Categorias: Economia

Com 4 em cada 10 habitantes na pobreza, Argentina se encaminha para o 11° calote

Foi em meados de 2018, que o então presidente da Argentina Mauricio Macri, fechou o maior programa de resgate financeiro da história do Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de incríveis, $57 bilhões. 

Desde então, a economia argentina tem sido castigada pelas sucessivas renegociações exercidas pelo governo Peronista, liderado pelo atual presidente Alberto Fernández. Até março de 2022 o governo argentino tem de reembolsar bilhões de dólares ao FMI referentes ao resgate. 

Mas ao que parece, Fernández não está com disposição para realizar as devidas ações para fechar essa conta. 

Na semana passada, diante de uma multidão de sindicalistas em Buenos Aires, o presidente berrou revelando que chegar a um acordo rápido com o FMI significaria “ajoelhar-me e cumprir as exigências dos credores”, acrescentando que: Não é isso que um peronista faz. Nós sabemos quem representamos: nós representamos você, não os credores”. 

O embate entre a Argentina e o FMI tem aumentado a expectativa sobre um possível próximo calote, que seria o 11° da história do país. Segundo uma fonte responsável por mediar as negociações, as conversas estão se tornando inconclusivas e cada vez mais “pessimistas”. 

Inadimplência e Argentina foram duas palavras intrinsecamente ligadas nas últimas décadas, fato que tornou a tarefa do FMI extremamente complicada em 2019. Segundo a então presidente do FMI em 2019, Christine Lagarde, existia uma certa pressão humanitária por trás do resgate, uma vez que o banco era “o único jogo na cidade” para a Argentina. 

Mas por incrível que pareça, nem sempre foi assim no país dos nossos hermanos. 

Cem anos atrás, a Argentina era uma das nações mais prósperas do mundo, com o maior PIB per capita do mundo em meados de 1896. Na época, um argentino era em média 29% mais rico que um francês, 14% mais rico que um alemão e 5 vezes mais rico que um brasileiro. 

Mas, à medida que os estrondosos anos 20 terminaram, o fascismo continental ganhou força e um golpe militar em 1930 suspendeu a constituição de 1853, inspirada na Constituição dos Estados Unidos. 

A partir disso, se deu início a um carnaval de golpes de estado, onde presidentes de todas as vertentes se revezaram no poder. Entre 1930 e 1983, foram 6 golpes de Estado, sendo 5 deles resultantes em ditaduras.

Mas foi sob o comando do general Juan Perón, que governou de 1946 a 1955 e novamente por um breve período em 1973-74, que a Argentina passou por transformações que se mantiveram até hoje, ressaltando um elemento em especial: o populismo. 

Em conjunto com os sindicatos, Perón instituiu direitos trabalhistas e um amplo aumento de garantias aos trabalhadores, que em sua grande maioria, não refletiam ao aumento de produtividade econômica necessária para a concessão dos benefícios. 

O resultado foi simples e direto, repetidos surtos de hiperinflação e crises de dívida externa, que por si não foram capazes de mudar a cultura política instaurada no país até hoje. 

Sob o governo peronista, as pensões governamentais concedidas a população chegaram a corresponder por 29% das riquezas produzidas pelo país. 

Esse tipo de política permanece até os dias atuais, via diferentes ferramentas, como os diversos subsídios ao consumo. Apenas em 2014, uma quantia equivalente a 3% do PIB foi destinada aos diferentes subsídios exercidos para a população. 

Toda essa gastança é auxiliada por um artifício que é proibido na maioria dos países (incluindo o Brasil), o mercado de títulos de dívida. Basicamente, o Banco Central Argentino é autorizado constitucionalmente a comprar títulos do governo, o que no termo popular significa: imprimir dinheiro. 

Não átoa, a inflação argentina está acima de 50%, levando o governo a recorrer a políticas comprovadamente falhas e empobrecendo mais ainda a população. 

Hugo Montan

Estudante e funcionário da QR Capital.

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