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Quem é a BlackRock, a gestora de $10 trilhões que desistiu de investir no Brasil

Maior empresa de gestão de risco do planeta, a BlackRock desistiu do Brasil, ao menos até a próxima eleição, segundo o Head para América Latina da empresa.

Foi em 1988 que Larry Fink se juntou a outros ex-colegas de Wall Street para propor uma nova ideia: criar uma gestora cujo principal produto seria “gerir risco”.

A ideia de Fink, que começou sua carreira ajudando a popularizar hipotecas de alto risco, as chamadas “subprimes”, era virar a chave e seguir no exato oposto, certo de que o risco não compensaria a longo prazo.

A estratégia da BlackRock, a gestora fundada por Fink, foi resumida em um programa de computador denominado de “Alladin”.

Por meio de um controle de variáveis, o programa pretendia organizar portfólios de modo pautado por menores fatores de risco, o que pode inviabilizar retornos maiores no curto prazo, mas garante um longo prazo mais “saudável”, nas palavras da empresa.

O sucesso do programa fez da BlackRock uma gigante, em especial quando a empresa, que administrava $324 bilhões em 2008, passou ilesa em meio à crise do Subprime, aquela mesma da qual Fink havia sido um dos artífices no início dos anos 80.

De fato, a BlackRock não apenas manobrou para evitar qualquer prejuízo no período, como foi selecionada pelo banco central americano para gerir o portfólio do Bear Stearns, um dos bancos que quebraram na ocasião.

Intacta em meio a crise, a empresa aprovou para comprar participações em outras gestoras, ampliando seu alcance.

Uma década antes, a BlackRock também já havia evitado prejuízos na bolha das “ponto com”, as empresas de internet. Seu tamanho, porém, era extremamente reduzido na época.

A opção por estratégias de menor risco levou a empresa a “abrir mão” de mercados mais lucrativos, como a gestão ativa, que garante taxas de performance e administração elevadas, mas permitiu a empresa manter sua estratégia, ainda que com um volume de recursos cada vez maior.

Um exemplo dos produtos da empresa que seguem essa linha são os ETFs iShares, com foco global.

A BlackRock fez, em 2020, uma receita de $16,2 bilhões, sobre $8 trilhões em ativos sob gestão, representando uma receita média de 0,2% sobre o AuM, bastante abaixo da média do mercado.

A estratégia da empresa, pautada em ETFs, não chega a ser exatamente original. Grandes empresas como a Vanguard, também centralizam nos “Fundos cotados em bolsa”, os ETFs, a maior parte dos seus investimentos, uma vez que a gestão passiva custo bastante menor.

A despeito disso, a gestora também tem ajudado a moldar investimentos em Wall Street de maneira ativa, especialmente no caso dos investimentos “ESG”.

A BlackRock se tornou nos últimos uma das maiores incentivadoras de investimentos social e ambientalmente corretos. E este, segundo a empresa, é um dos motivos pelos quais o Brasil caiu no ranking de prioridades.

Além da instabilidade típica de ano eleitoral, o Brasil estaria promovendo uma agenda “perdida”, com excesso de promessas por parte do ministro Paulo Guedes, nas palavras do Head da BlackRock para América Latina, Dominik Rohe.

Ainda segundo Rohe, não há por parte da empresa a expectativa de que o país consiga avançar com qualquer reforma neste ano.

A política monetária confusa também chamou atenção, com uma preocupação sobre o cenário inflacionário.

A BlackRock administra hoje $9,5 trilhões ao redor do mundo e seu sistema, o Alladin, outros $22 trilhões, cerca de 6% do total de ativos globais e 26 vezes o valor da bolsa brasileira.

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