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Consolidações punem os impacientes

Num mercado lateralizado, alocações de curto prazo se tornam mais arriscadas, mas favorece os investidores pacientes.

Resumo

👉As oscilações de curto prazo no preço do Bitcoin são influenciadas por informações imprecisas e distorções comunicacionais;

 

👉A longo prazo, o Bitcoin demonstra a desvalorização de bens precificados nele, inclusive o dólar;

 

👉Correções de mercado no Bitcoin são comuns durante tendências ascendentes, desencadeadas pela dinâmica dos instrumentos derivativos;

 

👉As taxas de financiamento atualmente estão mais equilibradas, indicando uma moderação na acumulação de posições de compra;

 

👉A recente correção no preço do Bitcoin eliminou cerca de US$ 4.8 bilhões em valor de contratos futuros, reforçando a influência do mercado à vista;

 

👉A possibilidade de consolidação em torno do Halving se concretiza, com impacto negativo de curto prazo esperado devido à pressão vendedora dos mineradores;

 

👉Historicamente, os meses anteriores aos Halvings foram de estagnação ou declínio no valor do Bitcoin;

 

👉O volume de capital nos ETFs de Bitcoin desacelerou, impactando a precificação à vista do BTC;

 

👉O governo dos EUA movimentou Bitcoins confiscados do Silk Road, potencialmente exercendo pressão vendedora, mas sem o impacto das vendas anteriores;

 

👉O mercado atual, marcado pela atividade de investidores de curto prazo, favorece um aumento da volatilidade;

 

👉Investidores de médio e longo prazo podem aproveitar a conjuntura atual para acumular moedas a preços vantajosos;

 

👉Entretanto, para traders de curto prazo, é mais recomendável aguardar uma tendência mais clara de preços.

Introdução

A máxima de que “a paciência é uma virtude” assume uma dimensão prática e essencial no universo do Bitcoin, representando não apenas uma qualidade desejável, mas uma estratégia imperativa para aqueles que buscam rentabilidade e a formação de um patrimônio sólido.

As oscilações de curto prazo no preço do Bitcoin são frequentemente permeadas por informações imprecisas e distorções comunicacionais, muitas vezes provocadas de maneira proposital. Contudo, ao ampliarmos nossa perspectiva para a trajetória histórica do Bitcoin, torna-se evidente o impacto de suas propriedades intrínsecas: progressivamente, todos os bens precificados em Bitcoin tendem a se desvalorizar.

Consolidações punem os impacientes

Curiosamente, até mesmo o dólar se desvaloriza ao longo do tempo quando avaliado em termos de Bitcoin. Em 2010, um dólar era capaz de adquirir 1,6 bilhão de SATS (a menor denominação do Bitcoin), enquanto hoje, a mesma quantia em dólar equivale a aproximadamente 1527 SATS. O insight notável aqui é que, conforme o tempo avança, um dólar comprará uma quantidade cada vez menor de SATS.

É importante enfatizar que essas considerações se aplicam a uma análise de longo prazo. No curto prazo, uma série de forças atuantes podem influenciar o mercado de maneiras complexas.

Dedicaremos este relatório a explorar essas dinâmicas em detalhe.

Vamos lá!

Mercado de alavancados em processo de limpeza

Durante períodos de tendência ascendente no preço do Bitcoin, é comum observarmos episódios de correção no mercado. Esses ajustes são frequentemente desencadeados pela dinâmica dos instrumentos derivativos, que exercem uma influência significativa sobre a precificação do ativo digital.

Tais correções de mercado surgem quando alcançamos um desequilíbrio acentuado em posições específicas, seja de compra ou de venda, no ambiente dos contratos futuros.

No mercado de futuros, os investidores empregam contratos baseados em Bitcoin tanto para especulação quanto para estratégias de hedge direcional. Essencialmente, esses contratos funcionam como instrumentos para projeções sobre o valor futuro do Bitcoin, permitindo que os investidores “apostem” em sua valorização ou depreciação.

Um elemento distintivo nesse mercado é a taxa de financiamento aplicada aos contratos futuros perpétuos de Bitcoin, que, ao contrário dos contratos tradicionais, não possuem data de vencimento. A taxa de financiamento indica o custo associado à manutenção de um contrato, sendo que tal taxa é transferida entre os detentores de posições opostas.

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Por exemplo, uma taxa de financiamento positiva em um contrato de compra implica que seu detentor compensa financeiramente o detentor de uma posição de venda para manter a posição ativa.

Este mecanismo visa assegurar a convergência dos preços dos contratos futuros ao valor à vista do Bitcoin, fornecendo um indicativo claro sobre a predominância das posições no mercado. Altas taxas de financiamento positivas sugerem uma sobreposição de contratos de compra, incentivando um rebalanceamento por meio da abertura de contratos de venda, beneficiados pela possibilidade de recebimento dessa taxa. O inverso aplica-se às posições de venda.

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Por essa razão, a monitorização das taxas de financiamento é crucial. Atualmente, essas taxas para contratos de Bitcoin normalizaram para níveis mais equilibrados em relação ao pico observado em 31 de março, sinalizando uma moderação na acumulação de posições de compra.

A recente correção de quase 10% no preço do Bitcoin resultou na eliminação de aproximadamente US$ 4.8 bilhões em valor de contratos futuros, reforçando a influência do mercado à vista sobre as tendências de preço.

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Este padrão de ajuste também é perceptível em outros pares de contratos futuros no mercado cripto. Um evento similar ocorreu durante a última correção de mercado entre 20 e 23 de março, momento que também marcou um suporte de preço importante.

Essa dinâmica atual indica um mercado mais equilibrado, criando um ambiente propício para uma recuperação de preços no curto prazo, apesar de potenciais pressões vendedoras remanescentes.

Consolidações em torno do Halving

Em análises anteriores, já abordamos a probabilidade de entrarmos em um período de consolidação durante o evento do Halving, uma previsão que parece estar se concretizando no atual contexto de mercado.

Conforme destacado em nosso último texto, ainda que o ciclo de mercado não tenha alcançado seu ápice, a pressão vendedora exercida pelos mineradores pode impactar negativamente os preços a curto prazo.

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Historicamente, os meses que antecederam os eventos de Halving foram caracterizados por fases de estagnação ou declínio no valor do Bitcoin. Durante o segundo Halving, em julho de 2016, observamos uma redução de aproximadamente 8% no fechamento mensal do preço. Da mesma forma, no terceiro Halving, em maio de 2020, o preço sofreu uma queda de cerca de 3%.

Portanto, a possibilidade de um abril com tendência neutra ou declinante não seria surpreendente, dada a proximidade do Halving previsto para o dia 20.

É crucial salientar, contudo, que os períodos subsequentes aos Halvings anteriores registraram significativas valorizações no preço do Bitcoin, tornando esses momentos de retração oportunidades finais no ciclo para acumulação de ativos a preços vantajosos.

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Analisando os incrementos observados após os dois últimos Halvings, com elevações de 680% a 3300%, é possível especular sobre o potencial de valorização nos meses seguintes. Mesmo admitindo um desempenho mais modesto neste ciclo, projeta-se que o preço do Bitcoin possa atingir marcos próximos a US$ 200.000 por unidade até o final deste ano ou início do próximo, assumindo a repetição dos padrões cíclicos anteriores.

Contudo, é imprescindível considerar o princípio de que rendimentos passados não asseguram resultados futuros. Desta forma, nossa especulação permanece como um exercício teórico baseado na potencial replicação das dinâmicas de ciclo observadas anteriormente.

ETFs de Bitcoin desaceleram, mas podem impulsionar novamente

Recentemente, observou-se uma diminuição notável no volume de capital fluindo para os ETFs de Bitcoin, especialmente em comparação com o ímpeto inicial observado no começo de março. Esta desaceleração teve um impacto direto na formação dos preços do Bitcoin, conduzindo o mercado a uma fase de consolidação.

Na última semana, registrou-se a maior retirada de capital desses instrumentos financeiros desde o início de suas negociações, alcançando quase US$ 900 milhões, um movimento que repercutiu significativamente no mercado.

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No decorrer desta semana, começamos a testemunhar um ressurgimento do capital, embora ainda modesto em magnitude. Este movimento também afetou a tendência de acumulação dos ETFs, que agora indica uma direção descendente.

Em contrapartida, as retiradas do fundo Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) diminuíram consideravelmente desde o último ápice observado em 18 de março. Notavelmente, pela primeira vez recentemente, o GBTC não liderou o ranking de maiores saídas líquidas.

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Especificamente, o fundo da ARK Invest e 21Shares (ARKB) registrou saídas líquidas de US$ 88 milhões ontem, enquanto o fundo da Grayscale experimentou retiradas de US$ 82 milhões.

Atualmente, os ETFs à vista de Bitcoin detêm cerca de 834 mil BTC em suas reservas. Uma nova adição ao nosso painel de controle inclui o ETF de Bitcoin da Hashdex (DEFI), que possui 175 BTC em reservas.

Consolidações punem os impacientes

A captação líquida total dos fundos manteve-se estável, rondando os US$ 12 bilhões, o que equivale a uma absorção de aproximadamente 215.219 BTC. Esta estabilidade sugere uma cautela momentânea dos investidores, refletindo nas estratégias de alocação de capital no curto prazo.

Governo norte-americano pode fornecer pressão vendedora

Além das recentes pressões exercidas por mineradores e a diminuição no volume de capital em ETFs de Bitcoin, ontem presenciamos outro indicativo desafiador para o mercado. Um endereço controlado pelo Governo dos Estados Unidos, que detém Bitcoins confiscados do desmantelado mercado online Silk Road, retomou atividades de transação on-chain.

Para aqueles que acompanham nosso grupo PRO exclusivo no WhatsApp, tiveram a oportunidade de monitorar este evento em tempo real.

O endereço em questão, que armazenava aproximadamente 30 mil BTC, efetuou uma movimentação substancial de cerca de 2 mil BTC para o mercado, utilizando o Coinbase Prime, uma plataforma voltada para investidores institucionais.

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É interessante observar que, nas ocasiões anteriores em que o governo dos EUA movimentou essas criptomoedas — especificamente em março e junho de 2023 — o mercado experimentou uma queda subsequente nos preços.

No entanto, vale destacar que as duas últimas operações de venda realizadas envolveram volumes quatro vezes superiores ao movimentado recentemente, sugerindo que o impacto desta venda no mercado pode não ser tão expressivo quanto em episódios anteriores.

Importante salientar também que, em ambas as ocasiões anteriores, a pressão vendedora acabou sendo compensada pela absorção do mercado. Deste modo, tais vendas podem ser consideradas positivas a longo prazo, uma vez que facilitam a redistribuição de Bitcoins para uma base mais ampla de detentores, mitigando a concentração de propriedade desses ativos.

Conclusões

No atual cenário de estagnação do mercado, delineia-se um desafio significativo para projeções de curto prazo, especialmente diante de múltiplos fatores que inclinam a balança para uma visão mais pessimista da ação dos preços.

Como previamente indicado, os períodos de estabilização próximos ao halving tendem a apresentar uma dinâmica menos ativa, complicando assim a execução de estratégias de trading de curto prazo.

Embora nossa análise sugira um viés otimista para os próximos meses, é imperativo enfatizar o elevado risco associado a operações de curta duração no momento atual.

Consolidações punem os impacientes

Conforme o modelo de Múltiplos de Desvio Padrão (SDM), antecipa-se a possibilidade de um novo teste no suporte de quatro desvios padrões, localizado em US$ 64.316, progredindo em seguida para o alvo de cinco desvios padrões, estimado em US$ 80.396.

Esse potencial cenário oferece oportunidades de trading de curto prazo, embora acompanhe um risco acentuado de prolongamento do período de consolidação antes da concretização do alvo previsto.

Importante notar que o mercado atualmente evidencia uma predominância de investidores de curto prazo, marcando a mais intensa atividade deste segmento desde o início de 2021. Paralelamente, observa-se que investidores de longo prazo começam a realizar distribuição de ativos.

Consolidações punem os impacientes

Essa configuração de mercado propicia um incremento na volatilidade, reflexo tanto dos processos de realização de lucros quanto de capitulações.

Para investidores focados em perspectivas de médio a longo prazo, o momento atual pode representar uma oportunidade estratégica de acumular ativos dentro de um espectro de preço consolidado, visando estabelecer uma média de preço mais vantajosa antes do avanço ascendente que antecipamos para os meses subsequentes.

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