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Turismo de vacinas é a nova tendência do verão em 2021.

Na medida em que a vacinação avança de maneira desigual ao redor do planeta, a demanda pelo turismo médico, um setor que movimenta $40,9 bilhões por ano, tem crescido.

Em meio aos efeitos devastadores da Pandemia de Covid19 ao longo de 2020, o setor de “turismo médico” foi possivelmente um dos mais afetados, ainda que tenha ganhado pouca atenção.

Tradicionalmente atribuído a momentos de lazer e horas extras, a palavra turismo talvez não seja a melhor para descrever o que ocorre neste setor, mas fato é que é amplamente adotada em uma área que deve vivenciar um boom nos próximos anos.

Para 2027 a expectativa é de que cerca de $207 bilhões (R$1,15 trilhão, ou 4 vezes o gasto brasileiro em saúde), seja destinado a custos de saúde em locais distintos dos quais moram os pacientes.

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Internamente nos Estados Unidos, principal mercado do tipo, essa especialidade levou a criação de hubs especializados em determinadas áreas. Mesmo empresas, como o Walmart, o maior empregador dos EUA, costumam financiar para que seus funcionários se desloquem entre os estados em busca de tratamento médico.

Na impossibilidade de fazer isso em meio a pandemia, tais hospitais registraram perdas bilionárias em 2020.

Globalmente a prática também é bastante comum. Estima-se que 1,7 milhão de americanos e 16 milhões de pessoas no planeta busquem tratamento em outros países.

No caso americano, há duas vias. Tratamentos considerados simples, mas custosos, levam a população a buscar outros países, como o México por exemplo.

Ao norte do México, fica “Los Algodones”, uma pequena de 5000 habitantes e 350 dentistas. O motivo? A cidade fica na fronteira com os Estados Unidos, tornando muito mais barato cruzar a linha que separa os dois países do que ir a um dentista na Califórnia.

Seja por excessos de regulações, pelo tempo e custo de formar profissionais, ou pura e simplesmente por um conflito entre quem paga e quem usa o serviço (via de regra emrpesas pagam planos de saúde e seus funcionários utilizam sem arcar com nada mais), os custos de saúde nos Estados Unidos, país onde 94% da população possui um plano privado, se tornaram proibitivos, fomentando este tipo de turismo.

Na outra ponta, porém, os Estados Unidos costumam receber inúmeros pacientes quando o assunto são tratamentos experimentais, ou ainda, doenças raras.

Este é o caso de brasileiros que dependem de uma única injeção capaz de tratar a chamada AME, Atrofia Muscular Espinhal. A injeção deve ser dada no máximo até os 2 anos e tem um custo de R$12 milhões.

O caso via de regra vai parar na justiça brasileira, com tribunais concedendo o direito de as famílias receberem o tratamento custeado pelo SUS.

Em uma decisão de 2017, porém, após um pedido para que um cidadão brasileiro de Recife tivesse custeado pelo SUS um transplante em Miami com custo de R$10 milhões, a justiça brasileira definiu que os casos devem limitar-se apenas aos tratamentos que não existem no Brasil.

Esses, claro, são casos extremos de tratamentos raros.

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Em meio a pandemia entretanto, tem crescido a busca por agilizar a vacinação.

Enquanto os mesmos Estados Unidos já vacinaram 210 milhões de pessoas, o Brasil ainda caminha lentamente e com insegurança no fornecimento das doses.

O caso tem levado pessoas no país a buscar maneiras de “turistar” em países que oferecem a vacina.

Você provavelmente já viu no seu feed propagandas da vacina russa, a Sputnik V, falando dessa possibilidade.

O caso porém não é tão simples. Na maioria das vezes, propagandas do tipo são medo “softpower”, em suma, uma maneira de países promoverem uma visão positiva sobre si mesmos ao redor do planeta.

No caso americano, que também tem utilizado sua velocidade de vacinação como maneira de demonstrar “poder”, a vacinação foi oficializada para qualquer cidadão maior de idade, mesmo estrangeiros.

O problema, claro, é a quarentena. Voos partindo do Brasil não podem entrar nos Estados Unidos, o que leva brasileiros a buscarem uma quarentena no México antes de embarcar para o país.

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Em janeiro deste ano, o departamento de saúde da Flórida, estado que concentra 20% dos 1 milhão de brasileiros morando no país, registrou 52 mil “não residentes” tomando a vacina.

O caso pode significar tanto moradores de outros estados quanto estrangeiros. Não há uma estatística oficial de estrangeiros tomando vacina nos EUA, mas Estados como Nova York também registram ao menos 25% das doses para os não residentes.

Mesmo antes da liberação para qualquer idade, inúmeros famosos brasileiros (que moram no país, ou não), já haviam tomado a vacina.

Para saber mais sobre a experiência com a quarentena e a viagem aos EUA no momento atual, você pode conferir aqui.

O caso, porém, não se restringe aos Estados Unidos. Se você sempre sonhou em conhecer as paradisíacas Maldivas, saiba que em vista a reaquecer o turismo o país está distribuindo vacina aos vistantes.

Felippe Hermes

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