Resumo
👉 Desafios de Escalabilidade da Ethereum: A Ethereum enfrenta problemas de escalabilidade, gerenciando apenas 40 transações por segundo (TPS) em comparação com as mais de 60.000 TPS da VISA e Mastercard;
👉 Transações Diárias: A Ethereum processa cerca de 1,2 milhões de transações diárias, enquanto a Polygon, Base, Arbitrum, e Optimism somam mais de 9 milhões de transações diárias combinadas;
👉 Funcionamento das L2: As redes L2 processam transações em paralelo à camada principal da Ethereum, validando e agrupando transações antes de publicá-las na L1, melhorando a capacidade e velocidade;
👉 Principais Redes L2: As quatro principais redes L2 da Ethereum são Polygon, Arbitrum, Optimism, e Base, destacadas por sua usabilidade e rápida expansão;
👉 Diferença entre L2, Solana e Cardano: Enquanto as L2 buscam escalabilidade sem comprometer a segurança da Ethereum, Solana e Cardano sacrificam a segurança inicial para aumentar a capacidade de atendimento;
👉 Endereços Ativos nas L2: Polygon possui mais de um milhão de endereços ativos, seguida por Arbitrum com cerca de 800 mil, Base com mais de 500 mil e Optimism com entre 100 mil e 200 mil endereços ativos;
👉 Total de Valor Bloqueado (TVL): Arbitrum lidera com $3,5 bilhões em TVL, seguida por Base com $1,5 bilhão, enquanto Optimism e Polygon possuem menos de $1 bilhão em TVL;
👉 Transações Diárias nas L2: A Polygon lidera com até 4 milhões de transações diárias, Arbitrum e Base têm cerca de 2 a 3,5 milhões, enquanto Optimism mantém cerca de 500 mil transações diárias;
👉 Riscos das L2: A competição intensa entre redes L2 e a falta de barreiras de entrada representam riscos, com grandes corretoras como Coinbase já criando suas próprias redes L2, podendo diluir o valor e aumentar a disputa no mercado.
Escalando a rede Ethereum
A Ethereum é a segunda rede blockchain mais popular depois do Bitcoin, atualmente ela enfrenta desafios de escalabilidade, gerenciando um máximo de 40 transações por segundo (TPS), em comparação com a capacidade de mais de 60.000 TPS de gigantes de pagamento como VISA e Mastercard.
Para resolver esse gargalo e reduzir as taxas de transação, Vitalik Buterin e a Fundação Ethereum têm trabalhado em maneiras de aprimorar o TPS da rede. Enquanto isso, desenvolvedores terceirizados têm sido mais ágeis, implementando soluções de camada 2 para Ethereum.
Atualmente, o número de transações diárias na Ethereum gira em torno de 1,2 milhões. Em comparação, a Polygon registra cerca de 3,6 milhões de transações por dia, ou seja, três vezes mais que a Ethereum. A Base também alcança mais de 3 milhões de transações diárias, enquanto a Arbitrum supera 2 milhões de transações. Já a Optimism possui um volume menor, com aproximadamente 500 mil transações diárias. Assim, as quatro principais redes de segunda camada somam mais de 9 milhões de transações diárias, enquanto a Ethereum sozinha totaliza 1,2 milhões.

O que são as redes de segunda camada da Ethereum?
Considere um cenário em que um supermercado local decide criar uma fila para clientes com poucos itens, permitindo que eles paguem mais rapidamente, enquanto os clientes com carrinhos cheios continuam usando as caixas regulares.
Essa analogia espelha a relação entre a blockchain principal da Ethereum (Camada 1) e as soluções de camada 2 (L2) da Ethereum. A Camada 2 opera no topo da Ethereum, executando operações paralelas que melhoram a capacidade e a velocidade de transação, descarregando parte do trabalho da cadeia principal.
As principais etapas incluem o envio de transações pelos usuários, a validação pelos nós L2, o processamento em lote por um nó sequenciador e, finalmente, a publicação dessas transações no Ethereum por um nó proponente.
As soluções L2 podem até ter arquiteturas e máquinas virtuais diferentes em comparação com a L1. Por exemplo, a solução L2 Metis da Ethereum utiliza a Solana Virtual Machine em vez da EVM. Ainda assim, os L2s são conectados à L1 por meio de um contrato inteligente que fornece atualizações de estado L2 na L1 para tornar os L2s mais seguros.
Normalmente, a Camada 2 opera da seguinte maneira:
- Os usuários L2 enviam transações.
- Os nós validadores L2 verificam e executam as transações.
- O nó sequenciador L2 agrupa as transações em lotes e atualiza o estado completo da rede.
- O nó proponente L2 publica o estado atualizado e alguns detalhes das transações na L1.

Quais são as principais redes de segunda camada da Ethereum?
Atualmente, existem mais de 60 redes de segunda camada na Ethereum, com novas surgindo diariamente. Neste estudo, abordaremos as quatro principais que demonstram maior usabilidade e tempo de utilização, ou que vêm expandindo rapidamente: Polygon, Arbitrum, Optimism e Base. Analisaremos a utilização on-chain dessas redes, considerando dados como o número de transações diárias, o total de valor bloqueado, o número de endereços ativos e a competição entre elas.

Qual a diferença de uma rede de segunda camada (L2) para Solana e Cardano?
Para compreender melhor esse cenário, é essencial entender o trilema das blockchains, que envolve escalabilidade, segurança e descentralização. Para tornar a rede Ethereum mais escalável, seria necessário abrir mão da segurança, considerada a maior qualidade da Ethereum. Assim, a melhor opção para aumentar a escalabilidade foi criar redes de segunda camada, sem comprometer a segurança da camada primária. Se houver um problema de segurança, ele afetará a Polygon ou outra rede L2, mas não a camada principal da Ethereum.
Em contraste, Solana e Cardano estão dispostas a sacrificar a segurança da rede inicialmente, tentando torná-las mais seguras ao longo do tempo. Esse é um dos motivos pelos quais a Solana enfrentou diversas quedas de rede; ela busca corrigir erros de segurança através de testes constantes, mais usuários e mais carteiras na blockchain.
Para facilitar o entendimento, vamos usar a analogia de um supermercado. Imagine que a Ethereum é um grande supermercado que preza pela segurança de seus clientes acima de tudo. Para evitar filas longas (alta taxa por transação), o supermercado constrói várias lojas menores (redes de segunda camada) ao redor, onde as filas são menores e o atendimento é mais rápido. Se houver um problema de segurança em uma dessas lojas menores, a loja principal (camada primária da Ethereum) permanece segura.
Por outro lado, Solana e Cardano são como supermercados que decidem abrir mão de algumas medidas de segurança inicialmente para atender mais clientes rapidamente. Eles enfrentam problemas de segurança e interrupções (quedas de rede), mas estão constantemente fazendo ajustes e melhorias para aumentar a segurança à medida que crescem.

O Número de endereços ativos dentro das L2 da Ethereum
Nesse contexto, a única rede de segunda camada da Ethereum que possui mais de um milhão de endereços ativos é a Polygon (MATIC). Esta rede, a mais antiga da Ethereum, conta com a prova do tempo a seu favor. Em uma linha semelhante, a Arbitrum se destaca como a única competidora capaz de rivalizar com a Polygon, alcançando cerca de 800 mil endereços ativos em vários momentos. Durante eventos de airdrop, como o de maio de 2024, Arbitrum chegou a superar a Polygon, mas rapidamente retornou aos seus números habituais.
A Optimism, por outro lado, apresenta uma variação menor, entre 100 mil e 200 mil endereços ativos, sem conseguir atingir números maiores nos últimos três meses, o que indica uma menor utilização de sua rede. Já a Base, rede de segunda camada da corretora Coinbase, demonstra um forte crescimento, impulsionado principalmente pela base de usuários da corretora, e já registra dias com mais de 500 mil endereços ativos.

O Número de transações diárias
No número de transações diárias nas redes de segunda camada da Ethereum, a Polygon (MATIC) domina, atingindo a marca de 4 milhões de transações em um único dia. A Arbitrum segue na faixa de 2 a 3 milhões de transações diárias. A rede Base também demonstra um crescimento significativo, superando a Arbitrum nos últimos 20 dias, com picos de até 3,5 milhões de transações em um único dia.
Por outro lado, a Optimism apresenta um menor volume de transações em comparação com as outras L2 da Ethereum, permanecendo na faixa de 500 mil transações diárias e não ultrapassando a marca de 1 milhão de transações diárias.

O Total de Valor Bloqueado das L2 da Ethereum
O Total de Valor Bloqueado (TVL) é um indicador que mostra o capital travado dentro das redes de segunda camada. Nesse contexto, a Arbitrum é a líder, mas ela também está programando muitos airdrops para os próximos meses, o que pode significar que uma parte significativa desse capital travado está lá devido a esses eventos de distribuição de tokens. Como resultado, o TVL da Arbitrum pode diminuir até o final do ano. Atualmente, a Arbitrum possui $3,5 bilhões em TVL, enquanto a Base está próxima de alcançar $1,5 bilhão. A Optimism e a Polygon têm cada uma menos de $1 bilhão em TVL. Vale ressaltar que essas duas redes não estão oferecendo grandes airdrops no momento e não têm o poder financeiro da Coinbase por trás.

Quais os riscos das L2 da Ethereum?
Podemos observar que as redes L2 da Ethereum estão registrando entre 10 e 15 milhões de transações diárias. Esse número pode aumentar significativamente, talvez até dobrar para cerca de 30 milhões de transações diárias. No entanto, mesmo com esse crescimento, os protocolos acabam sendo diluídos por outras redes L2 emergentes. Essa competição já está resultando na queda dos tokens, evidenciando que, embora a solução de escalar a Ethereum seja válida, a competição e a criação de novos tokens apenas intensificarão a disputa.
Um problema crucial nesse setor é a falta de barreiras de entrada. Se um negócio pode ser replicado por dezenas de outras empresas, ele demonstra uma fragilidade inerente, o que representa um grande risco para as redes L2. A Coinbase já criou sua própria rede de segunda camada. O que impediria a Bybit e a Binance de fazerem o mesmo?
Portanto, enfrentamos vários riscos: grandes corretoras podem entrar nesse mercado, a competição excessiva entre as redes L2 pode diluir o valor de todas elas, e a própria Ethereum pode decidir que essa não é uma prática de mercado sustentável e desenvolver sua própria tecnologia de segunda camada para resolver o problema.
A Fundação Ethereum tem trabalhado continuamente em melhorias para escalabilidade e redução de taxas. Recentemente, a atualização Dencun foi concluída, tornando a Ethereum mais escalável e com taxas mais acessíveis, variando entre $3 a $5 por transação. Anteriormente, em momentos de pico, as taxas chegaram a $100 por transação. O próprio Vitalik Buterin está explorando maneiras e projetos que possam escalar a rede Ethereum sem comprometer sua segurança, que ele considera o fator mais importante. Embora a Ethereum esteja empenhada em reduzir a dependência de soluções de segunda camada, até o momento, esses esforços ainda não foram totalmente eficazes.

O Crescimento tecnológico que essa briga proporciona
Estamos testemunhando uma infinidade de redes de segunda camada na Ethereum. Embora não possamos abordar todas, é evidente que a disputa por taxas dentro da Ethereum destacará as blockchains que conseguirem desenvolver o melhor poder tecnológico. Embora essa competição possa reduzir o valor dos tokens, ela também força esses protocolos a inovar rapidamente devido à intensa concorrência. Esse movimento pode ser benéfico para o mercado de escalabilidade da Ethereum. Cada uma dessas redes busca se diferenciar, seja através de airdrops, como a Arbitrum, ou com tecnologias de conhecimento zero, que permitem a integração dessas redes L2, como é o caso que a Polygon está desenvolvendo em sua atualização.

