primeiros usuários. Estes tokens estão sujeitos a cronogramas de compartimentação e bloqueio para apoiar o desenvolvimento inicial do ecossistema, da comunidade e dos casos de uso da Hathor. Em 27 de janeiro de 2021, a Hathor Labs anunciou mudanças importantes no fornecimento circulante futuro do token HTR.
Primeiramente, 20% dos tokens pré-minerados foram permanentemente removidos de circulação, com 200 milhões de tokens sendo enviados para um endereço inacessível (HDeadDeadDeadDeadDeadDeagTPgmn), garantindo que nunca mais possam entrar em circulação. Isso reduz o fornecimento total pré-minerado em 20%, indefinidamente. Além disso, 18% dos tokens foram bloqueados por cinco anos, totalizando 180 milhões de HTR, transferidos para o endereço HPioFotYvd2mgc1SCCLzUJ1xvdVDgoWZVy, controlado pela Hathor Labs. Estes tokens estarão inacessíveis até 3 de janeiro de 2025, quando a rede principal completará cinco anos. Nessa data, a Hathor Labs reavaliará esses tokens para determinar se ainda são necessários para o crescimento e suporte do projeto, podendo decidir colocá-los fora de circulação parcial ou totalmente.
Esta estratégia de gestão de tokens tem um impacto significativo no modelo atual, pois reduz a quantidade de tokens disponíveis, potencialmente aumentando o valor dos tokens restantes devido à menor oferta. No que diz respeito aos tokens bloqueados, a Hathor planeja reavaliar em 2025 se esses tokens serão liberados no mercado ou queimados. Essa medida, no entanto, revela uma falta de definição clara por parte da empresa, gerando incertezas desnecessárias no mercado. Uma abordagem mais transparente na economia de tokens poderia evitar essas dúvidas.
Além dos 38% atualmente bloqueados em dois endereços, a distribuição restante é composta por: 5% para venda inicial, 8% para venda privada, 10% para a equipe de desenvolvimento, 5% para os fundadores, 24% para a tesouraria da Hathor, 2% para recompensas do ecossistema, 5% para exchanges e 3% para o sistema de staking da Hathor.
A Hathor Network utiliza o token HTR para criar novos tokens na rede, exigindo um depósito de HTR como garantia. Esse depósito pode ser devolvido se os novos tokens forem fundidos de volta. A rede foi construída para ser altamente escalável e de fácil utilização, com transações sem custo, sendo mais utilizada atualmente para tokenização de ativos.
A Hathor Network está focada em expandir suas funcionalidades e entrar em novos mercados. Nos próximos anos, a empresa planeja ampliar seu roadmap e implementar novas funcionalidades. Um exemplo recente é a integração do ambiente EVM da Ethereum com a Hathor, que demonstra o compromisso da Hathor em melhorar sua plataforma e oferecer maior compatibilidade com outras redes.

Casos de Uso da Hathor
Tokenização de Debêntures
A B3, a bolsa de valores brasileira, lançou uma nova plataforma para emissão, registro e negociação de ativos, começando com a tokenização de debêntures em parceria com a Hathor Network. A plataforma visa inovação e segurança, permitindo que investidores diversifiquem seus portfólios de forma ágil e transparente.
A tecnologia usada para a tokenização de debêntures da B3 é da Hathor Network, que oferece segurança e simplificação nas transações. Com o algoritmo de consenso Proof-of-Work, a arquitetura da Hathor garante a escalabilidade das operações e sem custo, mesmo em períodos de alto volume de transações.
Integração da Hathor com a stablecoin BRZ
O BRZ é uma stablecoin atrelada ao Real e oferece aos investidores brasileiros a possibilidade de operar como se estivessem utilizando a moeda local. Ele também permite explorar o ambiente das criptomoedas sem as limitações de liquidez do mercado nacional, configurando a tecnologia blockchain como uma alternativa ao sistema financeiro tradicional. Além disso, o BRZ favorece estratégias de proteção de investimentos contra grandes variações de preço, conhecidas como hedges.
Atualmente, o Brasil possui 1,6 milhão de CPFs negociando criptomoedas. A Hathor Network, sendo uma rede blockchain brasileira, pode expandir seu uso e adoção por meio do token BRZ. No entanto, uma stablecoin atrelada a uma moeda fraca como o real pode não ser tão vantajosa para o investidor. É preferível utilizar como reserva de valor o USDT ou o USDC, que são stablecoins pareadas em dólar.
Sistema de Pontuação baseada em blockchain
A plataforma Carreira+ permite que funcionários troquem pontos acumulados por prêmios e experiências, como vouchers de compras, cursos de desenvolvimento, viagens e produtos, criando um ciclo virtuoso de engajamento.
Atualmente, estão finalizando um hub de parceiros que incluirá planejamento de carreira personalizado e orientação de RH, descontos na Alura (plataforma de cursos de tecnologia) e na Efetiva Saúde (plataforma de saúde mental com sessões de terapia online e meditações guiadas).
Um destaque do Carreira+ é seu programa de pontuação baseado em blockchain, hospedado na Hathor Network, que garante transparência e segurança ao armazenar, rastrear e verificar as pontuações dos participantes, evitando manipulações ou fraudes.
Lançado em agosto de 2023, o Carreira+ já conta com clientes em fase de testes. A resposta inicial tem se mostrado positiva, com empresas reconhecendo o potencial da solução para impulsionar o crescimento e desenvolvimento de seus funcionários. A expectativa é expandir a plataforma no Brasil e internacionalmente com o tempo, aprimorando o produto da Carreira+ e a utilidade da Hathor.
Títulos Tokenizados
A Vórtx QR Tokenizadora foi autorizada em fevereiro de 2023 pela CVM a emitir e negociar tokens para esses certificados de recebíveis dentro de um “sandbox”, ambiente experimental onde participantes podem dispensar exigências regulatórias para testar novas tecnologias. A Tokenizadora visa testar a digitalização desses e outros instrumentos de dívida, ampliando seu alcance para um público maior de investidores.
A versão tokenizada dos recebíveis imobiliários e do agronegócio deve viabilizar financiamentos menores, atualmente inviáveis pelos serviços e intermediários tradicionais. Além disso, tokens de dívida com taxas competitivas permitirão a expansão para novos emissores e investidores.
Transações registradas na blockchain
A Vórtx QR escolheu a rede da Hathor, que não possui custo em suas transações. Todas as transações, tanto no mercado primário quanto no secundário, serão registradas na blockchain, beneficiando-se da escalabilidade e capacidade da Hathor de processar mais de 200 transações por segundo.

Hathor e o Meio Ambiente
A Hathor Network utiliza o mecanismo de consenso Proof of Work (PoW), o que exige poder computacional significativo para a mineração de tokens HTR, resultando em alto consumo energético. No entanto, a empresa está fortemente comprometida em promover práticas de mineração sustentáveis e reduzir o impacto ambiental da mineração de criptomoedas.
O principal objetivo do programa é incentivar os mineradores de blockchain a utilizarem energia verde sustentável, oferecendo recompensas extras como incentivo.
O programa oferece uma recompensa adicional em HTR para os mineradores que utilizam energia verde sustentável. Essas recompensas adicionais são adicionadas às recompensas de mineração regulares.
Para serem elegíveis para a recompensa extra, os mineradores devem fornecer provas de que estão utilizando energia verde sustentável em suas operações de mineração. Isso pode ser feito através do envio de dados de uso de energia ou comprovantes de compra de créditos de energia renovável.
Pontos positivos sobre a Hathor
A Hathor é uma rede amplamente utilizada em projetos voltados para o público brasileiro, facilitando negociações com empresas do mercado interno. Isso permite que a Hathor cresça nesse segmento, atraindo cada vez mais empresas conhecidas para sua blockchain. Atualmente, empresas como Certifica+ e Play9, esta última voltada para influencers brasileiros e co-fundada pelo YouTuber Felipe Neto, utilizam a blockchain da Hathor.
Além disso, a rede Hathor tem se destacado no mercado de tokenização de ativos, especialmente no mercado tradicional. A rede possui parcerias importantes, como com a B3, a bolsa de valores brasileira, e a Vórtx QR Tokenizadora, que realiza a tokenização de ativos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA).
A Hathor também se destaca por não cobrar taxas em suas transações, o que atrai empresas que necessitam realizar um grande número de transações diárias ou mensais. Nesse aspecto, a Hathor se diferencia e leva vantagem sobre plataformas como Solana e Ethereum, que cobram taxas para suas transações.
Pontos negativos da Hathor
A Hathor é uma rede pouco utilizada fora do Brasil e muitas vezes até desconhecida. Seu tokenomics é considerado confuso, com 18% do total de supply programado para ser desbloqueado em janeiro de 2025, sem informações claras se esses tokens serão colocados no mercado ou queimados, processo em que os tokens são enviados para uma carteira que não pode ser movimentada.
O número de transações diárias na rede Hathor é pequeno em comparação com outras blockchains como Solana, Near, Avax e até mesmo Kaspa, que tem menor usabilidade. A integração do sistema da Hathor é completamente centralizado, o que é um ponto atrativo para empresas brasileiras, pois oferece a figura de um CEO e uma empresa para resolver problemas durante transações ou processos de tokenização.
A quantidade de tokens criados mensalmente na blockchain da Hathor é inferior a 150 tokens, um número muito baixo comparado até mesmo com novas segundas camadas da Ethereum. Isso reforça a percepção de que a Hathor é uma rede pouco utilizada. Além disso, alguns parceiros listados no site da Hathor nem possuem mais domínio ativo ou estão com a plataforma desatualizada, o que diminui ainda mais a credibilidade e a visibilidade da rede.

Hathor é uma boa criptomoeda para investir?
A Hathor tem potencial para crescer em utilização dentro do Brasil e na América Latina. No entanto, dificilmente terá um amplo crescimento nos próximos anos, pois enfrenta mais de 100 concorrentes, incluindo blockchains de primeira camada que são mais rápidas, amplamente utilizadas, mais úteis, mais escaláveis e possuem um tokenomics melhor.
O pico histórico da Hathor ocorreu em 21 de novembro de 2021, quando a rede atingiu seu maior nível de utilização e o preço do token chegou a $2,47. Atualmente, o token custa $0,05, representando uma queda de aproximadamente 98%. Essa desvalorização significativa reflete os desafios enfrentados pela rede, incluindo a competição intensa e a falta de evolução tecnológica nos últimos anos.
Atualmente, a Hathor possui um valor de mercado de $13,5 milhões e enfrenta o risco de um despejo em janeiro de 2025, quando 18% do supply circulante será desbloqueado. Além disso, a Hathor não está listada nas maiores corretoras de negociação, como Bybit, Binance e Coinbase, o que limita ainda mais sua visibilidade e liquidez no mercado.




