Resumo
👉 Enquanto o Bitcoin sofreu relativamente menos, o Ethereum foi mais impactado devido ao seu maior nível de alavancagem;
👉Após a atualização Dencun, a Ethereum viu um aumento significativo nas taxas de transação durante o primeiro estresse na rede desde a atualização, com picos de até $700 por transação;
👉Mesmo com as altas taxas recentes, a média atual ficou em torno de $60, inferior às médias de $80 a $100 observadas no ano anterior;
👉Validadores e a Ethereum Foundation foram os maiores beneficiados com o aumento das taxas durante o período de crise;
👉Redes L2 como Arbitrum e Optimism também experimentaram aumentos nas taxas, enquanto a Solana manteve suas taxas baixas e suportou um grande volume de transações;
👉A Solana teve uma queda de preço menos acentuada e atingiu um recorde histórico na comparação SOL/ETH, fortalecendo sua posição no mercado;
👉A Solana sacrifica a segurança para ser mais escalável, enquanto a Ethereum prioriza a segurança, o que dificulta a Solana de ultrapassar a Ethereum;
👉A Lido Finance viu seu Total de Valor Bloqueado (TVL) cair de $33 bilhões para $25 bilhões devido à desvalorização da Ethereum e saídas do processo de Liquid Staking.
No último domingo e se estendendo até boa parte da segunda-feira, houve uma crise nos mercados globais, desencadeada pelo aumento da taxa de juros no Japão. Esse evento resultou em quedas significativas em diversas bolsas ao redor do mundo, com a ativação de vários circuit breakers (processo de paralisação temporária da negociação de ativos). Muitos países assumiram dívidas ao longo dos anos com juros baixos, denominadas em ienes, uma moeda considerada sólida. Esse movimento levou a uma série de desalavancagem em mercados altamente endividados, e com o aumento das taxas de juros, o custo de capital também subiu.
Essa crise acabou impactando fortemente o mercado de criptomoedas, embora o Bitcoin tenha sofrido relativamente menos. O mercado mais afetado foi o da Ethereum, devido ao seu maior nível de alavancagem. Quando a crise foi identificada, o mercado DeFi (finanças descentralizadas) era um dos poucos abertos e disponíveis tanto para operações de desalavancagem quanto para posições vendidas em diversos ativos. Esse movimento gerou uma série de efeitos nas redes blockchain, que serão abordados neste relatório.

O Aumento das Taxas na Ethereum
Após a atualização Dencun em março de 2024, a rede Ethereum experimentou uma forte redução nas taxas, e a blockchain não enfrentou mais nenhum momento de estresse. No entanto, nesta semana, tivemos o primeiro estresse significativo na rede desde a atualização, e os antigos problemas da Ethereum voltaram à tona. As taxas na rede aumentaram excessivamente, mesmo com a queda no preço do token da Ethereum, chegando a valores entre $500 e $700 por transação.
Antes desse movimento na segunda-feira, o custo médio por transação estava entre $3 e $10. Porém, na segunda-feira, atingimos picos bem maiores como o de $619, visto na imagem acima, mas a média ficou em torno de $60. Essa média é inferior à do ano passado, quando as taxas chegavam a $80 a $100 de média, mas ainda assim é um custo extremamente alto para uma operação simples.
Essa é a grande revolução contra os grandes bancos? Taxas absurdas e lentidão na rede quando mais se precisa? Isso acaba não sendo muito diferente dos grandes bancos. Os maiores beneficiados nesse processo foram os validadores, que recebem parte dessas taxas, e a Ethereum Foundation.

A solução da Ethereum
A solução para escalabilidade e altos custos de transações não é algo novo na rede Ethereum, o que levou ao surgimento de redes de segunda camada como Polygon, Arbitrum e Optimism. Essas redes realmente oferecem taxas bem mais baixas, mas, durante momentos de alta demanda, elas também experimentaram aumentos exponenciais nos preços. A Arbitrum, em particular, cobrou as maiores taxas, registrando seu segundo dia com taxas elevadas nos últimos 90 dias, sendo o outro pico observado durante o airdrop da Layer Zero.
Esses eventos mostram que ainda são necessárias melhorias tanto na rede principal da Ethereum quanto nas redes de segunda camada. Isso é evidente quando comparamos as três principais redes L2 da Ethereum com a Solana: juntas, as L2 processam menos de 6 milhões de transações por dia, enquanto a Solana realiza de 30 a 40 milhões de transações diárias.

O que aconteceu com as taxas dentro da Solana?
A Solana é frequentemente uma das redes mais utilizadas em termos de número de transações e endereços ativos, além de ter taxas significativamente menores que outras redes. Durante este momento de estresse, a Solana manteve esse comportamento, resistindo à pressão e mantendo suas taxas baixas. Essa situação levanta questionamentos no mercado de criptomoedas: de um lado, temos a segunda maior criptomoeda, enfrentando problemas antigos e cobrando taxas bem maiores do que bancos tradicionais; do outro, temos uma rede que suporta um grande volume de transações, com um número maior de usuários, e que continua oferecendo custos baixos de movimentação.

Ao mesmo tempo, observamos uma percepção de mercado diferente: enquanto a Ethereum caiu bruscamente, a Solana teve uma queda de preço menos acentuada e atingiu um recorde histórico na comparação SOL/ETH. Essa comparação já vem sendo observada há algum tempo, e o gráfico subiu significativamente nos últimos 12 meses, demonstrando maior seriedade no desenvolvimento de projetos dentro da Solana. As quedas de rede pararam de ocorrer, e atualmente a Solana já é a 4ª maior criptomoeda do mercado, perdendo em capitalização de mercado apenas para o Bitcoin, Ethereum e USDT.

Solana vai ultrapassar a Ethereum?
Esse processo é muito difícil de ocorrer, pois a Ethereum é a rede que mais se provou ao longo do tempo e abriga muitos projetos gigantes. Mesmo com a Solana se mostrando um projeto promissor, ela sacrifica o fator de segurança para ser uma rede mais escalável, enquanto a Ethereum não deseja seguir esse caminho.
Contudo, existem vários fatores que podem valorizar a Ethereum, como a entrada de fluxos positivos via ETFs. Estamos ainda observando um momento de despejo por parte da Grayscale, mas quando esse movimento de venda terminar, poderemos ver um ponto de crescimento significativo para a criptomoeda. O mercado de Finanças Descentralizadas (DeFi) também é enorme dentro da Ethereum e deve continuar crescendo nos próximos meses. Além disso, com o possível corte nas taxas de juros dos EUA, podemos ver uma migração maior para ativos de risco, e parte desse capital pode ser direcionado para a Ethereum.
Por outro lado, a Solana continua crescendo em setores como o DEPIN, que se concentra em infraestrutura descentralizada. Esse setor está em forte expansão, e muitos projetos estão optando por ser desenvolvidos na Solana devido à menor latência e à capacidade de realizar microtransações com maior eficiência. Atualmente, já existem 78 projetos no setor de DEPIN dentro da Solana, enquanto na Ethereum há 74 projetos.
O que esse movimento nos mostrou?
O ponto principal que queremos destacar é que a Ethereum é a rede com maior alavancagem no mercado. É onde muitos usuários podem contrair dívidas em criptomoedas, em stablecoins ou através de plataformas de staking e Liquid Staking. Nesse sentido, a Ethereum continuará sendo a rede mais alavancada, e em momentos de crise global, tende a ser uma das principais criptomoedas a sofrer quedas mais acentuadas. É crucial que nossos usuários entendam e estejam cientes do risco associado à alavancagem, percebendo que este é um risco que o investidor de varejo não deve correr, pois movimentos como esse podem, por vezes, eliminar todo o lucro obtido.
Na segunda-feira, o nível de liquidações em Ethereum atingiu o maior patamar dos últimos 12 meses, totalizando US$ 340 milhões. Deste montante, US$ 261 milhões foram de contratos de compra e US$ 79 milhões de contratos de venda.
A Queda de TVL na Lido Finance
Outro movimento que evidenciou o excesso de capital alocado em empréstimos foi a queda na Lido Finance, cujo Total de Valor Bloqueado (TVL) diminuiu de $33 bilhões para $25 bilhões. Grande parte dessa queda se deve à desvalorização da Ethereum, mas outra parte foi causada por saídas do processo de Liquid Staking. Esse movimento refletiu rapidamente no preço do token da Lido Finance, que também sofreu uma forte queda, demonstrando uma forte correlação com o preço da Ethereum. Assim como a Lido Finance pode funcionar como um beta em termos de valorização—ou seja, se a Ethereum se valorizar, a Lido tende a se valorizar ainda mais, com altas maiores em alguns casos—nos momentos em que a Ethereum sofre desvalorizações, a Lido Finance tende a cair significativamente, como foi observado neste movimento.




