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Como Isaac Newton revolucionou a economia 60 anos antes de Adam Smith


Por Felippe Hermes
Junho 2, 2021

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Por 3 décadas o pai da física moderna comandou a Casa da Moeda da Inglaterra, dando início a uma mudança que impactaria o mundo ao longo dos séculos seguintes: o padrão ouro.

Foi em 1759 que François Quesnay publicou o seu “Tableau économique” (quadro econômico), descrevendo o funcionamento de uma economia em sua visão.

Quesnay, como os fisiocratas, acreditava que a agricultura seria o único setor da economia a gerar riqueza de fato, uma teoria que não demoraria a cair em desuso, mas que levaria ao surgimento de uma outra, essa sim, amplamente conhecida nos dias de hoje.

O médico francês acreditava que, como o corpo humano, a economia deveria ter seu sistema circulatório irrigado com dinheiro, e este por sua vez, deveria circular livremente, resumindo sua ideia na expressão “laissez-faire”.

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Quesnay seria uma influência fundamental para Adam Smith, que 3 anos antes publicaria “A teoria dos sentimentos morais”, sua obra mais relevante.

Essa de fato foi uma década bastante agitada. Não apenas pelo Tableau économique e a Teoria dos Sentimentos Morais, mas pela publicação por David Hume da sua teoria monetária descrevendo o padrão ouro.

Como toda teoria econômica, a “Teoria Quantativa da Moeda” de Hume surgiu após a prática de fato.

De fato, o ouro se tornou o padrão monetário muito antes de a Inglaterra ou França sequer existirem. Desde ao menos 557 a.c. o ouro já era amplamente adotado como moeda, tendo vigorado na Grécia, no império romano do ocidente, sob o nome de “áureo”, e posteriormente no império romano do oriente sob o nome de “Dinar”.

Dinar, ou simplesmente “dinheiro” no português, era uma peça de 4,54g de ouro. Do mesmo modo que Real seria uma unidade 3,35g de prata cunhada pelos espanhóis (e que levaria o nome de Dólar espanhol). Já o dólar por sua vez, deriva de Joachimsthaler, que virou Thaler, que por sua vez virou dólar (e também era uma moeda de prata).

A grande invenção de Isaac Newton em 1717 portanto, foi derivada de um consenso quase universal de utilizar ouro e prata como moeda.

Sob o comando da Casa da Moeda, o mais importante nome da física, determinou que a prata fosse retirada de circulação, criando uma paridade específica entre ouro e prata.

A determinação, porém, não seria uma obrigação, mas uma lógica simples. Ao converter a prata de maneira pré-determinada com o ouro, Isaac garantiu que as pessoas pudessem se livrar do metal em troca de outro mais nobre e com maior reserva de valor.

Ao fazer isso, Newton daria início ao que chamamos de “Padrão Ouro”. O metal em si não seria mais necessário fisicamente, mas um lastro para o papel moeda, o que por sua facilitava as trocas e tornava o papel moeda estável.

Trata-se de uma prática que perdurou em maior ou menor grau até 1971.

Na prática, o padrão ouro estabelece uma razão fixa entre o valor de todas as moedas, afinal, elas são apenas representações da quantidade de ouro guardadas nos cofres de bancos centrais.

Esse tipo de conversão seria crucial para estimular o comércio, pois ampliaria a aceitação de produtos em moedas distintas, além de garantir uma maior circulação da moeda na economia, como queria Quesnay, ao criar um meio de troca amplamente aceito e estável.

Por se tratar de um metal que possui uma oferta praticamente inelástica, em torno de 2% ao ano, o ouro colaborou na estabilidade de preços e na previsibilidade da economia ao longo de todo século XIX, quando o padrão ouro começou a se difundir entre as economias.

Sua aceitação, porém, não foi automática. No caso da Alemanha, por exemplo, o padrão ouro seria adotado apenas em 1871, quando após vencer a guerra franco-prussiana os alemães obtiveram uma indenização de 200 milhões de francos, usando essa grana para converter o marco da prata pro ouro.

O período entre 1870 e 1914 costuma ser chamado de “Belle Époque”, ou “bela época”, em referência à paz que reinou na Europa e ao seu grande desenvolvimento no período. Nos Estados Unidos, o período é chamado de “Era Dourada”, denotando o período em que a economia americana se tornaria a maior do mundo.

Por trás deste período, como se vê, esteve uma estabilidade monetária nunca antes presenciada no continente.

A primeira guerra mundial, que marca o fim do período “áureo”, marcaria também o fim do padrão ouro.

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Ao longo das décadas seguintes alguns acordos e tentativas de retorno seriam feitas.

Em 1944, por exemplo, quando o dólar se tornou a moeda global, ficou definido que uma onça de ouro equivaleria a $35, e que o equivalente em ouro estaria depositado nos cofres do Banco Central americano.

O “FED”, havia recebido enormes carregamentos de ouro em meio a segunda guerra e se dispunha a não emitir mais moeda do que o seu equivalente em ouro.

Por um bom tempo os países fingiram acreditar que era verdade e tudo seguiu relativamente bem. A época dos “baby Boomers” seguiu sob o padrão ouro, que seria extinto de vez em 1971.

Charles De Gaulle iniciaria em 1965 uma campanha contra o chamado “privilégio exorbitante”. Na prática, De Gaulle acusava os EUA de imprimir mais dólares do que de fato havia em ouro, com isso exportando sua inflação para o resto do mundo que ansiava pelos dólares por serem justamente ouro.

Se um dólar equivale a 1 grama de ouro, logo, dólar é ouro. E assim foi por um bom período.

Com a exigência de De Gaulle de trocar os dólares acumulados pela França por ouro de fato, se iniciou uma corrida bancária onde os países europeus não mais compravam títulos da dívida americana, financiando os EUA, e sim exigiam o ouro depositado por lá.

Em 1971 Nixon enfim desistiria do padrão ouro, tornando o dólar uma moeda sem qualquer lastro.

A prática foi fundamental para os EUA financiarem sua guerra no Vietnã, mas teria consequências catastróficas.

Com a enxurrada de dólares novos, não demoraria muito até que os árabes percebessem que o seu petróleo estava sendo trocado por uma moeda que simplesmente era um pedaço de papel pintado.

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Com o fim do padrão ouro tivemos os choques do petróleo e hiperinflação, por sua vez levando a aumento de juros nos EUA e recessão em países como o Brasil, na chamada “década perdida”.

Por falar no Brasil, o padrão ouro pouco foi adotado por aqui. A despeito de o ouro que deu início lá na Inglaterra ter sido extraído por aqui, tivemos breves períodos usando a prática, razão pela qual nossa moeda foi, via de regra, impressa sem qualquer constrangimento ao longo do último século.

Como se vê, o problema do padrão ouro e sua viabilidade está diretamente ligado à verificação.

Balanços de bancos centrais não são verificáveis in loco, o que retorna toda discussão a uma simples questão de “confiança”.

As pessoas devem confiar no que dizem os bancos, ou do contrário, seguirão levando papel pintado em troca de bens e serviços.

Ao criar um sistema que permite verificação por todos os usuários da rede, Satoshi Nakamoto, o criador do bitcoin, deu uma solução elegante a questão, razão pela qual o Bitcoin se tornaria conhecido como “o ouro digital”, ou, o ouro é uma versão analógica do Bitcoin.

Na prática, ainda que esteja longe de cumprir os requisitos como meio de troca, o bitcoin emula as funções básicas do ouro, como a escassez, e melhora sua divisibilidade, sem depender de um banco central.

Em suma, toda história monetária foi digitalmente transposta em um ativo.

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