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BIP-361: Bitcoin pode congelar moedas que não migrarem para proteção quântica

Proposta de desenvolvedores prevê congelamento de bitcoins em endereços vulneráveis a computadores quânticos. Mais de 34% do BTC em circulação está exposto.

BIP-361: Bitcoin pode congelar moedas que não migrarem para proteção quântica
Foto: Unsplash

Uma proposta formal publicada em abril de 2026 está dividindo a comunidade Bitcoin: a BIP-361, co-autorada por seis desenvolvedores — incluindo Jameson Lopp, CTO da Casa — prevê um plano de migração em três fases que, no limite, congelaria permanentemente bitcoins armazenados em endereços vulneráveis a ataques de computadores quânticos.

A discussão não é teórica. Segundo dados on-chain, mais de 34% de todos os bitcoins em circulação estão em endereços com chaves públicas expostas — exatamente o tipo de endereço que um computador quântico suficientemente poderoso poderia comprometer. Pesquisadores do Google publicaram estimativas no início de 2026 indicando que um computador quântico avançado poderia quebrar a criptografia ECDSA do Bitcoin em aproximadamente 10 minutos.

O que é a BIP-361 e como funciona o plano de migração

A BIP-361, formalmente intitulada “Post Quantum Migration and Legacy Signature Sunset”, foi registrada em 11 de fevereiro de 2026. Ela propõe um soft fork em três fases para migrar toda a rede Bitcoin para endereços resistentes a computação quântica.

Fase A começaria aproximadamente três anos após a ativação da BIP-360 (a proposta técnica que cria os novos formatos de endereço quântico-resistentes). Nessa fase, carteiras seriam impedidas de enviar fundos para tipos de endereços legados — ou seja, os endereços antigos que usam criptografia vulnerável.

Fase B entraria em vigor dois anos depois, tornando todas as assinaturas legadas inválidas na camada de consenso. Na prática, isso significa que bitcoins que não tiverem sido migrados para endereços seguros ficariam permanentemente congelados — sem possibilidade de movimentação.

O prazo total de migração seria de aproximadamente cinco anos a partir da ativação inicial, segundo o cronograma proposto.

Por que a proposta é tão controversa na comunidade Bitcoin

A reação da comunidade foi imediata e polarizada. Em fóruns de desenvolvimento e no X (antigo Twitter), críticos classificaram a BIP-361 como “autoritária” e “predatória”, argumentando que congelar fundos de endereços inativos violaria um dos princípios fundamentais do Bitcoin: a soberania individual sobre os próprios fundos.

O caso mais emblemático é o de Satoshi Nakamoto. As moedas atribuídas ao criador do Bitcoin — estimadas em cerca de 1 milhão de BTC — estão em endereços com chaves públicas expostas e nunca foram movidas. Sob a BIP-361, esses bitcoins seriam congelados permanentemente caso não fossem migrados.

Adam Back, CEO da Blockstream e um dos criptógrafos citados no whitepaper original do Bitcoin, defende uma abordagem diferente: adicionar funcionalidades quântico-resistentes de forma opcional, sem forçar migração ou congelamento de moedas. Para Back, a ameaça quântica real ainda está a anos de distância, e medidas coercitivas podem causar mais dano do que o próprio risco que tentam mitigar.

Computação quântica e Bitcoin: qual é o risco real em 2026

A criptografia do Bitcoin se baseia em matemática de curvas elípticas (ECDSA). Um computador quântico executando o algoritmo de Shor poderia, em teoria, derivar uma chave privada a partir de uma chave pública — comprometendo qualquer endereço cuja chave pública tenha sido exposta na blockchain.

Hoje, endereços modernos do tipo SegWit e Taproot expõem a chave pública apenas no momento da transação, reduzindo a janela de vulnerabilidade. Porém, endereços legados do tipo P2PK (pay-to-public-key) — muito comuns nos primeiros anos do Bitcoin — mantêm a chave pública permanentemente visível.

A questão prática é: computadores quânticos capazes de executar o algoritmo de Shor com qubits suficientes ainda não existem. As estimativas mais otimistas de empresas como Google e IBM apontam para uma janela de 5 a 15 anos até que a ameaça se torne concreta. Porém, a migração de uma rede descentralizada com centenas de milhões de endereços não acontece da noite para o dia — e é exatamente esse argumento que os defensores da BIP-361 usam para justificar a urgência.

O que isso significa para quem tem Bitcoin hoje

Neste momento, a BIP-361 está em status informacional — ou seja, é uma proposta de discussão, não uma mudança ativa no protocolo. Nenhuma ação imediata é necessária por parte de holders de Bitcoin.

No entanto, o debate levanta questões fundamentais sobre governança descentralizada: quem tem autoridade para decidir o congelamento de fundos em um sistema projetado para ser resistente à censura? É legítimo sacrificar a imutabilidade para preservar a segurança?

Para investidores e profissionais do mercado cripto, acompanhar a evolução da BIP-361 é essencial. Se aprovada e ativada, ela criaria um precedente inédito na história do Bitcoin — e exigiria que todos os holders migrassem seus fundos dentro do prazo estabelecido, sob risco de perda permanente de acesso.

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