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Bitcoin crash e aversão ao risco nos mercados globais

Processo de desalavancagem no Japão e temores de recessão nos EUA pressionam ativos de risco gerando colapso nos mercados, mas bitcoin apresenta cenário de oportunidade.

Resumo

👉 A recente elevação de 25 pontos-base na taxa de juros no Japão causou uma queda no preço do Bitcoin e outros ativos de risco;

 

👉 O carry trade, que envolve empréstimos em uma moeda com baixa taxa de juros para investir em ativos com maiores retornos, foi afetado pela mudança nas políticas monetárias do Japão;

 

👉 O aumento das taxas de juros no Japão elevou o valor do iene, forçando traders a liquidar ativos para pagar empréstimos, exacerbando a valorização da moeda e resultando em uma cascata de liquidações;

 

👉 A mudança nas condições financeiras expôs a alavancagem oculta e resultou em perdas significativas nos ativos de risco;

 

👉 A Regra de Sahm indica uma possível recessão nos Estados Unidos, com o aumento da taxa de desemprego;

 

👉 Outros indicadores, como o Índice de Indicadores Líderes (LEI) e a curva de rendimentos invertida, também sugerem uma recessão iminente;

 

👉 O mercado espera cortes nas taxas de juros em setembro, com a possibilidade de injeção de liquidez pelos bancos centrais para reaquecer a economia;

 

👉 Esse ciclo de políticas monetárias pode levar a uma nova inflação de preços e reiniciar o ciclo econômico;

 

👉 O recente processo de desalavancagem nos mercados globais impactou o mercado futuro de Bitcoin, com uma queda de 36% e liquidações significativas de contratos comprados;

 

👉 Investidores institucionais aproveitaram a queda para comprar mais Bitcoin, enquanto investidores de curto prazo capitularam;

 

👉 Estamos em um momento de complexidade econômica global, com fundamentos do Bitcoin permanecendo sólidos como proteção contra a degradação monetária;

 

👉 Apesar das incertezas de curto e médio prazo, o Bitcoin continua sendo uma opção de acumulação de valor a longo prazo.

Introdução

Neste relatório, vamos explorar dois temas centrais que têm agitado o mercado financeiro global: a recente elevação da taxa de juros no Japão e o aumento das preocupações com uma recessão iminente nos Estados Unidos. Analisaremos como a política monetária japonesa afetou drasticamente diversos ativos, incluindo criptomoedas, e explicaremos o impacto do carry trade.

Além disso, discutiremos indicadores econômicos que apontam para uma possível recessão nos EUA, destacando a Regra de Sahm e outros sinais de alerta. Por fim, examinaremos as implicações dessas dinâmicas para o Bitcoin e outros ativos digitais, oferecendo insights sobre as estratégias de alocação em tempos de incerteza econômica.

Vamos lá!

Bolsa japonesa “quebra” e carry trade é exposto

A recente elevação de 25 pontos-base na taxa de juros no Japão pode parecer insignificante, mas teve um impacto significativo em diversos ativos de risco, incluindo o bitcoin e ativos digitais. Para entender isso, é necessário compreender o funcionamento do carry trade.

O carry trade envolve a tomada de empréstimos em uma moeda com baixa taxa de juros para investir em ativos que oferecem retornos mais elevados. Aqui está um exemplo simplificado de como isso funciona:

  1. Tomar empréstimos em ienes (JPY) com taxa de juros próxima de zero.
  2. Comprar um ativo fora do Japão que oferece um retorno maior.
  3. Lucrar com a diferença entre a taxa de empréstimo e o retorno do investimento.

Durante o período de taxas de juros zero (ZIRP) nos Estados Unidos, uma prática comum era tomar empréstimos a uma taxa variável de 2% contra ações e investir em imóveis que rendiam 7%. A diferença de 5% era um lucro aparentemente garantido, desde que:

  1. A taxa de juros do empréstimo permanecesse baixa.
  2. O valor do colateral (ações) não caísse.
  3. O investimento (imóvel) continuasse rendendo.

No entanto, os traders de carry trade estão enfrentando dificuldades porque essas condições favoráveis estão mudando.

O Banco do Japão (BOJ) está sendo forçado a adotar uma política monetária mais rígida para proteger a população da inflação, similar ao que o Federal Reserve dos EUA fez entre 2022 e 2023. Uma moeda desvalorizada dificultava a compra de bens estrangeiros pelos japoneses, um problema sério para um país que importa a maior parte dos seus bens.

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Para combater a inflação, o BOJ elevou as taxas de juros. As taxas de juros são o preço de emprestar dinheiro. Aumentar as taxas significa encarecer o empréstimo, reduzindo a quantidade de dinheiro em circulação.

Para os traders de carry trade que tomaram empréstimos em ienes para comprar ativos estrangeiros, isso é desastroso. Eles possuem ativos denominados em moeda estrangeira contra empréstimos denominados em ienes. Quando o valor do iene aumenta, eles precisam pagar mais em termos de dólares para quitar seus empréstimos.

O aumento das taxas de juros no Japão exerce pressão para cima no valor do iene. Isso ocorre porque:

A elevação das taxas aumenta a demanda por ienes, pois os rendimentos em ienes se tornam mais atraentes.

A elevação das taxas de juros aumenta o custo dos empréstimos, reduzindo a quantidade de ienes emprestados e, consequentemente, a oferta de ienes.

Como resultado, o valor do iene subiu significativamente, e o par USD/JPY caiu de 162 para 145. Isso significa que qualquer pessoa que tomou empréstimos em ienes agora deve 10% a mais em termos de dólares em poucas semanas.

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Essa situação forçou alguns traders a vender seus ativos e recomprar ienes para pagar seus empréstimos, aumentando ainda mais a pressão de compra sobre o iene e exacerbando a valorização da moeda. Esse ciclo de venda de ativos e recompra de ienes acabou resultando em uma cascata de liquidações.

No mercado de criptomoedas, dinâmicas reflexivas como essa são comuns, como visto no colapso do Terra. Quando tudo vai bem, a tendência é de alta; quando há reversão, o impacto é severo.

Os traders de carry trade estavam apostando que as taxas de juros permaneceriam em zero indefinidamente, que o USD/JPY continuaria subindo, e que o BOJ continuaria a suportar o sofrimento dos consumidores japoneses. No entanto, com a mudança nas políticas monetárias, muitos traders estão enfrentando liquidações.

Essa mudança nas condições financeiras está causando uma queda nos ativos de risco, expondo a alavancagem oculta no sistema que anteriormente parecia um “glitch de dinheiro infinito” na política monetária do Japão. Com o BOJ adotando uma postura mais rígida, o mercado global sente o impacto, resultando em perdas significativas.

Portanto, a elevação das taxas de juros no Japão não é apenas uma questão local, mas um evento com repercussões globais, especialmente para os traders de carry trade que operavam com a premissa de uma política monetária eternamente acomodatícia no Japão.

Recessão nos Estados Unidos é uma realidade que se aproxima

Os temores em relação a uma recessão nos Estados Unidos são o outro fator preponderante nesse processo de redução de risco e alavancagem que presenciamos na segunda-feira e nos últimos dias. Estes temores foram citados em nosso último relatório por um dos principais indicadores de sinalização de recessões.

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A Regra de Sahm, desenvolvida pela economista Claudia Sahm do Federal Reserve, é um indicador crucial para prever recessões. Segundo essa regra, a economia está em recessão quando a média móvel de três meses da taxa de desemprego aumenta meio ponto percentual em relação ao seu valor mínimo nos últimos 12 meses. O último relatório de emprego acionou esse indicador, sugerindo que uma recessão pode estar se aproximando.

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Entretanto, a Regra de Sahm não é o único indicador apontando para uma recessão. O Índice de Indicadores Líderes (LEI) do Conference Board através de uma série de indicadores de atividade econômica também tem uma longa história de previsões precisas de recessões.

Historicamente, uma queda no LEI de seis meses sempre se alinhou com uma recessão. Atualmente, estamos em um dos períodos mais longos registrados em que o LEI permaneceu negativo sem uma recessão declarada.

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Outro indicador é a curva de rendimentos invertida, que sugere riscos de recessão. A inversão da curva entre os títulos do Tesouro de 10 anos e 2 anos não é o alerta de recessão em si, mas quando essa inversão se reverte, geralmente sinaliza o início de uma recessão. Isso ocorre como resposta a cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve para tentar compensar uma economia em desaceleração rápida.

Nesta segunda-feira, o spread da curva de juros reverteu e ficou momentaneamente acima de zero, indicando que a reversão da curva está próxima e com ela, uma sinalização mais clara de recessão.

Portanto, agora a principal saída para o Banco Central dos Estados Unidos é entrar numa política monetária mais acomodativa, principalmente através de queda nas taxas de juros-base da economia. O mercado já precifica cortes de no mínimo 25 pontos-base em setembro, o que iniciará o ciclo de queda de juros e poderá se estender até o próximo ano.

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Entretanto, vale ressaltar que períodos de corte de juros rápidos são sinais de alta desaceleração econômica, o que força o Federal Reserve a tentar reaquecer sua economia doméstica, mas isto geralmente é atrasado. Note que todas as quedas de juros que temos na história foram derivadas de altos níveis de desemprego e recessão.

Para contornar isto, não só o FED, mas vários Bancos Centrais ao redor do planeta executarão sua principal ferramenta para aquecer a atividade econômica: injetarão liquidez no sistema. Abordaremos este tópico a seguir.

O espiral de dívida e a expansão de liquidez

O atual cenário econômico global apresenta uma série de desafios e incertezas, especialmente em relação às ações futuras dos bancos centrais e políticas fiscais em resposta à volatilidade do mercado. Analisando essas possíveis respostas, é plausível que um corte emergencial nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) seja mais provável do que se espera.

Se a volatilidade continuar, o Fed pode interpretar isso como um sinal de que precisa intervir para apoiar o funcionamento do mercado. No entanto, essa intervenção pode não reduzir a volatilidade, como alguns acreditam, mas sim confirmar aos participantes do mercado que a situação é realmente grave, necessitando de um corte emergencial nas taxas. Isso faria com que os participantes do mercado reavaliassem suas expectativas.

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Historicamente, períodos de afrouxamento monetário e cortes emergenciais foram acompanhados por maior volatilidade e quedas nos mercados, como podemos ver através do índice de volatilidade VIX.

Por conta disso, as intervenções dos bancos centrais podem ser visualizadas como uma onda senoidal crescente, onde cada ação é mais extrema que a anterior, exigindo uma ação subsequente ainda maior. Este fenômeno é observado em ambos os extremos – o Fed reduziu as taxas em um dos ritmos mais rápidos e, posteriormente, teve que aumentar as taxas na mesma velocidade.

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Com o capital global se movendo mais rapidamente, os participantes do mercado estão condicionados a esperar respostas rápidas tanto do lado monetário quanto fiscal.

Um ponto crucial a ser compreendido nesta análise é o conceito de espiral da dívida, que é uma carga de dívida cada vez maior, com um déficit contínuo, que só aumenta exponencialmente à medida que os gastos com juros aumentam. O Tesouro precisa emitir mais títulos para financiar os juros, aumentando a oferta e potencialmente superando a demanda, o que eleva ainda mais os gastos com juros.

O espiral de dívida dos Estados Unidos continuará crescendo a medida que novos ciclos de política monetária expansionista e contracionsista são executados. Talvez este é um dos conceitos mais complexos para se entender, mas traduz completamente o “castelo de cartas” que é a economia fiduciária.

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Note que uma onda senoidal é um fenômeno físico presente em diversas observações da natureza, mas ela só existe na economia tradicional como consequência de uma pertubação humana. O crescimento de impactos maiores a cada ciclo é algo possível de ser observado na dívida norte-americana em relação a taxa de juros do país.

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No modelo acima, temos uma relação entre a taxa de juros, títulos de 5 anos e a dívida nacional. A medida que a taxa de juros se altera ao longo do tempo, mais títulos de dívida são emitidos pelo governo como meio de se financiar, impactando diretamente na dívida pública nacional.

Com o aumento da dívida pública nacional, o custo desta dívida também aumenta e acaba sendo necessário que um novo ciclo de recompra de títulos e redução de juros entre em ação.

Entretanto, o resultado é sempre o mesmo e cada vez mais intenso na economia. Podemos compreender que a medida que os Estados Unidos aumenta sua dívida pública, também aumenta o processo de monetização desta dívida por meio de impressão monetária.

O resultado final é o constante processo de degradação monetária, gerando mais inflação de preços e perda do poder de compra. O bitcoin não só é um ativo com propriedades únicas para transferência de capital, mas também fornece uma forma de se proteger desde processo infinito de criação de dívida e destruição de riqueza.

Inclusive, entramos hoje num processo de injeção de liquidez por parte do tesouro norte-americano através do programa de recompra de títulos. Este processo deverá fornecer liquidez para o mercado financeiro como um todo e deveremos ver isto impactando diretamente métricas de liquidez.

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Além disso, vale ressaltar que também já começamos a ver sinais de crescimento da base monetária global, quebrando a faixa padrão que estávamos acompanhando desde o início do ano passado. Numa variação mensal, este é o maior cresciemnto da oferta monetária M2 desde o início de 2024 e poderá ser sentida nos preços do Bitcoin e ativos digitais logo mais.

Desalavancagem em massa ocasiona Long Squeeze

O recente processo de desalavancagem que ocorreu nos mercados globais impactou diretamente o mercado futuro de Bitcoin, resultando em uma queda significativa e expressiva na última semana. Entre os dias 29 e 5 de agosto, o mercado futuro de Bitcoin sofreu uma queda de 36%, com mais de 14,4 bilhões de dólares em contratos futuros sendo fechados.

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Grande parte desses contratos foi liquidada na segunda-feira, marcando o maior volume de liquidações de contratos comprados nos últimos dois anos. Somente na segunda-feira, foram liquidados mais de 286 milhões de dólares em contratos de compra, evidenciando um alto grau de pessimismo entre os investidores.

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Essa liquidação em massa também levou a uma queda significativa nas taxas de financiamento dos contratos futuros, indicando que a maioria dos investidores estava posicionando contratos de venda, refletindo um pessimismo elevado naquele período. No entanto, esse nível extremo de liquidação também pode sinalizar um potencial ponto de reversão de preços, algo que começou a se manifestar nos últimos dois dias, com o Bitcoin recuperando parte das perdas e subindo mais de 17%.

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Ainda é complexo afirmar que o fundo atual não será rompido no curto e médio prazo, devido a uma série de fatores relacionados à recessão global que podem desencadear novas vendas massivas e desalavancagem no mercado global. No entanto, a estrutura atual favorece uma recuperação de preços no curto prazo.

É importante destacar que, apesar da recuperação de preços, a alavancagem, medida pela quantidade de contratos abertos, permanece na mesma faixa de 28 bilhões de dólares, valor observado no início do dia 5 de agosto, quando ocorreu o sell-off e o processo significativo de long squeeze no mercado.

Investidores novatos capitulam (novamente) enquanto baleias absorvem

Na última segunda-feira, o mercado de Bitcoin testemunhou o maior processo de realização de prejuízo de 2024, caracterizando um evento de capitulação clássica. Esse fenômeno ocorre quando investidores de curto prazo liquidam suas posições devido à baixa lucratividade, resultando em uma saída significativa do mercado.

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A queda do Bitcoin foi impulsionada principalmente pelas vendas desses investidores de curto prazo, algo que pode ser observado através do indicador SOPR (Spent Output Profit Ratio). Este evento marcou o prejuízo realizado mais intenso desde julho de 2022, indicando uma pressão vendedora significativa no mercado spot do Bitcoin.

No entanto, conforme demonstrado em várias análises anteriores, esses momentos de capitulação são frequentemente aproveitados por investidores institucionais para adquirir moedas a preços mais baixos. No dia 6, observamos uma variação positiva de 30 dias nas reservas de grandes investidores, conhecidos como “baleias” e “tubarões”.

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Entidades que possuem entre 100 e 1.000 bitcoins (os tubarões) adquiriram mais de 85 mil moedas, enquanto aquelas com reservas entre 1.000 e 10.000 bitcoins (as baleias) acumularam cerca de 9.200 moedas nesse período. Isso evidencia que investidores institucionais estavam aproveitando a queda do mercado para continuar comprando e absorvendo moedas.

Essa dinâmica ocorre quando há um sentimento de aversão ao risco no curto prazo, mas a estrutura de mercado no médio e longo prazo ainda favorece alocações no Bitcoin. Investidores institucionais estão acreditando nessa perspectiva e, por isso, estão se posicionando tanto no Bitcoin quanto em ativos tradicionais.

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Bancos como JPMorgan e Goldman Sachs relataram que na segunda-feira observaram o maior volume de compra institucional por hedge funds em 2024. Esse volume foi derivado principalmente de um processo de venda por parte dos investidores de varejo no mercado tradicional, incluindo ações e índices, o que demonstra que investidores institucionais estavam comprando durante essa queda nos mercados globais.

Apesar da aversão ao risco devido a preocupações com uma possível recessão, muitos investidores institucionais aproveitaram a queda de preços para reafirmar suas posições estratégicas dentro de seus portfólios.

No Blocktrends, também adotamos essa estratégia, adicionando mais Bitcoin à nossa carteira durante o período de queda. Conseguimos adquirir Bitcoin a pouco mais de 51 mil dólares, o que discutiremos com mais detalhes no relatório de sexta-feira sobre a carteira Satoshi.

Conclusões

Estamos passando por um dos momentos mais complexos em termos de macroeconomia e de mercados globais já presenciados. Esse nível de complexidade traz uma série de desafios na análise de dados do mercado atual, especialmente no que se refere ao Bitcoin.

No que diz respeito aos fundamentos do Bitcoin e sua capacidade de continuar nos protegendo contra a degradação monetária, fica evidente que tanto o espiral de dívida dos Estados Unidos quanto os novos processos de injeção de liquidez, que em última instância deterioram o poder de compra da população, permanecem inalterados. No entanto, no curto e médio prazo, uma série de incertezas ainda pairam sobre o mercado.

Não podemos ignorar que os indicadores de recessão são ainda mais alarmantes e precisos do que eram no ano passado, quando começamos a discutir essas questões no Blocktrend. Atualmente, nossos indicadores de ciclo sugerem que estamos em um período de alocação e que ainda não atingimos o final deste ciclo de mercado para o Bitcoin. Porém, isso não reflete necessariamente o cenário global.

Bitcoin crash e aversão ao risco nos mercados globais

É importante relembrar o ciclo de 2019 a 2021 e os eventos que ocorreram nesse período. Em 2020, o mundo enfrentou uma recessão declarada e viu um cenário de correção significativo que começou em 2019 e culminou em março de 2020, com o Bitcoin sofrendo uma queda considerável. Apesar disso, após 2020, o ciclo de alta do mercado continuou até o final de 2021. Atualmente, podemos estar vendo algo semelhante no Bitcoin, com uma possível recessão nos próximos meses impactando a precificação de curto e médio prazo do Bitcoin e dos ativos globais.

A expectativa do mercado, no entanto, é que os bancos centrais mais uma vez injetem liquidez no sistema financeiro, o que inevitavelmente aumentará o nível de atividade econômica e reacenderá o interesse por compra de ativos e investimentos. Isso, por sua vez, causará uma nova inflação de preços, reiniciando o ciclo. O Bitcoin surge como uma saída em meio a este caos, oferecendo uma perspectiva mais sólida de acumulação de valor a longo prazo.

Por isso, nossa recomendação é continuar acumulando Bitcoin para o longo prazo. Esse relatório acabou sendo mais extenso do que o esperado, então abordaremos mais desses temas no relatório de sexta-feira da carteira Satoshi. Até lá, continuaremos atualizando nossos grupos exclusivos.

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