Futuros de Wall Street sobem com expectativa de dados de emprego nos EUA
Futuros do S&P 500 e Nasdaq avançam no pré-mercado enquanto investidores aguardam payroll de junho, dado que pode definir os próximos passos do Fed.
Os futuros dos principais índices de Wall Street operam em alta nesta sexta-feira, com investidores posicionados antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos referente a junho de 2025. O dado, conhecido como payroll, é considerado o mais importante da semana e pode influenciar diretamente as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve.
Por volta das 6h (horário de Brasília), os futuros do S&P 500 subiam 0,3%, enquanto os contratos atrelados ao Nasdaq 100 avançavam 0,4%. O Dow Jones futuro registrava ganho de 0,2%. O movimento reflete um otimismo cauteloso após uma semana de volatilidade nos mercados globais.
O que o payroll de junho pode revelar sobre a economia americana
O consenso de mercado, compilado pela Bloomberg, aponta para a criação de aproximadamente 190 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em junho. Esse número representaria uma desaceleração em relação aos 272 mil postos criados em maio, que surpreenderam analistas para cima.
A taxa de desemprego deve permanecer estável em 4,0%, segundo as projeções medianas. O salário médio por hora, outro componente observado de perto, tem expectativa de alta de 0,3% na comparação mensal, o que manteria o ritmo anualizado próximo de 3,9%.
Para o Federal Reserve, o equilíbrio entre crescimento do emprego e pressão salarial é o termômetro que define o momento adequado para iniciar o ciclo de cortes de juros. Atualmente, a taxa dos fed funds está no intervalo de 5,25% a 5,50%, o maior patamar em mais de duas décadas.
Como os mercados asiáticos reagiram na madrugada
Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão com desempenho misto. O Nikkei 225 do Japão recuou 0,1%, pressionado pela valorização do iene frente ao dólar, que dificulta as exportações japonesas. Já o índice Hang Seng de Hong Kong avançou 0,6%, impulsionado por ações de tecnologia após dados melhores que o esperado do setor de serviços chinês.
O índice PMI de serviços Caixin da China, divulgado na madrugada, ficou em 51,2 pontos em junho, acima dos 50,7 esperados pelo mercado. O resultado indica expansão, ainda que moderada, e trouxe algum alívio para investidores que acompanham a recuperação irregular da segunda maior economia do mundo.
Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,3%, beneficiado pelo desempenho das fabricantes de semicondutores. A Samsung Electronics avançou 1,2% após relatórios indicarem aumento na demanda por chips de memória de alta largura de banda, usados em servidores de inteligência artificial.
Treasuries e dólar: o que os títulos americanos sinalizam
O rendimento do Treasury de 10 anos operava estável em 4,33% no início da manhã, depois de ter recuado levemente na sessão anterior. O título de 2 anos, mais sensível às expectativas de política monetária, marcava 4,71%.
A inversão entre os rendimentos de curto e longo prazo persiste, com o spread entre 2 e 10 anos em território negativo há mais de 20 meses. Historicamente, essa configuração antecede recessões, embora o prazo entre o sinal e a materialização da desaceleração varie consideravelmente.
O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas, operava em leve queda de 0,1%, aos 105,2 pontos. Caso o payroll venha abaixo do esperado, a tendência é de enfraquecimento adicional da moeda americana, o que tende a beneficiar ativos de risco e moedas de mercados emergentes, incluindo o real brasileiro.
O que está em jogo para o investidor brasileiro
Para quem investe no mercado brasileiro, o payroll tem impacto direto por dois canais principais. Primeiro, pela influência sobre o dólar: um dado mais fraco de emprego nos EUA tende a enfraquecer a moeda americana e aliviar a pressão sobre o câmbio no Brasil, o que favorece a curva de juros doméstica.
Segundo, pelo efeito sobre o apetite global por risco. Se o mercado interpretar o dado como sinal de que o Fed pode cortar juros ainda no terceiro trimestre, fluxos de capital tendem a migrar para mercados emergentes em busca de retornos mais altos.
De acordo com dados da B3, investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 8 bilhões da bolsa brasileira no acumulado de 2025 até maio. Uma virada no ciclo monetário americano poderia reverter essa tendência, segundo analistas do JP Morgan.
Vale lembrar que o Copom manteve a taxa Selic em 10,50% na última reunião e sinalizou cautela com a trajetória fiscal brasileira. A combinação de juros altos no Brasil e eventual corte nos EUA ampliaria o diferencial de taxas, tornando ativos brasileiros mais atrativos para o carry trade.
Agenda do dia e próximos catalisadores
Além do payroll, previsto para as 9h30 (horário de Brasília), o mercado acompanha declarações de membros do Fed que podem comentar os dados ao longo do dia. Na Europa, as vendas no varejo da zona do euro de maio também serão divulgadas pela manhã.
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Na próxima semana, os holofotes se voltam para os dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, que serão divulgados na quinta-feira. Junto com o payroll de hoje, o CPI forma o par de indicadores que o Fed mais observa antes de tomar decisões sobre juros.
O cenário base dos mercados futuros, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, precifica probabilidade de 65% de um primeiro corte de 25 pontos-base em setembro. Um payroll significativamente abaixo de 150 mil vagas poderia elevar essa probabilidade para acima de 75%, o que movimentaria fortemente os mercados já na sessão de hoje.