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Ursos cansam de vender Bitcoin e preço recupera

Recuperação é guiada por compras institucionais, mas alavancagem deve impulsionar volatilidade.

Resumo

👉ETFs de Bitcoin têm mostrado um crescimento contínuo na captação de fundos, atingindo mais de US$ 1.6 bilhões, apesar das saídas significativas do fundo da Grayscale;

 

👉As saídas do GBTC diminuíram, mas ainda exercem impacto no volume total de capital atraído pelos ETFs de Bitcoin, afetando a percepção do mercado sobre os fundos;

 

👉Fundos como BlackRock e Fidelity captaram mais de 6 bilhões de dólares, detendo cerca de 138.5 mil BTCs, evidenciando a confiança dos investidores institucionais em produtos financeiros baseados em Bitcoin;

 

👉Os ETFs de Bitcoin detêm aproximadamente 658 mil BTCs, demonstrando a expansão do mercado e o reconhecimento do Bitcoin como um ativo viável;

 

👉A captação líquida está em torno de 38.7 mil BTCs (1.67 bilhão de dólares), destacando o influxo de capital no mercado de Bitcoin;

 

👉Mais de 148 mil Bitcoins foram retirados do GBTC, mas as saídas estão começando a diminuir, indicando um futuro predomínio de entradas líquidas nos ETFs de Bitcoin;

 

👉Pressão vendedora sobre o preço do bitcoin foi superada por compras notáveis, especialmente na Bitfinex, com acumulação por baleias indicando otimismo no mercado;

 

👉Distribuição de 256 mil BTC pelos holders de longo prazo no mercado sinaliza otimismo, mas também gera riscos de volatilidade devido à alavancagem excessiva no mercado futuro;

 

👉A correlação entre a expansão monetária global e o comportamento do Bitcoin sugere que a criptomoeda atua como uma esponja de liquidez, absorvendo capital global e refletindo ciclos de expansão e contração econômica.

Ursos cansam de vender Bitcoin e preço recupera


Introdução

Após o lançamento dos ETFs de Bitcoin, o mercado experimentou uma correção acentuada, impulsionada principalmente por vendas institucionais e pequenos investidores capitalizando no evento “vender no fato”.

Contudo, a recente recuperação dos preços acima de US$ 45 mil sugere um esgotamento dessas vendas e alinha-se com a tendência positiva destacada em nosso último relatório de mercado no final de fevereiro.

No relatório de hoje abordaremos as forças que influenciaram essa recuperação e explora os fatores que podem impactar o mercado nos próximos dias. Convidamos você a acompanhar essa análise detalhada para entender melhor o panorama atual do mercado de Bitcoin e as expectativas futuras.

Vamos lá!

ETFs de Bitcoin já captaram mais de US$ 1,6 bilhão

A dinâmica do mercado de fundos relacionados ao Bitcoin tem demonstrado tendências interessantes nos últimos tempos. Conforme temos discutido no grupo PRO de assinantes, um fator notável é o crescimento contínuo da captação em fundos de Bitcoin, apesar de um volume significativo ter sido eclipsado pelas saídas do fundo da Grayscale.

Uma observação importante é que, embora as saídas do Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) tenham diminuído substancialmente, elas ainda exercem uma influência considerável sobre o volume total de capital atraído pelos Exchange-Traded Funds (ETFs) de Bitcoin. Isso reflete uma dinâmica de mercado complexa, onde fluxos de saída de um grande fundo podem impactar a percepção geral do mercado sobre os ativos digitais.

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Neste cenário, os fundos geridos por gigantes financeiros como BlackRock e Fidelity têm se destacado em termos de captação líquida. Até o momento, esses dois fundos conseguiram captar mais de 6 bilhões de dólares, mantendo em posse aproximadamente 138,5 mil BTCs.

Esse valor notável ressalta o crescente interesse e a confiança dos investidores institucionais em produtos financeiros baseados em Bitcoin.

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Ao olharmos para o panorama mais amplo dos ETFs de Bitcoin, observamos que eles detêm cerca de 658 mil BTCs. Isso demonstra não apenas a expansão do mercado de ETFs relacionados a criptomoedas, mas também o crescente reconhecimento do Bitcoin como uma classe de ativo viável e atraente.

Quanto à captação líquida, esta está atualmente na casa dos 38,7 mil BTCs, o que equivale a cerca de 1,67 bilhão de dólares. Esta cifra ressalta o vigoroso influxo de capital no mercado de Bitcoin, apesar das variações e volatilidades inerentes a este setor.

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Por outro lado, um ponto de preocupação para os investidores tem sido o fundo da Grayscale, de onde mais de 148 mil Bitcoins, totalizando mais de 6 bilhões de dólares, foram retirados até o momento.

Essas saídas do GBTC já começam a reduzir e devem se neutralizar nos próximos dias de negociação. Neste momento, começaremos a ver uma predominância de entradas líquidas no agregado dos ETFs de Bitcoin, evidenciando a busca pelo ativo.

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Desde o dia 22 de janeiro que estamos presenciando menos retiradas do fundo da Grayscale e nesta semana atingimos o menor fluxo de saída já registrado desde a conversão para ETF. Esta redução indica que a pressão de venda que tanto suprimiu o preço no último mês está quase completamente finalizada.

Mercado spot e derivativos

No último mês, observamos uma constante pressão vendedora sobre o preço do bitcoin, originada principalmente de algumas entidades específicas da rede, incluindo as discutidas anteriormente.

Esse volume de venda significativo impactou os livros de ofertas em diversas exchanges. No entanto, essa pressão vendedora foi superada por um notável volume de compras, especialmente na Bitfinex.

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Foi identificado que algumas entidades estavam comprando intensamente no fundo de mercado, como indicado pelo delta do volume cumulativo.Esse volume de compra resultou em saques substanciais na exchange, seguidos por um processo de acumulação on-chain.

Curiosamente, esse fenômeno de acumulação por baleias na Bitfinex levou ao aumento da métrica de endereços com mais de 1.000 BTC em reservas, alcançando o maior patamar desde o final de 2022.

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Essa métrica é crucial para compreender o interesse dos grandes players no mercado atual, indicando um sentimento de “risk-on” e otimismo.

Além disso, outro fator importante para entender a estrutura otimista do mercado é o comportamento dos holders de longo prazo, que estão movimentando suas moedas. Geralmente, este processo de realização de lucros ocorre em estruturas de mercado de alta, como foi observado no ciclo de expansão anterior.

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Nos últimos 30 dias, os holders de longo prazo distribuíram cerca de 256 mil BTC no mercado. Apesar de poder ser interpretado inicialmente como uma métrica negativa, esse padrão de comportamento, na verdade, indica otimismo em relação à tendência de mercado.

No entanto, é importante salientar que esse otimismo pode levar a uma acumulação excessiva de alavancagem no mercado futuro, gerando maior volatilidade e liquidações.

Por isso, sempre enfatizamos que a utilização de derivativos no mercado de criptoativos deve ser feita apenas por investidores experientes que compreendem os riscos associados a esses instrumentos.

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Atualmente, existem cerca de US$ 19,92 bilhões em contratos abertos no mercado futuro de Bitcoin. Em análises passadas, já apontamos que patamares acima de US$ 20 bilhões costumam indicar falta de solidez no preço, impulsionada por excesso de alavancagem.

Continuaremos monitorando essa situação em atualizações diárias no grupo PRO, embora até o momento não tenha sido identificada falta de solidez, mas essa estrutura pode mudar rapidamente.

Lateralização: um estágio do ciclo

Como evidenciado em relatórios anteriores, um aspecto notável desse ciclo é a eventual lateralização antes do halving, um evento crucial na economia do Bitcoin que discutiremos detalhadamente mais adiante. Essa lateralização, embora possa parecer atípica para observadores casuais, é de fato um fenômeno recorrente dentro da estrutura cíclica do mercado do Bitcoin.

A análise do ciclo de mercado do Bitcoin revela uma alternância entre expansão, lateralização e contração. Historicamente, os períodos de expansão tendem a ser mais extensos no longo prazo, contribuindo para a apreciação geral do valor do Bitcoin.

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No entanto, é importante notar que as fases de lateralização e correção, embora breves, podem ser bastante intensas e abruptas.

Um aspecto intrigante do atual ciclo de alta do Bitcoin é a magnitude relativamente menor de suas correções, especialmente quando comparadas com ciclos anteriores.

Desde o final de 2022, as correções observadas têm sido limitadas a cerca de 20%, uma redução significativa em relação às correções de 30% a 40% vistas em ciclos passados. Esse padrão de correções mais suaves sugere uma maturação do mercado do Bitcoin.

Um fator contribuinte para essa tendência de correções mais moderadas é o crescimento contínuo da capitalização de mercado do Bitcoin.

À medida que o mercado se expande, o impacto de um determinado volume de capital sobre o preço do Bitcoin se torna menos pronunciado. Isso implica que são necessárias quantidades cada vez maiores de capital para influenciar significativamente o preço do Bitcoin, resultando em uma estabilidade relativa e em correções menos severas.

O efeito do Halving

Com a aproximação do halving, um evento de significativa importância no ecossistema do Bitcoin que reduz pela metade a emissão de novas unidades da criptomoeda, os mineradores são inevitavelmente os primeiros a sentir o impacto.

Atualmente, já é possível observar como essa iminente mudança está afetando as reservas dos mineradores, que atingiram o menor nível desde 2021. Isso reflete uma venda substancial de Bitcoin por parte dos mineradores, visando a capitalização antes da redução na rentabilidade que o halving trará.

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Historicamente, os mineradores precisavam guardar suas moedas e vendê-las a preços mais elevados, uma necessidade decorrente das dificuldades de financiamento dessas operações.

No entanto, o cenário mudou significativamente. Atualmente, com a crescente institucionalização do mercado de Bitcoin, os mineradores têm acesso a diversas formas de financiamento, incluindo a abertura de capital em bolsas de valores. Esse desenvolvimento facilita a liquidez e reduz a necessidade de reter as moedas por longos períodos.

Contudo, é importante ressaltar que o impacto do halving no mercado de Bitcoin ainda é um fenômeno pouco compreendido.

Analisando a quantidade média mensal enviada para as exchanges, observa-se que ela se manteve consistentemente entre 400 e 1.100 BTC, sem grandes variações.

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Apesar da redução na emissão de novos Bitcoins, o fornecimento ao mercado permaneceu inalterado desde 2014. Portanto, até o momento, o impacto do halving parece ser mais psicológico do que técnico. Espera-se que nos próximos halvings, esse evento possa ter um efeito mais significativo, mas isso ainda não foi observado.

Interessantemente, o ciclo do Bitcoin acabou se organizando de forma muito semelhante ao ciclo monetário global.

Essa correlação sugere que, apesar de sua natureza descentralizada e inovadora, o Bitcoin não está imune às dinâmicas econômicas e financeiras mais amplas que influenciam os mercados globais.

Expansão monetária em curso

No contexto do mercado global, ao analisar o impacto sobre o Bitcoin, torna-se evidente que um dos principais fatores a considerar é a liquidez. O Bitcoin destaca-se como o primeiro ativo global, escasso e descentralizado disponível, embora essa percepção ainda não tenha sido plenamente reconhecida por todos os investidores.

Ao longo dos anos, houve uma tendência de alocação de capital em uma variedade de ativos na busca por preservar o poder de compra, especialmente em resposta à emissão intensificada de moedas fiduciárias em cada novo ciclo econômico.

À medida que se torna cada vez mais desafiador manter o poder de compra em moedas fiduciárias, vários ativos têm surgido como alternativas para a preservação de valor. No entanto, muitos desses ativos, incluindo ações e ouro, atualmente carregam um prêmio monetário que reflete mais o interesse em preservar o poder de compra do que seu valor intrínseco. Essa situação cria uma expectativa de que, eventualmente, o prêmio monetário alocado em ativos mais escassos será transferido para um ativo verdadeiramente escasso, como o Bitcoin.

O Bitcoin atua, portanto, como uma esponja de liquidez, absorvendo capital global sempre que há um aumento no volume de unidades monetárias.

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Essa dinâmica pode ser observada em gráficos que mostram uma correlação direta entre a variação anual do Bitcoin e a variação anual da base monetária global, refletindo seus ciclos de expansão e contração. Este fenômeno é um dos principais motores da estrutura de mercado do Bitcoin.

Atualmente, estamos em um ciclo de expansão monetária global, com a base monetária situada em torno de US$ 103 trilhões. No entanto, no curto prazo, as reduções também afetam diretamente a precificação do Bitcoin.

Espera-se que essa correlação entre a expansão monetária global e o comportamento do Bitcoin se mantenha nos próximos dois anos, mas é crucial estar atento ao fato de que o otimismo no mercado pode levar a uma alavancagem excessiva nos mercados futuros, resultando em maior volatilidade e potenciais liquidações.

Visão de Curto, Médio e Longo Prazo para o Bitcoin

CURTO PRAZO (NEUTRO-BULLISH): No curto prazo, observamos fatores favoráveis, como a compra institucional em torno de US$ 38 mil e a redução da pressão vendedora por parte do fundo ETF da Grayscale.

Esses elementos contribuem significativamente para a precificação atual do mercado. A estrutura de mercado atual sugere uma predominância de força compradora, indicando que o preço do Bitcoin deve continuar sua trajetória ascendente no curto prazo.

No entanto, é importante considerar o excesso de alavancagem, especialmente no mercado de derivativos, que pode resultar em correções e alta volatilidade no curtíssimo prazo. Apesar disso, a tendência geral para o preço do Bitcoin ainda parece positiva, com indicações de que a maior parte da pressão vendedora já se esgotou.

ANÁLISE DE MÉDIO PRAZO (BULLISH): Em um horizonte de médio prazo, a entrada de capital no mercado e a crescente exposição de instituições ao Bitcoin, seja através de ETFs ou de compras à vista, sinalizam uma valorização potencialmente maior do que a observada atualmente.

A visão positiva se mantém, especialmente ao considerar o ciclo de mercado, que pode se estender até a segunda metade de 2025. Esse otimismo é alimentado pela entrada contínua de capital e pelo crescente interesse institucional.

ANÁLISE DE LONGO PRAZO (BULLISH): A longo prazo, ainda mantemos uma visão otimista para o Bitcoin, apesar de estarmos próximos de reavaliar essa perspectiva.

Importante esclarecer que isso não implica uma perda de otimismo quanto ao futuro do Bitcoin, mas sim uma consideração de que, em um horizonte de investimento de até três anos, podemos estar se aproximando do próximo mercado em baixa (bear market).

No entanto, continuamos acreditando no potencial de longo prazo do Bitcoin, e qualquer correção no preço deve ser vista como uma oportunidade de entrada.

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Sobre o autor
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