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Guia on-chain: Rastreando Mineradores e Emissão de Bitcoin

A estrutura fundamental do bitcoin é feita através da atividade de mineração de moedas, por isso é tão importante compreendê-la.

Resumo

A estrutura fundamental do bitcoin é feita através da atividade de mineração de moedas, por isso é tão importante compreendê-la.

A mineração de Bitcoin é um processo vital para a rede, desempenhando um papel essencial na segurança e na incorporação de transações ao blockchain. Os mineradores utilizam hardware especializado para validar transações, adicionar novos blocos e serem recompensados com bitcoins.

 Neste artigo, exploraremos a importância da mineração de Bitcoin e como rastrear a atividade on-chain dos mineradores pode fornecer informações valiosas sobre o funcionamento da rede e os possíveis impactos nos preços de mercado.

Veremos também as principais métricas utilizadas nesse rastreamento e como elas podem ser interpretadas para entender o fluxo de carteiras de mineradores.

Vamos iniciar com uma breve recapitulação sobre o processo de mineração de Bitcoin e, em seguida, mergulhar nos dados on-chain que nos ajudam a compreender melhor essa atividade fundamental no ecossistema das criptomoedas.

A Mineração de Bitcoin

A mineração de Bitcoin é o processo pelo qual novos bitcoins são introduzidos na rede. Assim como, momento onde as transações são validadas e incorporadas ao ledger.

Os mineradores usam hardware de computador especializado para encontrar através de tentativa e erro o hash do bloco anterior, para os conectar e criar a sequência de blocos. Neste processo, validam as transações e adicionam um novo bloco de transações à cadeia de blocos.

A recompensa por adicionar um novo bloco é uma combinação de novos bitcoins (a recompensa em bloco) e as taxas de transação associadas às transações incluídas no bloco.

Rastreando a Atividade On-Chain dos Mineradores

Uma das belezas do blockchain é a sua transparência. Cada transação é registrada publicamente, possibilitando rastrear a atividade de qualquer endereço de Bitcoin.

No caso de mineradores de Bitcoin, podemos rastrear tanto métricas da blockchain geradas por mineradores, como: recompensa de mineração, receita por bloco, tamanho de bloco, hashrate, etc.

Assim como, também é possível rastrear o endereço on-chain dos próprios mineradores para identificar transações com exchanges, suas reservas, etc.

Vamos começar com as principais métricas de fundamentos da mineração.

Dificuldade de Mineração

Essencialmente, é uma representação da complexidade envolvida na descoberta de um hash que está abaixo de um certo valor alvo. O objetivo desta medida é controlar o tempo médio entre a criação de blocos na blockchain do Bitcoin.

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O protocolo Bitcoin executa um procedimento chamado Ajuste de Dificuldade a cada 2016 blocos, o que equivale há cerca de duas semanas. Este ajuste modifica a dificuldade de mineração para manter a produção de blocos o mais próximo possível de um intervalo médio de 600 segundos.

Existem limites para a extensão dessa modificação: o Ajuste de Dificuldade pode aumentar a dificuldade em até quatro vezes ou reduzi-la a um quarto do valor atual.

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Através deste mecanismo de Ajuste de Dificuldade, o protocolo Bitcoin garante um cronograma de emissão de BTC previsível e constante a longo prazo. Isso é mantido independentemente do nível de potência de hash envolvido na mineração em um dado momento.

Poder computacional da rede (Hashrate)

Os mineradores constituem o lado produtivo do Bitcoin, atuando na indústria altamente competitiva onde a disputa por BTC envolve o consumo de energia, investimento em capital (CAPEX) e despesas operacionais (OPEX).

A taxa de hash representa o número estimado de cálculos SHA256 realizados por todos os mineradores a cada segundo. À medida que a taxa de hash aumenta, o custo de oportunidade de um ataque Sybil de 51% também cresce.

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A unidade de medida da taxa de hash é hashes por segundo (H/s), mas é frequentemente expressa em terahashes por segundo (TH/s, um trilhão de hashes) ou, mais recentemente, em exahashes por segundo (EH/s, um quintilhão de hashes).

Aumentos ou diminuições no hashrate podem sinalizar a entrada, ou saída de mineradores da rede. Que por sua vez, pode traduzir em maior ou menor demanda/interesse na indústria.

Recompensas de blocos e taxas de transação

O ganho monetário da atividade de mineração é o principal incentivo para que a rede continue sendo protegida, por isso a rentabilidade de mineradores pode ser entendida como sendo o orçamento de segurança da rede.

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A receita de mineração total é composta pela emissão de novos e pela taxas de transação recolhidas. Neste momento, a receita total gira em torno de US$25.8 milhões

Sabemos que a recompensa em bloco é reduzida pela metade aproximadamente a cada quatro anos em um evento chamado halving. Até o momento da escrita, a recompensa em bloco é de 6,25 BTC.

Por outro lado, as taxas de transação podem variar dependendo do congestionamento da rede. Portanto, além de ser uma métrica de saúde da mineração, também pode ser utilizada como indicador de atividade da rede.

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Desse modo, ao visualizarmos aumento nas taxas de transações, isto pode corresponder ao aumento de demanda e utilização da blockchain. O aumento da utilização é geralmente ocasionado por aumento de euforia e imediatismo nas transações.

Atualmente, apenas 3.49% da receita de mineração é proveniente de taxas, ficando a cargo do subsídio de bloco a principal fonte de lucro.

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Outra forma de aplicar a receita de mineração com ferramenta de análise de mercado é através das médias anuais. No qual, desempenha o papel de rastrear a tendência de longo prazo na receita total.

Os períodos em que a receita de mineração total está acima da média móvel cumulativa de 365 dias indica períodos de alta e euforia de mercado. Assim como, quando a receita total está abaixo da média simples anual corresponde a mercados de baixa.

Movimentos de saída

Ao rastrear as saídas dos endereços de mineração, podemos obter uma noção de quando e para onde os mineradores estão movendo seus bitcoins.

Isso pode ser uma indicação de comportamento de mercado, como a venda de bitcoins para cobrir custos operacionais ou a acumulação de bitcoins na expectativa de um aumento de preço.

Existem diversas formas de fazer isto, mas uma das principais é observar o fluxo de moedas que saem destas carteiras de mineradores e estão entrando em carteiras conhecidas de exchanges.

Conseguimos deste modo trazer uma perspectiva sobre o tipo de atividade que estas entidades realizando. Por exemplo, recentemente os mineradores enviaram mais de US$1 bilhão para exchanges.

Clique aqui e confira a análise que fizermos no portal BlockTrends.

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Portanto, ao observar a diferença entre os fluxos é possível identificar que mineradores estão vendendo no mercado à vista, ou se estão apenas utilizando instrumentos derivativos para cobrir riscos.

Endereços de mineração

Embora alguns mineradores optem por permanecer anônimos, muitos dos maiores pools de mineração têm endereços conhecidos. Monitorar estes endereços pode dar uma ideia da quantidade de poder de hash que eles controlam.

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Como realizar este rastreamento não é algo fácil, existem plataformas que condensam dados e servem como exploradores da blockchain.

Uma destas plataformas é a Mempool.space que rastreia endereços de mineradores e consegue fornecer informações sobre os pools (conglomerado de mineradores).

Indicadores de Mercado

Agora que já vimos as métricas fundamentais da atividade de mineração, podemos ver as que mais atraem pessoas para este tipo de análise on-chain: ciclos de mercado.

Múltiplo de Puell

Um das principais métricas que vocês assinantes já estão acostumados de ver em nossos relatórios é o Múltiplo de Puell ajustado à variação anual do índice.

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O Puell Multiple é calculado dividindo o valor de emissão diária de bitcoins (em USD) pela média móvel de 365 dias do valor de emissão diária. Portanto, é uma métrica que nasce da atividade de mineração e emissão de novas moedas.

O indicador pode ser estudado profundamente através deste artigo, mas o importante para nós é ser um indicador de alta precisão em topos e fundos de mercado.

A visualização que costumamos ver no BlockTrends Research é um pouco distinta, pois aplica a média móvel de 365 dias ao múltiplo para ficar mais fácil de visualizar períodos intermediários do ciclo de longo prazo, que costumamos chamar de “mid-cycle”.

Como podem ver acima, estamos nos aproximando do próximo topo intermediário de ciclo. Se tivermos uma atividade de preço similar a 2019-2020, podemos encontrar um topo local nas próximas semanas.

Razão Capitalização de Mercado – Thermocap

O segundo indicador que abordaremos é uma função que utiliza o orçamento de segurança (receita de mineração) e a capitalização atual de mercado.

O Market Cap to Thermocap Ratio é definido simplesmente como Market cap / Thermocap e pode ser usado para avaliar se o preço do bitcoin está sendo negociado atualmente com um prêmio em relação ao total de segurança gasto pelos mineradores.

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A proporção é ajustada para levar em conta o aumento da oferta circulante ao longo do tempo. Portanto, como vemos acima, ele rastreia topos e fundos de mercado de modo similar a outros indicadores de ciclo de longo prazo que acompanhamos.

Conclusões

Em resumo, a mineração de Bitcoin é crucial para a rede, garantindo segurança e adicionando transações a blockchain. Rastrear a atividade on-chain dos mineradores oferece informações sobre métricas como dificuldade de mineração, hashrate, recompensas de blocos e taxas de transação.

Isso ajuda a compreender a saúde da mineração e o interesse na indústria. O monitoramento dos movimentos de saída dos mineradores revela comportamentos de mercado, como vendas para cobrir custos ou acumulação em antecipação a um aumento de preço.

Indicadores como o Múltiplo de Puell e a Razão Capitalização de Mercado – Thermocap fornecem insights sobre ciclos de mercado e podem ser úteis para traders de logo horizonte temporal.

Em suma, o rastreamento on-chain dos mineradores e o uso de indicadores auxiliam na compreensão do ecossistema do Bitcoin, por isto é importanto incluí-lo no seu processo de análise.

Sobre o autor
BlockTrends
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