Resumo
👉 O halving alterou a recompensa por bloco e gerou expectativas diversas na comunidade, com alguns entusiastas celebrando e outros preocupados com o impacto futuro;
👉 Durante o quarto halving, a introdução do novo protocolo Runes resultou em um aumento nas taxas de transação, com valores recordes alcançados imediatamente após o evento;
👉 A demanda elevada pelas primeiras “runas”, tokens baseados no protocolo Runes, causou uma competição acirrada entre projetos para lançar moedas rapidamente, aumentando ainda mais as taxas de transação;
👉 O evento de halving, contrariando as expectativas, resultou em um aumento significativo nas recompensas de mineração devido às altas taxas, com o bloco 840000 gerando uma recompensa histórica de 40,751 BTC para a pool ViaBTC;
👉 O protocolo Rune, introduzido durante o halving, utiliza o modelo UTXO do Bitcoin, permitindo a criação de tokens após confirmação no mempool, marcando uma nova era de uso da rede Bitcoin para tokens semelhantes a memes;
👉 Apesar do aumento inicial das recompensas, a recompensa por subsídio de bloco ajustou-se para cerca de 430 BTC diários após o halving, indicando que o sistema continua a funcionar como planejado, embora as taxas tenham modificado temporariamente a dinâmica;
👉 O Múltiplo de Puell, um indicador chave, mostrou que o preço entrou numa zona crítica que pode sinalizar uma nova fase de alta, após uma consolidação que aliviou várias métricas de risco como o aSOPR;
👉 A análise dos ciclos de halving sugere que a fase de alta possa continuar, embora dependa das condições globais de liquidez e da resposta do mercado a novas entradas de capital;
👉 O impacto do volume de moedas emitidas é pequeno comparado ao volume total negociado, mas o halving continua a ser um evento crítico que pode influenciar a percepção de mercado e a especulação.
Sem FED ou BACEN, no Bitcoin é o código que manda
A transparência e a previsibilidade da emissão do Bitcoin distinguem-no significativamente de outros ativos financeiros e moedas globais. Este sistema único foi estabelecido por Satoshi Nakamoto, o enigmático criador do Bitcoin, que implementou o mecanismo de halving para contrapor a desvalorização contínua das moedas fiduciárias.
Como expresso por Nakamoto: “A raiz do problema com a moeda convencional é a confiança necessária para que ela funcione. O banco central deve ser confiável para não desvalorizar a moeda, mas a história das moedas fiduciárias está repleta de traições a essa confiança.”
No dia 20 de abril de 2024, a rede Bitcoin passou pelo seu quarto halving no bloco número 840.000. Esse evento reduziu pela metade a recompensa por bloco, de 6,25 para 3,125 BTC, o que representa uma diminuição da emissão diária de aproximadamente 900 para 450 BTC.
Como resultado, a taxa de emissão anual do Bitcoin cairá de cerca de 1,7% para 0,85%, elevando para 93,7% a quantidade de Bitcoin já minerada.
Os halvings estão programados para ocorrer a cada 210 mil blocos, aproximadamente a cada quatro anos, continuando até que o último Bitcoin seja minerado, o que é projetado para ocorrer algum tempo após o ano de 2140. Após a mineração de todos os Bitcoins, os mineradores dependerão exclusivamente das taxas de transação e de outros mecanismos de compensação fora da blockchain para se manter lucrativos.
Portanto, o início desta época tem se mostrado tão importante para visualizarmos como poderá ser no futuro, uma vez que tivemos uma halving bem diferente dos anteriores.
Neste relatório discutiremos os primeiros blocos após o halving do bitcoin, seus impactos na dinâmica atual do mercado e como isto alterou a estrutura do ciclo on-chain.
Vamos lá!
A chegada na época 5
O halving do Bitcoin é um evento que ocorre a cada 210.000 blocos, ou aproximadamente quatro anos, e reduz pela metade a recompensa por bloco que os mineradores recebem. Este mecanismo visa controlar a inflação e aumentar o valor percebido do Bitcoin ao longo do tempo, reduzindo a taxa em que novos bitcoins são gerados.
Inicialmente fixada em 50 bitcoins por bloco, a recompensa diminui progressivamente a cada halving. Desse modo, a cada halving podemos dividir a história da rede Bitcoin
Quatro anos após o último evento, ocorreu o tão esperado halving do Bitcoin, marcando o início de um novo ciclo para a criptomoeda. Esse momento dividiu opiniões: enquanto muitos entusiastas celebraram, outros mostraram preocupação com as implicações futuras.
Antes e após o 4º halving, o Bitcoin atingiu aproximadamente US$ 64 mil, com o evento culminando na noite de sexta-feira no bloco 840.000, onde a recompensa por bloco foi reduzida de 6,25 para 3,125 BTC.
Essa mudança programada no cronograma de emissões geralmente representa um desafio para os mineradores, que veem suas receitas reduzidas pela metade, mas também atua como um catalisador positivo para o preço do Bitcoin a médio prazo.
Contudo, a introdução de um novo protocolo chamado Runes, lançado simultaneamente ao halving, provocou um aumento dramático nas taxas de transação nas 24 horas subsequentes, atingindo o valor recorde de mais de US$ 128 por movimentação on-chain.
A estreia das primeiras “runas” – tokens baseados no protocolo Runes – gerou uma demanda excepcionalmente alta nos primeiros blocos, levando muitos projetos a competirem para lançar suas moedas antes dos concorrentes.
A elevação nas taxas de transação foi impulsionada pela urgência de usuários em criar tokens semelhantes a memes no Bitcoin, utilizando o protocolo Rune, que se assemelha ao padrão ERC-20 do Ethereum para a criação de tokens. Apesar de os tokens Rune serem fungíveis, eles são objeto de especulação com base em vários fatores como a data de criação, a singularidade e qualidade de seus símbolos, e o potencial para listagem em bolsas.
Até o momento, mais de 7.000 projetos Rune foram criados, alguns dos primeiros sendo nominalmente peculiares como “MASSIVE•PILE•OF•SHIT” e “DOG•GO•TO•THE•MOON”.
O protocolo Rune opera no modelo UTXO do Bitcoin, criando um mecanismo em que as transações de emissão de tokens dos usuários entram primeiro no mempool do Bitcoin e só se concretizam após a confirmação da transação. Esta nova forma de inserir estes tokens acabou trazendo uma evolução do protocolo Ordinals e seus impactos deverão ser vistos nos próximos meses.
O halving de efeito inverso
Um evento notável ocorreu durante os primeiros blocos da quinta época da rede Bitcoin após o halving: a recompensa de mineração sofreu um aumento significativo. Tradicionalmente, a recompensa média por bloco era de aproximadamente 7-8 BTC, incluindo taxas e subsídio. Contudo, após o halving, esse valor ascendeu para 40,751 BTC.
O bloco 840000, minerado pelo pool ViaBTC, destacou-se como o bloco mais lucrativo na história do Bitcoin, proporcionando uma recompensa de US$ 2.601.886. Atualmente, esse pool de mineração detém cerca de 14% da capacidade computacional da rede.
Contrariando as expectativas de que o halving reduziria pela metade as recompensas de mineração, a alta demanda impulsionou as taxas a patamares extremamente altos, elevando a recompensa total de mineração ao maior nível já registrado. No dia do halving, os mineradores arrecadaram um total de US$ 107 milhões, com mais de 75% desse montante originando-se das taxas de transação.
Curiosamente, o halving teve um efeito contrário e acabou aumentando significativamente esta receita. Entretanto, a rentabilidade já reduziu e atingiu os US$ 50 milhões e está indicando que o frenesi em torno do lançamento das Runas pode ter normalizado.
Atualmente, a recompensa por subsídio de bloco ajustou-se para cerca de 430 BTC diários, contra os 900 BTC anteriores ao halving. Assim, apesar das mudanças nas taxas alterarem ligeiramente a dinâmica, o processo de halving continua operando conforme planejado.
Halving, dinheiro, capital, tudo funciona em ciclos
Um dos indicadores que monitoramos para analisar a evolução on-chain do Bitcoin é o Múltiplo de Puell ajustado pela média anual. Esta métrica, crucial para a análise on-chain, é diretamente derivada da atividade de mineração do Bitcoin.
Na transição de sexta para sábado, o halving na rede Bitcoin provocou uma evolução significativa neste indicador. Com a redução na emissão de novos BTCs por bloco minerado, o Múltiplo de Puell entrou numa zona crítica, marcando dois momentos decisivos no ciclo de mercado.
Inicialmente, ao entrar na zona verde, o indicador sugere uma configuração de mercado de baixa e alto risco. No entanto, uma segunda entrada nessa zona, geralmente nos estágios finais de um ciclo de alta, indica o início da fase mais eufórica do ciclo.
Com este halving, observamos a indicação de que estamos na última fase do ciclo de alta do Bitcoin, tradicionalmente seguida por uma valorização significativa nos meses subsequentes.
Adicionalmente, outros indicadores também mostraram uma tendência estrutural mais positiva para o Bitcoin. No início do ano, a alta no preço intensificou os riscos em várias métricas que acompanhamos, como o SOPR ajustado, que se aproximou perigosamente de um sinal de topo de mercado.
Desde meados de março, contudo, o preço do Bitcoin entrou numa fase de consolidação com movimentos bidirecionais, eliminando a alavancagem excessiva no mercado futuro.
Essa consolidação resultou na redução de diversas métricas de risco, afastando-se dos picos anteriores, preparando o terreno para uma continuação da tendência de alta. Atualmente, o indicador aSOPR está em 1.01, sugerindo um ambiente favorável para a continuação da alta a médio prazo, semelhante ao ocorrido em 2017.
Esta melhoria estrutural tem sido percebida pelos investidores institucionais, com sinais de nova acumulação por grandes participantes. Apesar de ainda estarmos em uma fase de consolidação, o cenário atual é consideravelmente mais sólido para a continuação da alta comparado ao início de março.
Esses fatores sugerem uma possível extensão no preço do Bitcoin, alinhando-se com os ciclos pós-halving anteriores. Historicamente, uma nova fase de alta se iniciava após o halving, com impulsos significativos nos preços.
É importante, no entanto, entender a escala de importância do halving. Ao avaliar o seu impacto relativo na dinâmica do mercado, o volume de moedas recém-cunhadas permanece muito pequeno em comparação com o volume total negociado dentro do ecossistema Bitcoin.
A quantidade de moedas emitidas é apenas uma fração do volume total negociado à vista e em derivativos que vemos hoje, e equivale atualmente a menos de 0,1% do capital agregado movimentado e negociado em qualquer dia.
Assim, o impacto que o halving do Bitcoin têm na oferta negociada disponível está diminuindo ao longo dos ciclos, não só devido à redução das moedas extraídas, mas também à medida que o tamanho do ativo e do ecossistema se expandem em torno dele.
Mesmo assim, os eventos de halvings são bastante conhecidos e podem trazer maior especulação ao mercado, guiando aquecimento da demanda, embora não possamos nos basear apenas nos ciclos anteriores. Nos últimos halving tivemos crescimentos exponenciais de 54, 13 e 7 vezes, respectivamente.
Espera-se que essa tendência de alta se repita, mesmo que seja em menor exponencialidade que os ciclos anteriores. Além disso, é importante ressaltar que também deverá depender fortemente de uma melhoria nas condições de liquidez global.
Atualmente, observamos uma redução na base monetária global, geralmente um sinal negativo para criptoativos. No entanto, espera-se que a partir de maio, a liquidez global melhore, contribuindo para um sentimento de mercado mais otimista.
Além disso, apesar da redução de curto prazo, tanto a base monetária global quanto a liquidez do dólar americano estão em trajetórias ascendentes. Portanto, enquanto o Bitcoin funcionar como uma esponja de liquidez, continuará se beneficiando de mais dinheiro sendo impresso no mercado.
Conclusões
Embora o halving tenha alterado a estrutura de receita de mineração do Bitcoin, ele não modificou significativamente a estrutura do ciclo de mercado. Era esperado que inovações e novos usos na rede Bitcoin mudassem a dinâmica das recompensas advindas das taxas de transação, bem como o advento de novas soluções de escalabilidade.
Apesar de tais inovações poderem elevar temporariamente os custos na rede, o mercado tende a se ajustar em busca de eficiência, característica essencial de um mercado livre.
Essas novas experimentações também têm o potencial de aumentar a visibilidade do Bitcoin, o que poderia influenciar positivamente os preços assim que superarmos a atual faixa de consolidação. Atualmente, com o Bitcoin oscilando entre US$ 60.000 e US$ 73.000, é desafiador discernir uma tendência clara de curto a médio prazo.
Contudo, conforme indicado pelos modelos de análise de ciclo, estamos numa fase propícia para investimentos. Apesar das oscilações intensas no início do ano, a recente estabilização e as quedas observadas têm diminuído o nível de lucratividade da rede e, por consequência, o risco de novas alocações.
A tendência mais provável é a continuação do mercado altista, embora possa levar algum tempo até rompermos decisivamente a faixa de consolidação e atingirmos novos picos históricos. É crucial notar que ainda não enfrentamos o ponto de maior pressão deste ciclo, sugerindo que permanecer fora do mercado pode não ser a melhor estratégia.
Portanto, é essencial manter-se investido e aproveitar possíveis correções para alocar novos capitais, pois uma reação positiva e robusta pode surgir nos próximos meses, e muitos investidores podem perder a oportunidade de se posicionar adequadamente.
#HODL!











