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Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Com um histórico pouco favorável para o mês de setembro, bitcoin pode oferecer uma oportunidade única para acumular no ciclo de mercado de longo prazo.

Resumo

👉 No início de agosto, o preço do Bitcoin sofreu uma queda significativa devido à desalavancagem no Japão e receios de recessão;

 

👉 A queda resultou em uma capitulação considerável, com mais de US$ 3 bilhões em prejuízo realizados no dia 5 de agosto, o maior desde a falência da FTX;

 

👉 O SOPR dos holders de curto prazo atingiu seu nível mais baixo desde a queda da FTX, sugerindo que a capitulação foi causada por esses investidores;

 

👉 A liquidez no mercado cripto está aumentando, impulsionada pela entrada de mais de US$ 7 bilhões em stablecoins nos últimos 30 dias;

 

👉 A maior parte do capital alocado em stablecoins ainda não foi direcionada para o Bitcoin, o que sugere uma potencial alocação futura;

 

👉 A política monetária global está prestes a passar por uma virada, com o Fed indicando cortes de juros a partir de setembro, o que pode aumentar a liquidez e beneficiar o Bitcoin;

 

👉 A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, pode tomar medidas para aumentar a liquidez devido às eleições presidenciais em novembro;

 

👉 O aumento da liquidez é esperado no último trimestre de 2024, impulsionado por questões políticas e pela desaceleração econômica nos EUA;

 

👉 A dívida pública do Brasil é de 74,4% do PIB, e a base monetária está crescendo de forma exponencial;

 

👉 Muitos brasileiros estão investindo na bolsa de valores para proteger seu poder de compra, mas o Bitcoin oferece uma proteção mais eficaz;

 

👉 O Bitcoin valorizou mais de 147% em reais nos últimos 365 dias, superando o desempenho da bolsa brasileira;

 

👉 A precificação de curto prazo do Bitcoin permanece em tendência de lateralização, com queda esperada em setembro, mas com chances maiores de recuperação em outubro;

 

👉 O Tether Ratio Channel sugere que ainda há dificuldades no curto prazo, mas a fase atual pode ser uma oportunidade para acumulação de Bitcoin.

Introdução

Neste relatório, abordaremos o impacto da capitulação no preço do Bitcoin ocorrida em agosto, destacando como essa movimentação pode limitar novas quedas. Discutiremos os fatores macroeconômicos que influenciaram essa queda e a subsequente liquidação no mercado, além de como a liquidez crescente em stablecoins sugere uma futura pressão de compra no Bitcoin.

Também exploraremos a expectativa de uma virada na política monetária global, com possíveis efeitos no preço do Bitcoin. Em seguida, abordaremos a situação fiscal nos EUA e no Brasil, ressaltando como esses fatores reforçam a importância do Bitcoin como reserva de valor para os investidores, especialmente no Brasil, onde a deterioração econômica e a desvalorização da moeda tornam o Bitcoin uma ferramenta essencial para a proteção de capital.

Vamos lá!

Capitulação em agosto pode limitar novas quedas

No início de agosto, o preço do Bitcoin sofreu um choque significativo, principalmente devido a fatores macroeconômicos, conforme já discutido no Blocktrends PRO. A desalavancagem do carry trade no Japão, juntamente com um sentimento de aversão ao risco relacionado ao receio de recessão, foram os principais motivos dessa queda, que ocorreu no dia 5 de agosto.

Esse evento levou a uma capitulação considerável no mercado, um ponto crucial para entender os ciclos, pois esses momentos geralmente marcam fundos locais.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

A capitulação foi evidenciada pela métrica de prejuízo ajustado à capitalização realizada, que mede o volume de movimentação na rede com base no custo real dos detentores, em vez dos preços de negociação nas exchanges. No dia 5 de agosto, mais de 3 bilhões de dólares foram realizados em prejuízo, o maior valor desde a quebra da FTX.

Este tipo de padrão de movimentação em prejuízo só costuma ocorrer em períodos de “cisnes negros” e choques sistêmicos no mercado, algo que presenciamos em ambos os momentos citados.

Esse movimento também fez com que o SOPR (Spent Output Profit Ratio) dos holders de curto prazo atingisse seu nível mais baixo desde o colapso da FTX, indicando que a capitulação desses investidores foi o principal fator por trás da queda de preço naquele dia.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Em estruturas de mercados de alta, esses momentos de alto nível de capitulação por parte de investidores novatos, costumam marcar fundos locais. Entretanto, não podemos olhar a métrica de modo isolado, principalmente pelo fato de estarmos vendo uma contínua desaceleração no volume de capital alocado no mercado.

Liquidez em ativos digitais continua subindo, mas preço ainda não refletiu

Estamos observando um aumento significativo na liquidez do mercado cripto, impulsionado pela entrada de capital via stablecoins. Nos últimos 30 dias, mais de US$ 3,65 bilhões foram adicionados através do USDT e mais de US$ 7 bilhões quando consideramos outras stablecoins relevantes.

Esse crescimento indica um aumento de capital externo sendo alocado no mercado cripto, principalmente porque a emissão de novas stablecoins, como o Tether, requer colateralização de ativos do mercado tradicional.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Embora esse aumento de liquidez reflita uma maior demanda potencial por ativos digitais, ainda não se traduziu em uma pressão de compra significativa no Bitcoin. O capital acumulado nas stablecoins ainda não foi totalmente direcionado para ativos como o Bitcoin.

Para rastrear essa movimentação, estamos utilizando a métrica de fluxo de capital on-chain, com base na capitalização realizada. Desde março, observamos uma redução na alocação de capital on-chain, com apenas 2,4 bilhões de dólares alocados na rede Bitcoin nos últimos 30 dias.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Esse cenário sugere que, embora haja um grande volume de capital em stablecoins, ele ainda não foi alocado em Bitcoin. No entanto, isso aponta para uma possível futura alocação, à medida que o mercado ganhe mais clareza sobre uma possível mudança de tendência, o que pode ocorrer com a virada na política monetária dos EUA e em escala global, tópico que será discutido a seguir.

Momento de virada na política monetária global

Após um longo período de política monetária restritiva por parte do Banco Central dos EUA, iniciado em 2022, com foco na redução do balanço de ativos e elevações nas taxas de juros, boa parte da liquidez foi retirada do mercado. Essa política foi replicada por outros bancos centrais ao redor do mundo, impactando diretamente a economia global.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Entretanto, esta prática está próxima de um momento de inflexão. No evento de Jackson Hole, o presidente do Banco Central dos EUA, Jerome Powell, sinalizou que as taxas de juros começarão a ser reduzidas a partir de setembro.

Isso abre uma perspectiva positiva para o Bitcoin e outros ativos de risco, já que a queda nas taxas de juros pode resultar em uma maior monetização da dívida e um aumento na liquidez do mercado, o que tem o potencial de impactar positivamente a precificação do Bitcoin.

Essa perspectiva se baseia no apoio público da secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, à candidata democrata Kamala Harris, especialmente em um momento estratégico com as eleições presidenciais em novembro.

Nesse contexto, é possível esperar que Yellen possa realizar medidas significativas para aumentar a liquidez no mercado, como reduzir a conta geral do Tesouro e dar instruções ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, para flexibilizar o aperto quantitativo que tem reduzido ativos no balanço do Banco Central. Isso pode levar ao reinício da flexibilização quantitativa (QE), ou seja, a criação de mais unidades monetárias, essencialmente “imprimindo dinheiro”.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Vale notar que, um dos fatores centrais para o cálculo da inflação de preços, conforme demonstrado pelo estudo do MIT em 2022, é o gasto governamental. Esse gasto é impulsionado pela emissão de dívida pública, o que leva à criação de novas unidades monetárias à medida que o governo recompra títulos públicos para financiar suas despesas. Esse processo não ocorre apenas nos EUA, mas também no Brasil, algo que será discutido em tópicos subsequentes.

É importante destacar que esse processo de aumento de liquidez parece inevitável, mesmo que não ocorra de imediato. O cenário atual de crescente déficit fiscal gera uma necessidade contínua de injeção de liquidez por parte dos governos, como já discutido em relatórios anteriores do BlockTrends PRO.

Esse aumento de liquidez é esperado para o último trimestre de 2024, impulsionado tanto por questões políticas, como as eleições nos EUA, quanto econômicas, como o aumento do gasto público e a desaceleração da economia norte-americana, evidenciada por níveis mais altos de desemprego e retração no setor imobiliário.

Há a possibilidade de que setembro seja o último mês para uma acumulação mais significativa de Bitcoin, antes que os preços comecem a reagir ao aumento da liquidez esperado a partir de outubro. Essa mudança pode ser influenciada tanto pelas eleições como por uma expansão de liquidez global.

Embora essa expectativa possa trazer uma fase de crescimento, ela não elimina completamente o risco de uma recessão, já que historicamente recessões podem ocorrer mesmo em ambientes de liquidez crescente. De qualquer modo, a resposta imediata frente aos riscos de recessão será a injeção de liquidez, o que, em última instância, continuará impulsionando o preço do Bitcoin no longo prazo.

Situação econômica brasileira apenas reafirma alocação em Bitcoin

Nos últimos relatórios, temos focado bastante na situação fiscal dos Estados Unidos, principalmente devido ao peso significativo que o dólar tem na precificação do Bitcoin, já que mais de 86% do volume negociado em Bitcoin é em dólar. Assim, nossas métricas de avaliação de mercado e o estudo de indicadores econômicos permanecem centrados nos Estados Unidos e no dólar americano.

No entanto, essa dinâmica também se aplica ao Brasil, com uma diferença importante. No Brasil, a nossa tese em relação ao Bitcoin pode ser explicada de forma ainda mais intensa, devido a fatores específicos da economia local que acentuam os benefícios da criptomoeda.

O fato de o Brasil ter uma moeda mais fraca, combinado com os recentes avanços judiciais e políticos que mostram uma crescente restrição à liberdade econômica dos indivíduos, reforça a visão de longo prazo em relação ao Bitcoin como uma reserva de valor alternativa.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

A mesma teoria sobre ciclos de maior impacto na política monetária, emissão de dívida e gasto governamental também se aplica na economia brasileira. O conceito apresentado anteriormente, que pertubações na estrutura monetária geram cada vez mais caos nos ciclos de emissão de moeda e liquidez se mostra verdadeiro para a economia norte-americana e brasileira.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

De fato, a situação fiscal do Brasil é semelhante ao que mencionamos em um relatório anterior de agosto, no qual destacamos o impacto da política monetária no crescimento da dívida pública, uma realidade em várias economias globais.

No caso do Brasil, o déficit fiscal é significativo, como demonstrado em julho, quando o país registrou um déficit de 101 bilhões de reais, ou seja, o governo gastou 101 bilhões de reais além do que arrecadou. A emissão de dívida pública é o mecanismo principal utilizado para cobrir esse rombo fiscal, o que contribui para a contínua deterioração das contas públicas.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Atualmente, a dívida pública interna do Brasil corresponde a 74,4% do PIB do país. Esse cenário reflete uma disparidade crescente, visível na variação mensal em milhões de reais do déficit fiscal, o que reforça a tese de que o governo brasileiro, assim como várias outras economias globais, está entrando em um espiral de dívida, elevando esse nível a cada ano. Esse aumento é, em grande parte, derivado da expansão da base monetária.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

No caso do Brasil, a base monetária, medida em milhões de reais, tem crescido de forma exponencial, impulsionando boa parte do crescimento do PIB. No entanto, esse fenômeno não é exclusivo do Brasil ou dos EUA; é um reflexo global de deterioração do poder de compra. O índice de preços ao consumidor continua subindo, evidenciando esse efeito inflacionário que afeta a economia como um todo.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Como resposta ao aumento da impressão monetária e da emissão de dívida pelo governo brasileiro, o indivíduo comum tem poucas opções para proteger seu poder de compra, sendo uma delas o investimento na bolsa de valores. Isso ajudou a impulsionar a bolsa brasileira, que registrou uma valorização de 33% no último ano.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Muitos investidores recorrem à bolsa como forma de proteger seu capital da deterioração do poder de compra causado pela desvalorização do real. No entanto, essa proteção não se compara à capacidade do Bitcoin de preservar o capital em meio a essa crise monetária.

Nos últimos 365 dias, o Bitcoin valorizou mais de 147% quando precificado em reais, evidenciando sua eficácia como proteção contra a desvalorização da moeda brasileira. Essa disparada na valorização é parcialmente resultado da desvalorização do real frente ao dólar, que também impulsionou o preço do Bitcoin quando comparado em ambas as moedas.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Esse cenário reflete que, enquanto o Bitcoin é uma proteção importante para investidores globais, ele se torna ainda mais essencial para os investidores brasileiros, cujos ativos e poupança estão mais expostos à fragilidade econômica interna e à crescente dívida pública.

Conclusões

A precificação de curto prazo do Bitcoin continua alinhada com nossa perspectiva mencionada no início de agosto, com um viés de lateralização ou novas quedas durante o mês de setembro. No entanto, essas quedas podem representar oportunidades para aqueles que ainda não alocaram todo o seu capital, especialmente em preparação para uma possível melhora na liquidez no último trimestre de 2024.

Como discutido em relatórios anteriores, a sazonalidade tanto no mercado cripto quanto no mercado global aponta para uma melhora a partir de outubro.

Atualmente, os indicadores on-chain e nossas análises continuam sugerindo que setembro poderá ser um mês negativo, mas com potencial para uma recuperação em outubro. Além disso, é crucial destacar a importância de os brasileiros estarem alocados em Bitcoin, dado o cenário econômico de deterioração do poder de compra no Brasil, um processo que tende a se intensificar nos próximos anos.

Um mês (ou menos) para acumular Bitcoin

Outro indicador que fortifica esta tese é o Tether Ratio Channel, uma métrica de trading quantitativo medida através do fluxo de stablecoins saindo e entrando em exchanges. Com o menor fluxo de capital que estamos vendo sendo alocados, é possível que ainda tenhamos mais dificuldades para subir antes de um real impulso positivo.

Entretanto, acreditamos ser importante enxergar o período das próximas semanas como uma fase de acumulação de médio e longo prazo, algo que deveremos ir reavaliando nos próximos relatórios.

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